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Economia

Triste retrato: está ainda mais caro para quem é mais pobre

Análise da Codeplan indica que inflação foi maior em Brasília para as famílias com renda até cinco salários mínimos. A taxa foi praticamente o dobro da média nacional

Olavo David Neto

Publicado

em

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília
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Inflação castiga os mais pobres

INPC subiu 0,71% na capital em agosto, taxa que é praticamente o dobro da média nacional

A Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou ontem a análise dos indicadores inflacionários relativos a agosto na capital, com base nas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve maior aumento de preços para famílias com renda de até cinco salários mínimos, grupo medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que variou 0,71%.

A taxa é praticamente o dobro da média nacional, de 0,36%, e se coloca como a segunda maior por Unidades Federativas, atrás apenas de Campo Grande (MS). Em julho, o INPC subiu 0,40% no DF.

De acordo com os dados do IBGE, alta do INPC foi puxada pela elevação nos preços de combustíveis, que variaram 5,60%, sendo a gasolina — com acréscimo de 5,73% — a principal responsável pela alta. Na outra ponta, os valores relativos à educação ajudaram a conter o prejuízo. Com recuo de 1,77%, manteve a inflação relativamente controlada para a população com menor poder aquisitivo.

Segundo a Codeplan, a retração nos preços relativos a ensino se deve à oferta de cursos na modalidade Ensino a Distância (EaD), resultado da crise de gerada pelo novo coronavírus.

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Outra área sensível para o INPC é o setor de alimentos e bebidas. Esse foi um dos grupos com variação mais acentuada ao longo de 2020, com acumulado de 3,10% neste ano; em agosto, registrou-se 0,78% de aumento nas prateleiras.

IPCA

A alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial e se volta a grupos com renda de até 40 salários mínimos, ficou em 0,54%. Ainda assim, é a terceira maior variação do Brasil, e ainda representa mais que o dobro do processo inflacionário registrado no país em agosto, estabilizado em 0,24%. No acumulado de 2020, porém, há deflação de 0,7% registrada na capital da República. Em agosto de 2019, o IPCA no Distrito Federal se limitou a 0,08%.

Neste cenário, o setor de transportes também lidera a subida dos preços, com alta de 1,88%, seguido pela área de alimentos e bebidas, que colaborou com aumento de 0,78%. Mais uma vez os combustíveis, com variação de 5,57%, puxam a fila. O setor educacional puxa o índice para baixo, com deflação de 1,38% no último mês. Neste grupo, a oferta de cursos regulares ficou, em média, 1,56% mais barata. Da mesma forma, esse recuo se deve à oferta de cursos na modalidade Ensino a Distância (EaD), bem mais em conta.

Saiba Mais

O Índice Ceasa do Distrito Federal (ICDF), também divulgado ontem pela Codeplan com base nos dados do IBGE, foi influenciado pelo período de entressafras de alguns produtos agrícolas e fechou o oitavo mês com variação positiva de 1,96%. As frutas foram indicadas como as principais impulsionadoras da inflação, com 4,80% de acréscimo nos valores por atacado.

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Dos 66 itens monitorados pelo ICDF, o abacate (36,2%) e a cenoura (37%) foram os que mais encareceram, graças à época do ano, pouco propícia para os produtos. A alta no preço de produtos alimentícios é reflexo da supervalorização do dólar norte-americano frente ao real. Com maior poder de venda no mercado externo, as exportações viram prioridade para produtores, fator que afeta diretamente os valores dos alimentos nas feiras e mercados que atendem à população.




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