Amadas, vamos combinar uma coisa. Isso aqui não é matéria sobre celebridade feliz na maternidade com foto bonita e legenda pronta. Isso aqui é sobre atravessar.
Quando Nattan resolveu contar que o trabalho de parto de Rafa Kalimann durou 40 horas, ele não entregou um detalhe. Ele entregou um choque de realidade. Porque quarenta horas não cabem em frase curta, cabem em resistência, em dor administrada, em espera longa, em corpo levado ao limite.
Rafa ficou em trabalho de parto por quase dois dias. Dois dias em que o tempo deixa de existir, em que o relógio vira inimigo e em que cada decisão médica pesa. A filha, Zuza, nasceu com 4 kg, forte, inteira, presente. E esse dado não é estatística. É contexto. Quem já pariu sabe o que isso significa.

O relato de Nattan não veio romantizado. Veio agradecido. Ele chamou a equipe médica de “anjos”, falou em paciência, dedicação, amor. E aqui a Kátia Flávia fica enlouquecida, sim, porque raramente o discurso masculino sobre parto sai do lugar comum. Ele não se colocou como protagonista. Ele se colocou como testemunha. Isso muda tudo.
Esse nascimento fecha um ciclo que o casal vinha construindo de forma pública, mas honesta. A gravidez foi anunciada em junho, com emoção, sem teatro. Na reta final, Rafa escreveu uma carta para a filha falando de transformação, de uma versão nova de si mesma que estava nascendo junto. Não era texto bonito para engajamento. Era aviso.

Eles estão juntos desde o fim de 2024. Teve pedido de namoro na chuva, teve trilha sonora certa, teve romance, claro. Mas nada disso importa tanto quanto o agora. Porque a maternidade não respeita estética. Ela atropela.
E é aí que essa história ganha valor. Porque quando uma mulher famosa expõe que o parto não foi rápido, não foi simples, não foi cinematográfico, ela presta um serviço. Ela normaliza o que tantas vivem em silêncio. Ela diz para outras mulheres: não é fraqueza demorar. Não é falha sentir. Não é derrota cansar.

Zuza nasceu. Rafa atravessou. Nattan entendeu. E a gente, do lado de cá, para de fingir que parto é só foto bonita.