Desde a última terça-feira (28), o Cine Drive-in de Brasília — maior tela de projeção do Brasil, com 312 m², e único cinema ao ar livre que resta na América Latina — está reaberto aos amantes da sétima arte.
Assim, em meio à pandemia do novo coronavírus, o Cine Drive-in tem o privilégio de, neste momento tão delicado, trazer um pouco mais de vida aos brasilienses, ainda que de forma reduzida. Com capacidade para 380 veículos, só é permitida agora a entrada de, no máximo, 200 automóveis por sessão.
O decreto nº 40.659 do último dia 24, que reabriu o Drive-in, estabeleceu, porém, que neste período “as pessoas permaneçam dentro de seus carros” — e não nas tradicionais cadeirinhas de praia ou nas cangas que são usualmente esticadas em frente aos veículos. Agora é também “vedada a comercialização de produtos” na lanchonete do cinema.
“Para nós, a volta do cinema foi um alívio. Estamos tratando tudo com muito cuidado e critério para não haver aglomerações”, afirmou a administradora do Drive-in, Marta Fagundes.
Além das exigências estabelecidas pelo decreto, foram adotadas outras medidas para evitar aglomerações. Entre os carros, deve haver a distância mínima de uma vaga — aproximadamente 2 metros. “Para ir ao banheiro é preciso usar máscara — e só está permitida a entrada de uma pessoa por vez”, disse a administradora.
Nestes primeiros dias, o movimento variou entre 80 e cem veículos por noite, número maior que a média registrada antes da quarentena, de cerca de 40 carros.
“Tomamos todas os cuidados: se o funcionário mexeu com dinheiro, fará a higienização das mãos, e também oferecemos álcool em gel para os clientes”, destaca Marta — garantindo que o Cine Drive-in possui 15 mil m², o que permite circulação de ar suficiente
“É uma questão cultural”
O fato de ser tão diferente ajuda o Cine Drive-in a sobreviver frente às grandes redes de cinema. Historicamente, o lugar administra as contas com esforço e empenho e agora, para evitar gastos e demissões, a solução encontrada para o período em que o cinema estava fechado foram férias coletivas para todos os funcionário.
“É difícil mesmo. Como a lanchonete está fechada, quem está me ajudando são os que já eram funcionários daqui [segurança e caixa, por exemplo], minha filha e meu genro”, explica Marta.
“O faturamento é mais restrito, mas só nós estamos funcionando. É uma coisa boa para nós e para a população. A cada dia que eu abro, é pelo menos um salário que eu consigo salvar, sem contar os outros gastos com manutenção do projetor e impostos. […] Como nós temos uma receita muito justa para a manutenção, não é uma questão de ficar rica com o cinema — é uma questão cultural, de acreditar em um negócio em que eu já estou há mais de 40 anos”, complementa a proprietária.
Como o setor é mais um dos que estão em crise diante da pandemia da covid-19, as distribuidoras frearam os lançamentos e, portanto, não há novidades fora dos serviços de streaming. A solução encontrada então foi transmitir filmes que já passaram anteriormente. De segunda a quinta-feira, os valores variam entre R$ 14 para meia entrada e R$ 28 para a inteira. De sexta a domingo e em feriados, os preços passam para R$ 15 e R$ 30, respectivamente.
As películas estão em cartaz até a quarta-feira que vem (6). Fique de olho no site www.cinedrivein.com e nas redes sociais do Cine Drive-in para maiores informações sobre os próximos filmes.