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Kátia Flávia
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30e fecha exclusividade com Maracanã e transforma o maior estádio do Brasil em quintal próprio

A produtora que já manda no Allianz e na Arena da Baixada agora assina embaixo do Rio. O mercado de shows nunca mais será o mesmo, e todo mundo sabe disso menos quem finge não saber

Kátia Flávia

17/04/2026 13h45

30e fecha exclusividade com Maracanã e transforma o maior estádio do Brasil em quintal próprio | Créditos: @pridiabr

30e fecha exclusividade com Maracanã e transforma o maior estádio do Brasil em quintal próprio | Créditos: @pridiabr

Estava aqui em Bari, de pé no calçadão da Città Vecchia, fingindo que minha ligação era sobre reserva de jantar, quando minha fonte me jogou essa no ouvido como se estivesse me contando o resultado de um jogo. A 30e fechou exclusividade com o Maracanã. Repito para quem estava distraído: a maior companhia de entretenimento ao vivo do Brasil assinou um contrato de cinco anos com o templo máximo do futebol nacional para gerir a agenda de megashows do estádio. O aperitivo azedou de emoção.

O acordo começa a vigorar em 1º de janeiro de 2027 e foi firmado com o Consórcio Fla-Flu, que detém a concessão do complexo. O foco declarado é otimizar a agenda e elevar o padrão operacional para shows de grande escala, sempre sem furar a fila do futebol, que permanece como prioridade absoluta do local. A 30e já tem duas datas garantidas para 2026: 6 de junho, com O Maior Encontro do Samba reunindo Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão, e 20 de dezembro, com a passagem da Xuxa no espetáculo O Último Voo da Nave. O CEO Pepeu Correa falou em “eficiência operacional” e “processos mais ágeis”, que em português corporativo significa: a casa agora tem dono com agenda própria e know-how para não deixar palco parado.



O digital reagiu com a velocidade característica de quem já sabia e estava esperando o anúncio oficial para poder comentar como se fosse novidade. Produtores independentes do Rio sumiram do LinkedIn por aproximadamente quarenta minutos, o que no setor de entretenimento equivale a cinco fases do luto condensadas numa tarde. Perfis ligados a outras empresas do ramo curtiram a notícia com aquela demora de dois dias que todo mundo percebe mas ninguém menciona em voz alta. A caixa de comentários virou um concurso de emoji de palmas entre gente que, nos bastidores, está recalculando rotas com a urgência de quem perdeu o trem.

A questão mais interessante aqui não é o Maracanã em si. É o mapa que está sendo desenhado com calma cirúrgica. A 30e já administra o Allianz Parque, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba. Com o Maracanã, a companhia passa a controlar os três estádios mais cobiçados do país para shows internacionais de grande porte. Qualquer artista global que queira fazer uma rota brasileira de verdade agora passa, obrigatoriamente, pela mesma mesa. Não é monopólio no papel, mas é uma geometria de poder que faz qualquer produtor concorrente entender que o tabuleiro mudou de posição. A 30e transformou a frente de venues num ativo estratégico tão importante quanto o line-up em si, e fez isso sem alarde, uma arena por vez.

A ficha vai cair para o setor inteiro quando a agenda de 2027 começar a ser anunciada e os artistas já vierem com datas fechadas para os três estádios dentro do mesmo pacote. Nesse dia, alguém vai abrir o e-mail de negociação, olhar para o próprio portfólio de venues e sentir aquela sensação específica de quem chegou à festa e percebeu que a melhor mesa já estava reservada desde o mês passado.​​​​​​​​​​​​​​​​

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