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Economia

“O que vem por aí é depressão”

Economista e professor da UnB diz que PIB vai levar tombo. BRB libera R$ 1 bilhão de crédito

Catarina Lima

Publicado

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A crescente paralisação da atividade econômica no Distrito Federal já coloca em risco a economia local, que depende 72% do setor de serviços. De acordo com o economista Roberto Piscitelli, professor da Universidade Brasília (UnB), as pequenas empresas – maioria no DF – poderão não ter capacidade de se manter funcionando durante a crise do coronavírus, e fechar as portas. “O que vem por aí, não só em Brasília, mas em todo o País, é uma depressão, pois em recessão já estamos desde 2015”, opina Piscitelli.

De acordo com o presidente da Fecomérico, Francisco Maia, a frequência em bares e restaurantes da cidade sofreu nos últimos dias uma redução de 70% e o setor de eventos e turismo paralisou totalmente suas atividades.

Depressão econômica consiste num longo período caracterizado por numerosas falências de empresas, crescimento anormal do desemprego, escassez de crédito, baixos níveis de produção e investimento, redução das transações comerciais, alta volatilidade do câmbio, com deflação ou hiperinflação e crise de confiança generalizada. A depressão é mais severa que a recessão, a qual é considerada como uma fase declinante normal do ciclo econômico.

“O PIB do Brasil não vai cair, vai levar um tombo” sentencia Piscitelli.

Outra que deverá sofrer os efeitos do coronavírus é a economia criativa. A economia criativa é composta principalmente por artesãos, pequenos empresários do setor de entretenimento etc. O setor emprega em Brasília 22 mil pessoas que representam 1,5% do mercado local. Estes comerciantes, geralmente pequenos ou microempresários, estão sendo severamente afetados pelo fechamento de feiras e eventos.

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Benefício

BRB

BRB promete modernização ao cliente nos próximos meses. Foto: Henrique Kotnick/Jornal de Brasília

Prevendo o impacto negativo da pandemia no coronavírus na economia do DF o Banco de Brasília (BRB) esta semana colocou à disposição de empresas de todos os portes uma linha de crédito, no valor de R$ 1 bilhão. Para ter acesso ao benefício as empresas devem apenas ser filiadas à Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), à Federação da Agricultura e Pecuária do DF (Fape-DF), à Federação das Associações Comerciais e Empresariais do DF (Facidf), à Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas e Logística (Fenatac), à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) e à Câmara de Dirigentes Logistas do DF.

O dinheiro poderá ser contratado por meio do BRB Progiro – Capital de Giro, que está disponível em todas as agências da instituição. A taxa de juros inicial é de 0,8% ao mês, com prazo de até seis meses de carência e 36 meses para pagamento. A expectativa do governo é que a medida alivie o setor produtivo, principalmente o de serviços, gastronomia, entretenimento e academias de ginástica. A linha de crédito pode ser contratada em todas as agências do BRB.

A assessoria do banco informou que até empresas de fora de Brasília já entraram em contato com o banco manifestando o desejo de abrir contas para ter acesso ao crédito. A secretaria de Cultura também solicitou uma linha de crédito para os empresários da economia criativa. O pedido está sendo analisado pelo governador do DF, Ibaneis Rocha e deverá ser concedido nos próximos dias.

A liberação dessa linha de crédito é uma tentativa de manter “saudáveis” as empresas do DF. Fazer com que as estas permaneçam “de pé ou saudáveis”, é o que o economista Bernard Appy, diretor do Centro de Economia Fiscal, diz que é necessário para que para não haja um recrudescimento da crise econômica que já se arrasta desde 2015. Appy não arisca um prognóstico sobre o futuro da economia do País. “Tudo vai depender da extensão da epidemia do coronavírus e das medidas que o governo tomará com relação as empresas. Se elas se mantiverem de pé os prejuízos para a economia não serão tão grandes”, disse.

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População vai receber alimentos

Em mais uma iniciativa para combater a disseminação do novo coronavírus (covid-19), o Governo do Distrito Federal vai comprar alimentos de pequenos agricultores e distribuí-los à população. A entrega será feita de duas formas: para a população mais carente, nos restaurantes comunitários do DF, e também na rede de atendimento social, como creches e asilos cadastrados junto ao governo local.

O acordo foi fechado nesta quinta-feira (19) entre o governador Ibaneis Rocha e o secretário de Agricultura, Luciano Mendes da Silva. A partir da próxima segunda-feira (23), os produtores e agricultores devem procurar os escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater/DF) e a Secretaria de Agricultura para iniciarem o processo legal e obter mais informações.

Reforço

A medida é um reforço ao Programa de Aquisição da Produção da Agricultura (Papa/DF), que viabiliza a aquisição direta pelo GDF de alimentos e produtos artesanais de agricultores familiares e suas organizações sociais do setor agrícola. O GDF resolveu reforçar a compra de pequenos produtores para evitar que os mesmos tenham grandes prejuízos uma vez que as feiras livres foram fechadas, via decreto, para evitar a contaminação do novo coronavírus.

“Estamos disponibilizando recursos para a Secretaria de Agricultura, juntamente da Emater e da Ceasa, que vão comprar esses alimentos e produtos e faremos uma grande distribuição para a população mais carente do DF. Seja nos restaurantes comunitários, onde será entregue um kit com verdura e legumes, mas também nas creches e asilos”, explica o governador Ibaneis Rocha.

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