Comecei minha vida empreendedora com R$ 230 no bolso, um pacote de paçocas e uma certeza. Eu não queria mais depender do dinheiro dos meus pais nem esperar o emprego perfeito cair do céu. Quando a água bate, você descobre rápido que tem só duas opções, reclamar ou vender. Eu escolhi vender.
Vender paçoca no semáforo não foi um ato de desespero. Foi uma decisão estratégica. No trânsito, eu tinha fluxo constante de pessoas, objeções reais e respostas imediatas. Era a melhor escola de vendas que eu poderia ter. Nos primeiros dias, fiquei horas parado dentro do carro, travado pela vergonha, até entender uma das leis mais importantes da arte de vender. Movimento gera movimento. Você só é lembrado quando aparece.
Ali eu aprendi que as pessoas não compram apenas o produto. Compram a história, a intenção e a energia de quem está vendendo. Eu não oferecia só paçoca de R$ 1. Eu oferecia a chance de alguém participar de um sonho. Quando o cliente entende por que você está ali, o preço vira detalhe. Esse é o primeiro pilar da venda, clareza de propósito.
O segundo pilar é estar disposto a fazer o que a maioria não faz. No farol, eu tomei chuva, sol, levei “não” de todo jeito e mesmo assim continuei sorrindo e oferecendo. Quem romantiza venda nunca sentiu o peso de ouvir dezenas de recusas em sequência. É exatamente aí que você afia a abordagem, ajusta a frase, muda o tom de voz, testa uma piada, um cartaz diferente. Cada “não” vira dado. Cada dado vira estratégia.
Foi essa postura que abriu a primeira grande porta da minha vida. Em meio aos carros e negativas, recebi o convite para trabalhar como vendedor em uma loja de eletrônicos. Se eu tivesse ficado em casa esperando uma oportunidade perfeita, essa proposta nunca teria chegado até mim. Na venda, o campo de batalha é a vitrine do seu caráter. Quem está em movimento é visto, lembrado e indicado.
Na loja, tratei o balcão como pós-graduação em vendas. Eu não era funcionário, pensava como dono. Acordava às cinco da manhã, respondia clientes até meia-noite, observava cada objeção, cada tipo de consumidor, cada produto que girava mais rápido. Em pouco tempo, percebi que já conseguia tocar sozinho todas as funções, compra, atendimento, pós-venda, entrega e financeiro. A arte de vender, para mim, sempre esteve ligada à capacidade de enxergar além da comissão do dia.

Quando juntei experiência e confiança, dei o passo que mudaria meu jogo. Abri minha própria operação de eletrônicos. No começo, eu era tudo, comprador, vendedor, motoboy, financeiro e suporte. Às vezes ficava sem almoçar para dar conta de responder todos os clientes. Muita gente olha hoje para os meses em que faturo R$ 1 milhão e pensa que foi sorte ou golpe de marketing. O que não aparece no Instagram são os dias em que você escolhe continuar mesmo cansado, com medo, sem garantia nenhuma de que vai dar certo.
Com o tempo, as mesmas habilidades que aprendi vendendo paçoca no sinal se tornaram o diferencial da minha empresa. Presença constante, atendimento humano, construção de confiança e foco em relacionamento de longo prazo. Eu entendi que lucro é combustível, não destino. O verdadeiro propósito da venda é o movimento que ela cria, na sua vida, na da sua equipe, na de cada cliente que tem um problema resolvido.
Hoje, minha operação em eletrônicos é referência em Curitiba e, nos melhores meses, alcança o faturamento de R$ 1 milhão. Mas o que me move não é só o número. É poder transformar aquilo que me deu liberdade em um veículo de liberdade para outras pessoas. Quero crescer nacionalmente, depois internacionalmente, sem perder a mentalidade de quem começou com um pacote de paçocas num cruzamento qualquer da cidade.
Se eu pudesse resumir a arte de vender em poucas frases, seriam estas. Não espere estar pronto para começar, a clareza vem na caminhada. Não negocie seus valores, ética e honestidade são os maiores gatilhos de confiança. E, acima de tudo, fique em movimento. Vai com medo mesmo, mas vai. Lá na frente, quem hoje está travado vai olhar para você, que decidiu agir, e chamar isso de sorte. Eu chamo de venda bem feita.