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Economia

OCDE prevê maior desaceleração da economia mundial desde 2009

Os dados são mais pessimistas que os do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em julho previu um crescimento de 3,2%

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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fez um apelo contundente para os dirigentes globais encerrarem a guerra comercial e estimularem o crescimento a fim de conter a desaceleração, que se verá refletida em 2019 no menor nível de crescimento desde a crise financeira de 2008/2009.

“Todos os riscos que observamos nos levam a um terreno perigoso para o crescimento, mas também para o emprego”, alertou Laurence Boone, economista-chefe da OCDE, na apresentação das previsões de crescimento para a economia mundial

A OCDE, que revisa seus dados quatro vezes ao ano, aponta que 2019 terá o menor crescimento mundial “desde a crise financeira” de 2008 – quando foi de 2,9%, antes de cair em recessão e registrar -0,5% no ano seguinte..

Segundo as previsões da OCDE, o crescimento mundial ficará abaixo de 3% este ano, a 2,9%, o que representa 0,3% a menos que nas previsões de maio.

Os dados são mais pessimistas que os do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em julho previu um crescimento de 3,2%.

“As tensões comerciais e políticas alimentam o perigo de um crescimento fraco durante mais tempo”, avalia a OCDE, que teme um acirramento da guerra comercial entre EUA e China e que um Brexit sem acordo “represente um golpe para a já frágil economia britânica e que tenha efeitos perturbadores na Europa”.

– Como estimular o crescimento? –

A instituição teme que “os elevados níveis de dívida privada, cuja qualidade está piorando, acentuem os eventuais abalos” da economia.

“Se os governos não agirem a partir de agora, o crescimento mundial durante o próximo ano pode ser inferior a 2,9% que prevemos para este ano”, alertou Boone, que pediu para os Estados aproveitarem “as taxas de juros baixas para intervir”.

Segundo a economista-chefe, os governos deveriam “aumentar o gasto público” para “sair da armadilha de um persistente crescimento fraco” – mais um alerta para países com superávit comercial e orçamentário significativo, como a Alemanha.

A maior economia da Europa, sofreu uma das revisões mais significativas da OCDE: o país deve crescer 0,5% este ano (-0,2%) e 0,6% em 2020.

A economia do Reino Unido, em plena instabilidade pelo Brexit, crescerá apenas 1% (dois décimos a menos) e 0,9% em 2020.

Neste contexto de incertezas, a OCDE reduziu sobretudo as previsões para os países emergentes, especialmente da Índia, com um crescimento de 5,9% (-1,3%) em 2019 e de 6,3% no próximo ano (-1,1%).

A situação mais crítica é a da Argentina, em plena crise econômica e financeira, que registrará este ano uma recessão de 2,7% de seu PIB e de 1,8% em 2020.

A economia dos Estados Unidos, que atravessa um dos ciclos de crescimento mais prolongados de sua história, avançará 2,4% este ano (-0,4%) e o resultado deve recuar 2% em 2020 (-0,3%).

A OCDE prevê para a 6,1% para 2019 (um décimo a menos) e seu crescimento no ano que vem ficaria abaixo da barreira simbólica de 6%, ao recuar a 5,7%.

 

Agence France-Presse


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