Menu
Entretenimento

Apresentações ao vivo: Músicos comemoram retorno

Após seis meses sem embalar as noites nos bares e restaurantes do DF, a música ao vivo está de volta

Redação Jornal de Brasília

15/09/2020 7h05

Apresentações ao vivo: Músicos comemoram retorno

Apresentações ao vivo: Músicos comemoram retorno

Pedro Marra e Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Após seis meses sem poderem cantar para o público, músicos foram liberados a se apresentarem em shows ao vivo em bares e restaurantes. A decisão, publicada em decreto do Governo do Distrito Federal (GDF), e publicada ontem no Diário Oficial do DF (DODF), foi bastante comemorada pela classe artística, que precisou se revirar na rotina durante a pandemia para sustentar os custos diários.

Essa decisão, no entanto, não vale para pubs e casas de shows. Esses estabelecimentos não foram incluídos na autorização assinada pelo governador Ibaneis Rocha. No caso de bares e restaurantes, os protocolos de segurança já estabelecidos no artigo 5º do decreto nº 40.939 devem ser seguidos, como o distanciamento mínimo de 2 metros entre as pessoas, o uso de equipamentos de proteção individual por funcionários e colaboradores, a disponibilização de álcool gel 70% aos frequentadores e outras medidas que impeçam a aglomeração
de clientes.

Talita Cecílio, de nome artístico Talíz, é uma das cantoras que voltou a se apresentar já ontem à noite, em uma pizzaria de Águas Claras. A moradora de Samambaia costumava cantar no restaurante entre duas e três vezes por fim de semana antes da pandemia. A artista agradece o retorno das apresentações por conta da extrema necessidade financeira, já que, agora, ela não vai depender apenas do auxílio emergencial do governo federal de R$ 300 e poderá fazer o sabe de melhor: entoar seu talento — seja no jazz, pop ou música soul.

“A classe dos músicos e todos os trabalhadores da cultura estavam esperando por isso há muito tempo. O despreparo do governo para lidar com as questões da pandemia teve um impacto gigantesco para esses trabalhadores. Eu, por exemplo, estava sobrevivendo do auxílio que ainda é insuficiente para pagar todas as contas. Nosso setor foi e está sendo o mais afetado e nenhuma medida de amparo legal foi aprovada para nós”, afirma.

“Extrema necessidade”

Talíz não nega sua preocupação com a situação de emergência em saúde pública causada pela pandemia. “O perigo da aglomeração ainda amedronta, mas depois de mais de seis meses de quarentena, essa é a primeira semana que eu sei como vou pagar minhas contas. Alguns vão querer julgar os músicos por estarem fazendo shows em meio à pandemia, mas também temos de reconhecer a responsabilidade do governo sobre essa situação. Retorno pela extrema necessidade de trabalhar”, analisa a cantora.

O pianista Mauro Souza, de 55 anos, faz parte da cena musical de Brasília desde 1990, quando atuou como tecladista da banda Squema 6. Há três anos ele toca em um restaurante do Sudoeste, onde se apresentava cinco vezes por semana. Apesar da suspensão das apresentações, o trabalho como professor de música em uma escola particular da Asa Sul equilibrou as contas de casa, onde mora com a esposa e duas filhas.

Mas, segundo Mauro, mesmo assim não foi fácil. “Afetou na renda familiar. Tive de trabalhar para comprar o básico. Soube de muitos músicos que venderam instrumentos musicais e outros dependendo de cestas básicas e da ajuda de amigos. A gente ficava um pouco preocupado, e não entendia porque não liberavam a nossa vota, uma vez que os restaurantes e estabelecimentos já teriam retomado com os devidos cuidados”, comenta.

“As igrejas mesmo voltaram a funcionar, onde também tem música ao vivo. Esse foi o questionamento da classe artística aqui em Brasília. E da mesma forma que um garçom está ali colocando em risco a sua vida, o músico vai estar também. Então, voltar aos palcos é como se a gente estivesse lavando a alma e colocando a nossa arte à disposição das pessoas. É toda uma cadeia de profissionais afetados”, finaliza o pianista.

Alegria em mostrar o talento

A decisão de retorno das apresentações presenciais aconteceu menos de 20 dias depois da solicitação feita por ofício pelos representantes de mais de 7 mil músicos no DF ao GDF.

O produtor musical e presidente da Associação dos Músicos e Artistas Populares do DF e Entorno (Asmap/DF-E), Cacá Silva, afirma que é com muita “alegria e satisfação” que a decisão é recebida na comunidade de produção artística do DF. “Um músico prefere mostrar seu talento e trabalhar mais do que receber um auxílio emergencial”, opinou.

“Evidentemente a preocupação com a vida é grande e, por isso, nos documentos entregues ao governo, fizemos questão de salientar que devem haver todas as medidas e protocolos sanitários de segurança para que o músico [e o público]  estejam protegidos”, afirmou. Ele defende que o distanciamento entre os artistas também aconteça. “Não pode haver pista de dança, apenas realmente a música ao vivo. No caso dos ritmos dançantes como o pagode e o forró, contamos com o bom senso das pessoas para não aglomerar, apenas curtir”, continuou Cacá Silva.

De acordo com Cacá, os próximos passos se dão no âmbito administrativo entre os artistas e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) para delimitar maiores acordos e viabilizações para com as apresentações ao vivo. Encontrar um meio termo entre o menor faturamento nos estabelecimentos alimentícios — que reduziram capacidade para 50% — e a necessidade do músico de ter o sustento novamente é o objetivo. “É preciso bom senso e união agora. De um lado pode haver perdas para o dono da casa, mas, ao mesmo tempo, talvez o cachê do músico não seja o mesmo que antes da pandemia. O momento precisa ser de união para que todos sobrevivam”, ressaltou.

Outro passo se dá com os PUBs e outros estabelecimentos mais fechados de Brasília, cuja circulação de ar acontece apenas por ar condicionado.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado