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Luz feminina da África chega ao CCBB

Mostra inédita exibe a partir de amanhã filmes de diretoras africanas e afrodescendentes

Por Mayra Dias 31/08/2021 3h07
Luz feminina da África chega ao CCBB

“Conhecemos muito pouco da nossa ancestralidade, daí vem a necessidade de nos aproximarmos da África, numa descoberta de quem nós somos enquanto brasileiras”, compartilha Carina Bini. Foi dessa motivação que surgiu a ideia de trazer para o Brasil, pela primeira vez, a mostra de cinema produzido por diretoras africanas e afrodescendentes Luz da África. Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB), o evento reunirá 13 produções cinematográfica recentes assinadas por mulheres e premiadas no célebre New York African Film Festival (NYAFF).

Conforme compartilha Carina, saindo do continente africano, o Brasil é o país que possui o maior número de afrodescendentes no planeta. “O Brasil é um filho jovem da Mãe África. E este filho, de 500 anos, precisa honrar esta mãe, conhecer sua história, entender seu presente e, acima de tudo, valorizá-la”, declara. Desta forma, a Luz da África permitirá que o público, durante 19 dias, conheça um pouco da vida, da cultura e também das questões sociais que caracterizam a realidade de diferentes países, através do olhar e do pensamento de realizadoras africanas e afrodescendentes do mundo todo.

“Os filmes da mostra trazem um olhar destas mulheres potentes, retratando a diversidade cultural que constitui o continente africano e todas as questões sociais que permeiam sua atualidade”, acrescenta a curadora.

Acontecendo de forma presencial a partir de amanhã até dia 5 de setembro, no cinema e demais espaços do CCBB, e em formato online de 6 a 19 no mesmo mês, serão disponibilizados títulos como o indicado ao Oscar Subira, de Ravneet Chandha, que conta a história de uma mulher de espírito livre que luta contra os costumes tradicionais do país; e o premiado Lua Nova, de Philippa Ndisi-Herrmann, que aborda os impactos da construção de um moderno porto sobre a vida de uma pequena ilha islâmica.

“Pretendemos trazer a África para perto. O cinema contemporâneo feito por mulheres africanas pode contribuir muito com um olhar íntimo e amoroso para este continente tão multifacetado e complexo”, comenta Carina Bini.

Produções nacionais

Dentre as produções nacionais estão filmes assinados por diretoras negras, como é o caso de Um dia com Jerusa, dirigido pela atual diretora da SPCine, a cineasta Viviane Ferreira. A obra apresenta um retrato de diferentes gerações de mulheres negras de São Paulo. Outra produção brasileira que estará na mostra é Sem Asas, de Renata Martins. Seu trabalho ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Curta-metragem em 2019, e apresenta uma história comovente e bastante recorrente no Brasil.

Completando o time, a cineasta Sabrina Fidalgo comparece com duas produções: Alfazema e Rainha. Sabrina foi eleita pela publicação norte-americana Bustle como a oitava dentre as 36 diretoras do mundo que estão mudando os paradigmas em seus países. “Os filmes de diretoras brasileiras refletem o olhar da mulher negra brasileira para o Brasil. Acho que poderemos acessar muitas mensagens nesta rica programação”, comenta a organizadora da mostra.

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Veja algumas imagens dos filmes que serão exibidos

Outras atividades

Além da transmissão dos filmes, a primeira semana será marcada por exibições ao ar livre, no Cinema do CCBB (mediante a retirada de ingressos para um número limitado de espectadores) e atividades como contação de histórias, roda de poesia, apresentações musicais e homenagens a países africanos. As atividades contam com a parceria de Embaixadas de países africanos no Brasil e seguirão os protocolos de segurança e prevenção à covid-19.

“É a primeira edição de muitas que virão no futuro, numa parceria que está começando e se estabelece com bases firmes. O Luz da África nasceu em 2018, numa conversa com a cantora americana Alissa Sanders, nossa curadora artística. Ela me apresentou o Festival de Cinema Africano de Nova York e sua diretora Mahen Bonetti, que visitou o Brasil várias vezes e sempre quis trazer o festival pra cá”, conta Carina, orgulhosa de ter conseguido concretizar o sonho.

Para a gerente de Programação do CCBB Brasília, Ana Lucia Lenzi, o projeto Luz da África irá muito além de uma simples mostra de cinema. “Proporcionará um contato mais íntimo com a cultura africana, pois poderemos encontrar as raízes da música brasileira, dança, comportamento e outros artefatos, sob o olhar feminino”, avalia. O festival foi selecionado via Edital e, como salienta a gerente, recebida com muito entusiasmo pela equipe do CCBB. “Para nós é um orgulho receber um projeto que traz temas tão atuais e importantes como representatividade feminina, igualdade de gênero e racial, e ficamos muito felizes em provocar reflexões como esta”, finaliza.

Para a atriz e produtora Maria Gal, que também é uma das curadoras do festival, o momento atual é perfeito para promover eventos como o Luz África. “Poder contribuir para apresentar filmes que trazem representatividade de forma tão diversa é algo muito especial e simbólico. Principalmente neste momento, em que a sociedade está mais atenta à pauta racial em contraposição com a realidade brasileira, em que narrativas pretas, assim como profissionais pretos na frente e por trás das câmeras, ainda são tão invisibilizados”, destacou Gal.

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SERVIÇO:
PRESENCIAL – De 1º a 5 de setembro

Programação – https://ccbb.com.br/brasilia/programacao/luz-da-africa/
Local: Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília – Cinema e área externa do CCBB
Brasília.
Horários: ver programação
Os ingressos (gratuitos) serão disponibilizados no dia da sessão, a partir
das 9h. Poderão ser adquiridos até dois ingressos por CPF pelo site
www.eventim.com.br. As atividades estarão sujeitas à lotação.
Programação completa no site bb.com.br/cultura
Informações: (61) 3108-7600 ou pelo e-mail [email protected]

MOSTRA ON-LINE – De 6 a 19 de setembro
Programação –   https://ccbb.com.br/programacao-digital/luz-da-africa/
Local: bb.com.br/cultura
Horários: das 19h às 23h59
Cada filme ficará disponível para visualização apenas no dia de sua exibição
Programação completa no site  bb.com.br/cultura








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