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Entretenimento

Audiodrama traz experiência auditiva inédita aos espaços do CCBB

Projeto predominantemente sonoro visa exercitar a imaginação através de histórias contadas somente por áudios

Redação Jornal de Brasília

10/11/2021 19h12

Mayra Dias

“O projeto surge de um desejo de se trabalhar o campo sonoro, auditivo, com uma ênfase predominante. Vivemos em um mundo bombardeado por imagens, e eu venho trabalhando, em meus projetos, com  o desejo de, pelo menos, criarmos uma equidade entre o sonoro e o visual”, declara Chico Dub, diretor artístico e curador de música experimental e de arte sonora, e um dos idealizadores do Audiodrama, projeto dramatúrgico inédito que apresenta espetáculos sonoros inventivos com artistas de diversas vertentes. 

Revelando as potencialidades da experiência da escuta, e com o objetivo de estimular os sentidos e a imaginação, o evento estreia no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, no dia 11 de novembro e permanece até o dia 12 de dezembro. O intuito, com a festividade, é, através de experimentos de linguagens estritamente sonoros, promover um resgate da oralidade como âmbito de realização estética. “Sempre fui muito apaixonado por radionovelas e radioteatro, assim como por instalações sonoras. O Audiodrama, então, surge desse desejo de destacar o som e fazer referencias a linguagens, mídias, e processos que estavam em desuso”, comenta Dub, salientando o papel importante dos podcast e das plataformas de streaming no processo de resgate dessas ferramentas. 

Através de criações inventivas assinadas por grandes artistas brasileiros, como Fernanda Takai, Fausto Fawcett, Felipe Hirsch, os Irmãos Guimarães, Jocy de Oliveira e o grupo multimídia Chelpa Ferro, Chico, juntamente com o produtor cultural Cesar Augusto, que também organiza a mostra, vão convidar o espectador a deixar-se levar pelo som, pelas palavras e pela invenção. Para isso, Audiodrama irá apresentar 4 peças inéditas que utilizam o corpo sonoro (voz, som, efeitos) como principal recurso cênico. “O sonoro, auditivo, e o visual irão sempre andar lado a lado, não há por que separá-los radicalmente. O que difere um do outro é que o sonoro é mais instigante, criativamente falando. Sem uma imagem pré concebida, sua imaginação vai mais longe”, argumenta o diretor artístico, destacando ainda que, é possível ver isso de forma prática, nas histórias narradas pelos pais aos filhos pequenos, que primeiro despertam a imaginação dessas crianças. 

Diante de todo o contexto social e sanitário imposto pela pandemia, o curador acredita que a linguagem, seja ela qual for, se tornou ainda mais importante. Como pontua, em tempos de isolamento social, foi a oralidade, que se mostrou insubstituível como veículo de informação, educação e distração. “Queremos proporcionar uma experiência de fuga do lugar comum, do que se imagina de uma peça teatral, de uma instalação. Queremos dar uma chacoalhada nas expectativas e trazer algo que não pode ser replicado, que só pode ser sentido aqui, no CCBB, no Audiodrama”, acrescentou Chico. 

Com atividades iniciadas hoje, duas das obras serão apresentadas na Galeria 4, alternando-se em horários que vão das 16h às 20h. A lotação da Galeria, contudo, é de 52 pessoas por sessão. Além deste, outros dois trabalhos promoverão experiências individuais, através do uso de players e fones de ouvido, com sessões que percorrem diferentes espaços do CCBB e vão das 11h às 18h. “O som das duas peças de galeria estarão ‘espacializados’ por um sistema composto por 16 caixas de som. Isso garante uma imersão do público, indo muito além do que se consegue com duas caixas, com uma visão unilateral. Mudamos a perspectiva de como o público se dispõe na sala, de como o som viaja pelo espaço. Aqui, as caixas são as protagonistas”, explica o responsável pela organização do evento.

A ideia que inspirou o projeto, conforme desenvolve o integrante da dupla de curadores, foi misturar profissionais da escrita com artistas sonoros e músicos experimentais, em trabalhos que não incluem encenação dramática ao vivo. A proposta, com isso, é oferecer conteúdos gravados, em ambientes internos e externos, utilizando recursos sonoros variados, indo desde dos alto falantes, até propostas criadas para serem experimentadas individualmente, em espaços distintos, convidando o público a percorrer o CCBB e seus jardins enquanto a história é contada. Serão quatro duplas de artistas conduzindo o público por diferentes linguagens, trazendo características do rádio, do teatro, da radionovela, da arte sonora, da sonoplastia, da performance e da palavra falada. 

A entrada é franca, mas será necessário retirar ingressos, que estarão disponíveis para resgate no site bb.com.br/cultura e no site ou app da Eventim, no dia da sessão, a partir das 9h. Todos os equipamentos utilizados durante as apresentações serão devidamente higienizados a cada turno. Serão respeitadas todas as normas de segurança com relação à pandemia pelo Covid-19, como distanciamento social e uso de máscaras

Ideia antiga 

O Audiodrama, como enfatiza Dub, não é uma criação recente. Enquanto ideia, o projeto nasceu em 2015, há 6 anos atrás. “Eu e César idealizamos o trabalho, mas não conseguimos financiamento na época”, relembra. De acordo com o que acredita, isso ocorreu pois, naquele tempo, não havia, no Brasil, o devido amadurecimento da cultura do áudio que, hoje, está ganhando proeminência devido às plataformas de streaming. “A arte sonora deixou de ser um bixo de 7 cabeças e passou a penetrar os outrora cubos brancos de galerias e museus”, avalia, citando a popularização da atividade. Chico acredita na tecnologia como aliada para o estabelecimento desses novos parâmetros artísticos. “Essa forte tendência na arte recente reflete uma consciência cultural mais ampla de que a visão não domina mais nossa percepção ou entendimento da realidade contemporânea”, finaliza. 

Conforme traz o parceiro de Chico, Cesar Augusto, mesmo anos depois de sua concepção, Audiodrama segue em perfeita sintonia com o momento que a sociedade atravessa. “Sabemos que a arte e a cultura têm o poder de curar, nos dar alento e fôlego em todos os momentos necessários, independentemente das crises que possam surgir. Neste sentido, este encontro entre a cena teatral, sustentada pela dramaturgia e composição cênica, com a música, e suas múltiplas manifestações, se estabelece como um novo horizonte a se descortinar”, diz. 

SERVIÇO: 

Audiodrama

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília)

Datas: de 11 de novembro a 12 de dezembro de 2021, de terça a domingo.

Horário: A partir das 11h, nos jardins, e das 16h às 20h, na Galeria 4 do CCBB Brasília

Ingressos: Devem ser retirados no site bb.com.br/cultura e no site ou app da Eventim, no dia da sessão, a partir das 9h.Entrada: Gratuita

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