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Apresentador réu por golpe do Pix vira figura pop e é cortejado por Bell Marques e ACM Neto

Redação Jornal de Brasília

17/02/2026 16h03

Foto: reprodução

Gabriel Vaquer
Folhapress


Apresentador réu na Justiça da Bahia pela acusação de liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 500 mil em doações feitas por Pix para pessoas pobres entre 2022 e 2023, Marcelo Castro virou uma figura pop no Carnaval de Salvador deste ano.

Por causa da popularidade e audiência de seu programa, o Alô Juca, exibido na hora do almoço pela TV Aratu/SBT, foi cortejado nos últimos dias das mais variadas formas por artistas e políticos, visando as eleições deste ano.

No domingo (15), Bell Marques e seu principal produtor, Leonardo Souza, convidaram Marcelo Castro para acompanhar o trio Camaleão no circuito Barra-Ondina. Fãs do cantor nas redes sociais e até mesmo na avenida criticaram o convite.

Outros artistas, como Léo Santana e Durval Leyls, baluartes da festa baiana, também saudaram Castro e disseram ser admiradores do seu trabalho durante apresentações no Carnaval.

Nem todos, porém, fizeram isto: Ivete Sangalo, por exemplo, preferiu não falar com Castro na passagem de seu trio na segunda (16). Foi a única TV com quem ela não falou na sua passagem no dia na Barra-Ondina. Fãs da cantora também provocaram Castro. “Devolve o pix”, disse um coro quando a pipoca da cantora passou pelo camarote onde estava.

Uma foto ou conversa com Castro também virou meta entre políticos. O principal deles foi ACM Neto (União Brasil-BA), que deve ser candidato nas eleições deste ano, e concedeu uma entrevista no domingo (16) para Castro. “É uma galera massa aqui”, disse Neto em sua rede social.

Neto, vale lembrar, tem como aliada Ana Coelho, dona da TV Aratu, emissora afiliada ao SBT na Bahia que exibe o programa de Marcelo Castro. Em 2022, ela foi candidata a vice-governadora na chapa de ACM ao governo na Bahia. Bruno Reis, prefeito de Salvador, e deputados da base aliada de Neto também concederam diversas entrevistas para Castro.

O motivo de tanta popularidade é a audiência de seu programa. O Alô Juca, exibido das 11h às 14h, costuma marcar médias acima dos 10 pontos na Grande Salvador. Briga pela liderança no horário contra Globo e Record e, muitas vezes, fica isoladamente na ponta no ranking das emissoras.

Relembre o caso


Marcelo é réu na Justiça da Bahia por, segundo o processo, liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 500 mil em doações feitas por Pix para pessoas pobres que eram ajudadas pelo Balanço Geral Bahia, exibido pela própria Record, entre 2022 e 2023, no qual ele era repórter.

O grupo teria se apropriado de R$ 407,1 mil, o equivalente a 75% dos R$ 543 mil doados pelos telespectadores do programa. De acordo com a investigação, R$ 146,2 mil teriam ficado com Castro, e R$ 145,7 mil repassados para Jamerson Oliveira, ex-editor chefe do Balanço Geral, e que foi trabalhar com Castro na afiliada do SBT.

Marcelo Castro, através de sua defesa, sempre negou qualquer envolvimento na organização criminosa. Seus advogados afirmam que o dinheiro foi repassado para quem pedia ajuda.

O desvio, segundo a acusação, acontecia da seguinte forma: o grupo exibia na tela do programa da Record chaves Pix de laranjas, e ficava com a maior parte da verba recebida, repassando um valor menor aos necessitados.

Após cada programa, o montante arrecadado era distribuído a partir das contas que recepcionavam as doações por seus respectivos titulares. Eles, ainda de acordo com a acusação, seguiam as orientações dos líderes do grupo, que ficavam com a maior parte do dinheiro.

O caso só veio à público em março de 2023, após o jogador de futebol Anderson Talisca fazer uma doação de R$ 70 mil. O valor era para a família de Guilherme, de 1 ano, que fazia um tratamento de câncer. Em contato com Marcelo Castro, contudo, um assessor do jogador viu que o número do Pix repassado para doação não era o mesmo que apareceu na televisão durante a exibição da reportagem.

A Record demitiu Marcelo Castro e Jamerson Oliveira. A criança mostrada na reportagem morreu semanas depois. Marcelo e Jamerson negam qualquer envolvimento no caso. Após a demissão, a dupla criou o site Alô Juca, que virou sucesso nas redes sociais.

Em março do ano passado, Castro foi condenado a indenizar a emissora de Edir Macedo em R$ 10 mil, em primeira instância, por ter prejudicado a imagem da Record. Foi a primeira condenação que ele sofreu sobre o assunto.

Marcelo Castro, através de sua defesa, sempre negou qualquer envolvimento na organização criminosa. Seus advogados afirmam que o dinheiro arrecado foi repassado para quem pedia ajuda.

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