Ana Cora Lima
Folhapress
Roberta Santana diz que há dois dias tem dormido mal. Auxiliar em um restaurante fast food no BarraShopping, ela afirma não conseguir esquecer o episódio em que relata ter sido vítima de transfobia na sexta-feira (24), em um dos banheiros do local, e acusa a atriz Cássia Kis de agressões verbais. “Eu quero justiça porque ela cometeu um crime. Não quero dinheiro nem fama. Só quero respeito”, afirma. Procurada, Cassia Kis visualizou, mas não respondeu aos contatos
Em conversa com F5 neste domingo (26), a também estudante de teatro diz que irá à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na Lapa, no Rio, para registrar queixa-crime nesta segunda-feira (27). Segundo ela, mais do que a repercussão do caso, o objetivo é a responsabilização.
“Não quero nenhum tipo de ganho financeiro nem reconhecimento. Quero que ela pague de alguma forma, seja com prisão ou prestando serviços à sociedade. Que aprenda. Quantas pessoas trans sofrem todos os dias com a transfobia? É preciso dar um basta”, diz.
O Ministério Público do Rio de Janeiro vai investigar a acusação de transfobia contra Cássia Kis. O ativista LGBTQIA+ Agripino Magalhães Júnior foi quem fez o requerimento. O MP-RJ iniciará as diligências nesta segunda-feira (27). A vereadora de Niterói Benny Briolly também anunciou que adotará medidas judiciais contra Cássia Kis pelo mesmo motivo.
Roberta relembra que a discussão começou quando ainda estava na fila para entrar no banheiro. “Estava de fone e demorei para perceber que era comigo. Ouvi uma mulher dizer que eu não devia estar ali, que não era lugar de homem.” Segundo ela, ao reconhecer a atriz, começou a filmar a situação. “Eu disse que sou uma mulher trans, que tenho documentos, mas não adiantou.” Ela afirma ter sido alvo de constrangimento e humilhação. “Foi humilhante. Nunca passei por uma situação parecida em minha vida”.
O episódio ocorreu diante de outras pessoas que, segundo Roberta, não intervieram. “Todo mundo ficou parado e mudo”, relata. Ela afirma que não foi procurada pela atriz nem por seus representantes após o ocorrido. “Recebi apoio de muitas pessoas, ativistas e grupos da comunidade LGBTQIAPN+, e isso me conforta. Também tenho sido alvo de haters, o que me assusta. Mas vou em frente. Quero justiça”, diz.