SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Morreu, nesta terça-feira, o cartunista americano Scott Adams, criador de Dilbert, aos 68 anos. Ele tratava um câncer de próstata e não resistiu. A informação da morte foi divulgada pela ex-mulher do artista, Shally Miles, na live “Real Coffee With Scott Adams”, que ele costumava transmitir no YouTube.
No vídeo, Miles leu a última mensagem do autor aos fãs, que ele deixou por escrito. “Se você está lendo isso, as coisas não terminaram bem para mim. Tenho algumas coisas para dizer antes de ir. Meu corpo cedeu antes do meu cérebro”, escreveu ele.
“Gostaria de explicar minha vida. Na primeira parte dela, me dediquei a ser um bom marido e pai como forma de encontrar sentido. Funcionou, mas casamentos podem não durar para sempre, e o meu acabou.
Sou grato àquels dias e às pessoas que pude chamar de família. Depois precisei de um novo significado, e me doei para o mundo. Daquele dia em diante, pensei em como eu poderia acrescentar à vida das pssoas”, escreveu Adams, em referência a sua carreira como quadrinista e autor.
Dilbert, personagem que dá nome a série de quadrinhos de maior sucesso de Adams, foi criado em 1989, quando o autor trabalhava na empresa telefônica Pacific Bell. As tiras caçoavam do mundo corporativo e da rotina de trabalho de grande parte dos americanos ao narrar o cotidiano de Dilbert, engenheiro de uma empresa de alta tecnologia que prefere os computadores às pessoas.
Em 2023, porém, jornais americanos como o Washington Post e o Los Angeles Times cancelaram a publicação dos quadrinhos do personagem Dilbert após Adams fazer comentários racistas em uma de suas lives. Ele comparou a comunidade negra dos Estados Unidos a um grupo de ódio e sugeriu que os brancos se afastassem dela. Além disso, afirmou que as tensões raciais no país não tinham solução.