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Economia

Pré-pago: um cartão que nunca te deixa no vermelho

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João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

Item essencial em quase todas as carteiras, o cartão de crédito é cada vez mais usado no País, tanto que, em 2017, pela primeira vez na história, o montante movimentado nesse meio foi maior que os saques em dinheiro. Mesmo já tendo sido considerado o vilão de muitos usuários, que acabaram encalacrados – ou talvez por isso mesmo -, muita gente parte agora para a versão pré-paga do “dinheiro de plástico”. É uma forma de conseguir controlar os gastos, sem se perder nos infinitos parcelamentos. Especialistas alertam, porém, que sem educação financeira e muito cuidado, será apenas mais uma forma de perder dinheiro.

O cartão de crédito pré-pago funciona como o plano de celular de muita gente: o cliente coloca um determinado montante de crédito e tem essa quantia para gastar naquele mês. No cartão, se a pessoa carregar com R$ 300, vai ter essa verba para compras na função crédito em qualquer lugar, até fora do País. Embora não cobre anuidade, existem outras taxas, como a de adesão ao cartão, a de recarga e a de saque.

No primeiro trimestre deste ano, foram R$ 2,2 bilhões movimentados em cartões de crédito pré-pagos, aumento de 63% na comparação com o mesmo período de 2017, o equivalente a R$ 1,3 bilhão. O acréscimo é bem maior que o registrado nas transações no crédito convencional (14,6%) ou no débito (13,6%), de janeiro a março de 2017 para 2018.

Na comparação de 2016 com 2017, em relação ao uso do pré-pago, o valor em transações foi ainda maior: 68,8% de aumento de um ano para o outro. Saiu de R$ 3,9 bilhões em 2016, para R$ 6,6 bilhões em 2017. Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Ricardo Vieira, a tendência é que o uso seja ampliado.

“O produto ainda não é tão tradicional. As pessoas estão acostumadas com o cartão de crédito convencional e com o de débito. Mas já são mais de 50 emissores em todo o país, todos com essa modalidade. Nos próximos anos, vai ser muito forte porque as pessoas vão conhecer mais”, afirma Ricardo, ao lembrar que o produto está chegando à maturidade.

Os usos indicados para ele são inúmeros. Desde pessoas que precisam ter um cartão de crédito para uso em compras on-line ou de e-commerce, como spotify; aquelas que têm de controlar os gastos com o cartão; ou ainda aquelas que não tem mais crédito na praça e conseguem, por meio pré-pago, ter dinheiro para fazer compras. Ou ainda utilizar para movimentações no exterior, pois a escolha do limite será de cada um. Porém, não dá para parcelar nem ter acesso a programas de milhagens.

Antes e depois de frear os gastos

A assistente administrativa Janilce Lopes Rodrigues, de 26 anos, já se enrolou muito em sua vida financeira antes de conhecer o cartão pré-pago. Mesmo usando um cartão convencional, ela faz questão de ter a modalidade, que lhe permite escolher até quanto chegará no crédito por mês. Ela não insere mais de R$ 300, que gasta com Uber, Netflix, ingressos de cinema ou qualquer outra compra que a livrará de enfrentar filas. Só.

“Nossa geração não tem muito controle, é diferente de nossos pais que conviveram com taxas de inflação muito elevadas e, em geral, são mais comedidos. Ter o cartão pré-pago foi uma das formas que encontrei de dar um jeito na minha vida financeira, junto com as planilhas. Ele é um gasto fixo”, diz.

Crescimento agressivo

A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) não dispõe do número de pessoas que fazem uso do cartão pré-pago em Brasília ou no Brasil, mas a empresa Acesso, que faz emissão e gestão desses produtos, alega que há 3 milhões de pessoas com um de seus cartões pré-pagos. Dessas, cerca de 500 mil o utilizam com frequência.

A média mensal de novos clientes, neste ano, é de 60 mil, maior que as médias por mês de 2016 e 2017 que ficaram em 30 mil e 45 mil, respectivamente. “A expectativa da empresa é agressiva. Queremos crescer 110% a mais que no ano passado. Não é só nos números, mas inserindo ferramentas digitais úteis para facilitar a vida dos clientes”, avalia o Diretor executivo de Marketing e Vendas da Acesso, Elvis Tinti.

Para ele, o cartão de crédito pré-pago é “o produto mais democrático que existe” porque tem viabilidade ampla em todas as classes e serve para todo mundo que precisa pagar poucas taxas e controlar melhor os gastos. Na empresa, a maioria das pessoas que aderiu à modalidade tem entre 18 e 37 anos de idade e 52% delas são mulheres pertencentes às classes B e C. A média de gastos por cartão é de R$ 80.

Saiba mais

Mesmo que praticamente todo mundo tenha a possibilidade de fazer um cartão pré-pago, ele pode não funcionar para todos. O especialista em finanças Thiago Campos alerta que é preciso estar organizado do ponto de vista financeiro, já que a pessoa estará adquirindo mais uma dívida. Sem controle, o que era para ser um auxílio pode jogar o consumidor em problemas maiores.

“O cartão de crédito pré-pago é uma opção para não perder a qualidade de vida, já que a pessoa pode utilizar um Uber e fazer compras pequenas com descontos que muitas vezes são apenas oferecidos na internet”, diz o fundador do Hospital das Finanças, empresa que auxilia aqueles que precisam de fazer melhor gestão de seu dinheiro. Thiago salienta que é preciso ficar atento às taxas cobradas. Se há uma cobrança a cada depósito ou saque feito, é preciso diminuir as transações e colocar valores maiores de uma só vez.

O especialista recomenda alguns usos definidos e especiais para cartões pré-pagos: pais que querem dar mesadas para os filhos, mas querem ensiná-los a ter controle do que gastam; pessoas que querem deixar um determinado valor para que seja gasto por uma secretária ou em uma empresa; quem vai viajar para o exterior e não quer levar dinheiro em espécie, ou apenas menos dinheiro; quem precisa gastar com e-commerce.


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