Meu povo, eu tive que parar tudo para prestar atenção nesse elenco curitibano de respeito, porque o 8 de março ganha outra estatura quando sai do discurso fofo de ocasião e entra no campo do resultado, da gestão e do dinheiro girando na mesa. E aqui estamos falando de mulheres que não apareceram para decorar painel corporativo nem para cumprir cota em evento com coffee break sem graça. Estamos falando de lideranças que movem mercado, expandem operação, criam valor e ocupam espaço de decisão com trabalho consistente.
Curitiba entra nessa conversa com cinco nomes que ajudam a traduzir o tamanho dessa virada. São trajetórias em áreas bem diferentes, da gastronomia à cultura, da saúde ao turismo, passando pelo bem-estar e pelo universo da cannabis medicinal. Eu gosto disso porque mostra uma coisa muito objetiva, meu bem: protagonismo feminino não está preso a um setor da moda. Ele atravessa segmentos, muda a lógica de gestão e empurra a economia com cara própria.
Michele Farran é um desses casos que fazem a gente sentar para processar. Fundadora da Cannabis Company, ela criou a primeira farmácia exclusiva e com pronta entrega de cannabis medicinal do Brasil. A história dela tem peso pessoal e empresarial. Diagnosticada com artrite reumatoide aos 22 anos, Michele enfrentou dores intensas e limitações até encontrar no canabidiol uma alternativa que melhorou sua qualidade de vida. Foi daí que nasceu o impulso para transformar vivência em negócio, com foco em acolhimento, informação segura e orientação responsável. Aos 37 anos, ela mistura experiência pessoal, empreendedorismo e defesa de um acesso mais consciente à cannabis medicinal. É uma história que começa na dor e desemboca em estratégia, mercado e serviço.

Na gastronomia, Manu Buffara é praticamente um patrimônio de Curitiba com passaporte carimbado no mapa mundial da alta cozinha. Eleita a Melhor Chef mulher da América Latina em 2022 pela Academia 50 Best, ela também apareceu em posição de destaque no The Best Chef Awards e se tornou jurada fixa do Basque Culinary Center desde 2019. Desde 2011, com o restaurante Manu, abriu um caminho raríssimo ao comandar o primeiro restaurante no Brasil liderado por uma chef mulher a servir apenas menu degustação. O espaço tem cinco mesas, atende 20 pessoas por dia e virou um ponto de prestígio que colocou Curitiba no radar gastronômico internacional. Aqui eu já imagino a cena como se fosse série chique de cozinha, luz baixa, prato impecável e uma curitibana comandando tudo com precisão de quem sabe muito bem onde quer chegar.

Carolina Montenegro faz esse protagonismo aparecer em outra vitrine importantíssima, a da cultura. Jornalista e gestora cultural, ela dirige a Montenegro Produções Culturais e a Guanabara Produções Culturais, com décadas de atuação em elaboração, captação e execução de projetos. São mais de 40 projetos desenvolvidos e cerca de 120 investidores, além de uma trajetória que passa por festivais de teatro infantil, edições do No Improviso Jazz & Blues, encontros do Conversarte, exposições, oficinas e seminários ligados à sustentabilidade, educação e economia criativa. E eu adoro lembrar que gestão cultural bem feita também movimenta mercado, gera emprego, atrai investimento e fortalece cadeia produtiva. Cultura não vive de aplauso vazio. Vive de estrutura, articulação e competência.
Na área de bem-estar, Ana Maria Ramon construiu uma marca sólida com a Carpe Diem, academia que completa 20 anos em 2026 e se consolidou como referência em atendimento personalizado e infraestrutura premium. O negócio atende especialmente o público 35+ e reúne musculação, natação, hidroginástica, aulas coletivas, fisioterapia e outros serviços voltados à qualidade de vida. Em março, a academia apareceu entre os destaques da sétima edição do prêmio Five 9’s, promovido pela MXM Medallia, plataforma americana voltada à avaliação da experiência do cliente. Entre mais de 700 academias analisadas em 2025, a Carpe Diem ficou entre as 44 premiadas do mundo, foi a única do Paraná na lista e ainda alcançou o sétimo lugar no ranking global. Eu, que adoro uma academia lotada de personalidade, fiquei até mais ereta na postura só de ler esse desempenho.

Paola Gulin leva esse protagonismo para o turismo com uma assinatura muito particular. Sócia e curadora de viagens da NomadRoots e fundadora do Clube Nomad, ela trabalha com a ideia de que viajar é ampliar repertório, ganhar novas perspectivas e viver os destinos com profundidade real. O foco dela está em criar experiências que escapam do roteiro automático e empurram o viajante para uma relação mais verdadeira com lugares, culturas e histórias. Empresária e viajante incansável, Paola também carrega essa imagem deliciosa de quem anda pelo mundo com livro na mochila e curiosidade ligada no máximo. É uma proposta de negócio que mistura sensibilidade, visão e entendimento claro de que experiência também é ativo valioso.

O que une essas cinco mulheres é a capacidade de transformar repertório em valor de mercado. Michele faz isso na saúde e no acesso à cannabis medicinal. Manu faz isso na alta gastronomia com reconhecimento internacional. Carolina mostra isso na economia criativa e na gestão cultural. Ana Maria constrói esse valor no bem-estar com excelência em experiência do cliente. Paola leva essa lógica para o turismo, desenhando viagens com identidade e profundidade. São campos diferentes, mas todos exigem leitura de cenário, liderança, tomada de decisão e constância. Ninguém chega a esse lugar no grito. Chega com trabalho.
E eu vou te falar uma coisa, meus fofoqueiros de elite: gosto muito mais do 8 de março que apresenta nomes, números, negócios e impacto concreto do que daquela homenagem corporativa de rede social que some em 24 horas. Aqui existe lastro. Existe operação. Existe reconhecimento. Existe mercado respondendo à competência dessas mulheres.
Saio dessa pauta com a sensação de que Curitiba montou um camarote muito elegante para o protagonismo feminino, só que em vez de pulseirinha VIP, o ingresso aqui atende por visão estratégica, resultado e autoridade. E isso, meu amor, movimenta mercado muito mais do que discurso bonito.