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Concerto de piano solo e exposição comemoram Dia Nacional da Consciência Negra

Os eventos acontecem na Thomas (706/906 Sul), com entrada franca, sem necessidade de retirada de ingressos

Foto: Divulgação

Um concerto do pianista ganês-estadunidense William Chapman Nyaho e a abertura de uma exposição da artista plástica Leny Vasconcellos marcam a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, na Casa Thomas Jefferson, nesta sexta-feira, 17 de novembro. Os eventos acontecem na Thomas (706/906 Sul), com entrada franca, sem necessidade de retirada de ingressos.

Os dois eventos gratuitos são resultados da parceria entre a Thomas e a embaixada de Gana no Brasil. A embaixadora Abena Busia participar tanto do concerto quanto da exposição. São dela as poesias que fazem parte do espetáculo. A Embaixadora Abena é uma poetisa de renome internacional, diplomata ganesa e professora emérita. Ela já serviu durante 40 anos nos Departamentos de Inglês e Estudos de Mulheres e Género e Literatura Comparada em Rutgers, Universidade Estatal de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

O concerto

William Chapman Nyaho mora nos Estados Unidos e é um ativo recitalista solo, duo pianista e músico de câmara. Ele se apresenta em recitais e concertos nos EUA, na Europa, África, Ásia, América do Sul e no Caribe. O foco do pianista é em músicas de compositores de ascendência africana. É este conjunto de atributos que será apresentado a quem for ao CTJ Hall nesta sexta. Só para se ter uma ideia da importância de William Chapman para o piano interncional, ele atua, regularmente, como professor convidado em faculdades e universidades dos EUA e também como jurado de competições em vários países.

A arte de William Chapman Nyaho está muito ligada à consciência negra. Ele é defensor da música de compositores de ascendência africana e nas publicações que faz sempre inclui uma antologia de cinco volumes intitulada Piano Music of Africa and the African Diaspora, publicada pela Oxford University Press, em reconhecimento pela qual recebeu em 2022 o MTNA-Frances Clark Keyboard Pedagogy Award . Ele também contribui para o Diretório Internacional de Compositores Negros. William gravou três CDs aclamados pela crítica de música para piano solo de compositores de ascendência africana intitulados “Senku’”, “Asa” e “Kete” pelo selo MSR Classics. Ele, também, gravou Aaron Copland: Music for Two Pianos and Five by Four como o Nyaho/Garcia Duo.

A exposição

Outro evento que antecipa para esta sexta a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra – a data oficial é dia 20- é a exposição da artista gráfica Leny Vasconcellos, que também terá a leitura de poemas da embaixadora de Gana. Leny levou para as telas o resultado dos 13 anos em que viveu em países da África e imprimiu em cada uma das 20 obras que estarão expostas a leitura dos significados das cores, da cultura, dos hábitos, das alegrias e também das dores de povos que viu, com os quais conviveu e sobre os quais seria impossível descrever em palavras. As telas que estarão na galeria da Casa Thomas Jefferson é que contam essa história. Não por acaso, escolheu “Tesouro” como nome da exposição.

Leny Vasconcellos é uma artista gráfica que despertou para arte depois que se mudou para Brasília, ainda criança. Por aqui, ela trabalhou em jornais, começou a carreira em grandes veículos até passar a viver em países do continente que chama de “terra-mãe”. Por tudo isso, o trabalho, segundo Leny, é realmente um tesouro, não só pelo impacto visual, pela qualidade artística ou pelo valor cultural, mas pelo que ele representa para ela e para todos os brasileiros de ascendência africana e para todos os africanos, em si. É arte e também é registro. É história pintada.

A artista ainda tem frescas na memória as lembranças do primeiro impacto ao chegar à República dos Camarões, em 1992. “De cara, ficou evidente e muito clara para mim a relação deles com as cores, com a vida, com o cotidiano. Tudo é muito simbólico”, diz. “As cores lá são muito representativas. Isso está ligado a muitas magias africanas que logo identifiquei”, destaca, ao lembrar que a religiosidade também permeia o trabalho, uma vez que ela está evidente e inserida no cotidiano dos povos que ela representa em “Tesouro”.

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Além de Camarões, Leny também morou em Togo e mais recentemente no Benin. Ao longo do período, trabalhou com mulheres africanas, participou de projetos sociais, atuou com estudantes e o somatório disso, que não cabe apenas nas memórias, precisava ganhar telas e o trabalhou chamou a atenção da embaixadora, que a convidou para a mostra.

Antes de “Tesouro”, a artista fez a mostra “Boa Notícia”, também com quadros que retratam o continente africano e os hábitos do povo que o habita. A diferença é que agora trata-se de uma exposição grandiosa, carregadas de significados e com a chancela da embaixada. “ Fiz a Boa Notícia em 2019. Eu trouxe uns quadros e acabei chamando a atenção para um ponto de Gana de onde saíram navios negreiros. Alguém disse que iria buscar a embaixadora para ver. Ela veio, viu minhas pinturas, gostou de ver uma brasileira retratando aquilo tudo e a partir daí nasceu o projeto”, diz, ao lembrar que teve uma exposição aberta pela embaixadora na Alemanha, por exemplo.

Ao falar sobre o que o público verá na galeria da Thomas, Leny diz que “pintou onde morou”. “São vários motivos. As relições, as tradições, o simbolismo a comunicação. Tudo está lá”, conclui. A exposição vai até o dia 17 de fevereiro

Serviço
Concerto internacional de Piano e exposição de arte
Sexta-feira, 17 de novembro, às 20 horas (show) e 18 horas abertura da exposição
Onde: CTJ Hall, da Casa Thomas Jefferson – 706/906 Sul
Entrada franca, sem necessidade de retirada antecipada de ingressos

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