O advogado criminalista, professor universitário e escritor Daniel Tonetto, de 46 anos, lança o romance “A Cor que nos Separa – A Origem”, obra que amplia as reflexões já presentes em sua trajetória literária. Em um momento de reconhecimento, marcado pela confirmação como patrono da Feira do Livro de Santa Maria, o autor gaúcho também celebra a expansão do seu público e o alcance nacional de suas obras.
Para Tonetto, o novo livro representa um mergulho ainda mais profundo em temas que atravessam sua escrita. A narrativa aborda heranças emocionais, ciclos de violência e silêncios familiares, convidando o leitor a refletir sobre como o passado permanece atuando no presente. “É um romance que olha não apenas para o drama individual, mas também para as estruturas sociais e históricas que condicionam a vida dos personagens”, afirma.
A obra se constrói a partir da combinação entre realismo histórico e elementos simbólicos, como a ideia de uma “maldição familiar”.



Segundo o autor, essa escolha estética busca dar conta de dimensões da experiência humana que vão além dos fatos objetivos. Nesse contexto, o amor surge como um dos eixos centrais da narrativa, apresentado como força de resistência diante da violência e do preconceito — não como idealização, mas como gesto de coragem.
“Tinha interesse em construir uma narrativa em que a dimensão histórica fosse muito concreta, enraizada na realidade brasileira, mas que também abrisse espaço para aquilo que escapa à lógica puramente racional: a memória, a ancestralidade, a intuição, os pressentimentos. Há feridas históricas e familiares que não terminam no fato em si, porque continuam reverberando na alma das pessoas e das gerações”, explica o autor.
Literatura como investigação das origens da violência
A experiência como advogado criminalista também atravessa a narrativa e sustenta uma reflexão sobre as origens do crime e as desigualdades no sistema de justiça. O processo de escrita foi marcado por intensa pesquisa e construção narrativa cuidadosa. Tonetto buscou unir densidade histórica, emoção e verdade humana, oferecendo ao leitor uma obra que convida ao questionamento. Temas sensíveis, como o racismo, atravessam a história e ampliam o debate proposto pelo romance.
“Neste novo livro, esse diálogo aparece, sobretudo, na compreensão de que o crime não nasce do nada. Muitas vezes, ele é o ponto final visível de uma longa cadeia de violências anteriores, de silêncios históricos, de exclusões, de abusos de poder e de estruturas que naturalizam a injustiça. O romance volta às origens justamente para mostrar que, antes do fato criminal, há quase sempre uma história anterior que precisa ser compreendida”, afirma.
Com obras entre as mais vendidas, o escritor vê o crescimento do público como um estímulo para seguir produzindo. Ao assumir o papel de patrono da Feira do Livro de Santa Maria, Tonetto também reforça o vínculo com a cidade onde construiu sua trajetória pessoal e profissional. Para ele, o momento simboliza não apenas uma conquista individual, mas um compromisso coletivo com a literatura e a cultura.
“Ver meus livros alcançando mais leitores, em diferentes lugares, é algo que me emociona profundamente, porque toda obra nasce de um processo silencioso, e quando ela encontra o público, passa a ter uma vida que já não pertence apenas ao autor. A visibilidade é importante, mas o que me move é o compromisso com uma escrita sensível e capaz de tocar as pessoas”, conclui.