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‘Bel-Air’ transforma ‘Um Maluco no Pedaço’ em um drama inflamado

Em nova versão da série dos anos 1990, o preconceito racial é tratado com muito mais profundidade e menos deboche

Por FolhaPress 20/05/2022 5h00
Foto|Divulgação

Se sua ideia ao assistir “Bel-Air” for reviver memórias do programa original “Um Maluco no Pedaço” –”The Fresh Prince of Bel Air”, no título original–, pode esquecer. Cada versão tem o seu caminho. Saem a leveza e o colorido dos anos 1990, com roupas de lã, cortes de cabelo quadrados e o conceito americano de família –em que todas as refeições são feitas à mesa e o pai é o modelo sempre a ser seguido— e entra o drama, em que assuntos como o preconceito racial são tratados com muito mais profundidade.

“Você se importa se viver ou morrer?”, pergunta tio Phil, papel de Adrian Holmes, ao sobrinho Will, vivido por Jabari Banks, no episódio de estreia. O questionamento ocorre logo após a chegada de Will à casa dos tios em Los Angeles. Ele foi preso por causa de uma confusão durante um jogo de basquete. Dessa vez, a ameaça de morte é bem mais explícita, e o faz deixar a Filadélfia de forma definitiva.

Ele consegue manter uma atuação sólida e emotiva e sensibiliza ao se aproximar da casa dos tios, olhando a cidade ao fundo e recebendo dicas do novo amigo para não se esquecer de quem era e de onde veio. O choque cultural que experimenta é evidente. A nova casa é ainda mais majestosa —o que deixa implícito a diferença social entre os estados americanos.

A abertura caricata, com Will flagrado pichando um muro pela polícia dá lugar a uma sala escura, onde a pichação é que ilumina Will, sentado sobre um trono e coroado com uma música instrumental ao fundo. Apenas o porte físico de Will Smith se iguala ao de Banks, que também consegue reproduzir alguns trejeitos e caretas do antecessor.

Enquanto no passado Will era debochado e brincalhão, o atual é mais inflamado. Desta vez, o racismo é tratado com bem mais profundidade e a violência policial, responsável pela sua mudança para a casa dos tios, é ainda latente, inclusive em seus pesadelos.

Nessa nova versão, Hilary, interpretada pela atriz Coco Jones, é uma influencer e chefe de cozinha “amadora”. Enquanto no programa original aparecia como uma garota fútil e atrapalhada, agora parece mais dedicada a carreira. Essa versão traz coadjuvantes com problemas mais complexos.

Carlton, papel de Olly Sholotan, já não dança mais. Trocou a ingenuidade pela perspicácia, mas ainda disputa tudo com Will, inclusive a atenção do pai.

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Uma troca de socos entre os primos vaza na internet e o problema familiar pode manchar a campanha de Phil para o cargo de promotor público. O tio, que agora é magro e não ouve piadas sobre seu corpo nem sobre sua forma de se alimentar, tem receio de que os telefonemas dados para liberar o sobrinho da polícia venham à tona. Ironicamente, teme o que pretende combater.

Numa partida de brincadeira no quintal consegue acessar o passado de Will. A violência policial deixou marcas profundas no jovem, que abandonou o esporte e perdeu a destreza com a bola.

O novo Geoffrey, papel de Jimmy Akingbola, teve a participação reduzida. De mordomo sagaz que ouvia e fazia provocações, passou apenas a delegar tarefas, agora bem mais comedido.

A nova série surgiu a partir de um curta-metragem dramático feito pelo produtor e cineasta Morgan Cooper três anos atrás. A obra chamou a atenção de Will Smith (o verdadeiro) que topou o desafio de ser um dos produtores executivos.

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O que mais destoa entre as duas versões é a forma como os personagens encaram a intolerância, o racismo e a fragilidade do sistema de Justiça. Se antes, esses problemas geravam apenas piadas nos episódios, agora, eles impulsionam os personagens a se manifestar para modificar efetivamente o sistema.








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