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Aumento na conta de água cria dúvidas até na Caesb

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João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

Enquanto se decide o valor do acréscimo na conta d’água, que deverá entrar em vigor no dia 1º de junho, começa a se delinear nova greve de funcionários da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Ontem, o Jornal de Brasília mostrou que a população se contrariou com esse aumento. Até o Conselho de Consumidores da empresa é contra. Para todos eles, a alta de 9,69%, como pedido pela Caesb, não é razoável para o momento.

“Ficamos surpresos com essa postura da Caesb. Entendemos que o consumidor se sentiu lesado com isso, pois a empresa solicitou redução de consumo e a consequência vai ser o aumento da conta. Não há o mínimo de congruência”, afirma o presidente do Conselho de Consumidores da Caesb, Alexandre Veloso, ao analisar que seria uma punição, mesmo para aqueles que fizeram a sua parte.

De 2015 para cá, foram 29,95% de aumento. Assim, uma pessoa que pagava R$ 100 na conta de luz no início de 2015, este ano já paga R$ 129,95. Se a alta de 9,69% for aprovada, ela terá que retirar do bolso R$ 142,54 pelo mesmo consumo de três anos atrás.

Para ele, este não é o momento de analisar um aumento extraordinário, mas apenas ordinário. A avaliação dele é que seria melhor que apenas em 2020, quando é o período do reajuste extraordinário obrigatório, que deve ocorrer de quatro em quatro anos, a mudança fosse feita. Ele entende que seria até mais pedagógico, já que a empresa teria tempo de demonstrar as dificuldades financeiras sentidas e as inovações feitas nesses últimos tempos.

O presidente do conselho lembra que durante a audiência da última segunda (23) foi proposto pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) que ocorresse um acréscimo de 0,51% como parte da correção ordinária e mais 2,06% da extraordinária. Assim só a reposição inflacionária e das perdas seria bem menor que o pedido da Caesb.

Segundo Alexandre Veloso, a mudança seria descabida e desestimulante para o consumidor, que teve que economizar do ano passado para cá, após o início da crise hídrica. O integrante do Conselho de Consumidores da Caesb, assegura que é importante manter a saúde financeira da empresa, mas em momento oportuno. “Tem que dar o crédito necessário para a Adasa. Se ela, que estuda o assunto, quer dar pouco mais de 2%, ela tem que ser ouvida”, completa.

Servidor ameaça greve

Em meio às discussões sobre o valor do aumento, ontem, os funcionários da empresa resolveram paralisar os serviços para que haja respostas mais precisas às suas demandas. Eles se reuniram em assembleia e decidiram que, no próximo dia 04 de maio, haverá uma nova reunião , porém, desta vez, com indicativo de greve.

Os servidores da Caesb querem que a empresa dê mais 30 dias para discutirem a nova data-base, que deveria começar a valer no dia 1º de maio; a reposição das perdas inflacionárias do período de maio de 2016 até maio de 2018; e a continuidade do atual funcionamento das escalas. Segundo o Sindicato da categoria, o Sindágua, a Caesb quer que a empresa funcione com três escalas de 8 horas cada turno, diferente do que, atualmente, ocorre em que há turnos de 12 horas com intervalo de 24 ou 36 horas.

Para o diretor de imprensa do Sindágua, Paulo César Bessa, a Caesb não sinaliza nenhuma negociação. “A gente quer renovar o acordo coletivo nos moldes que vem sendo feito há anos, mantendo as cláusulas e a inflação. E também quer o acumulado dos dois últimos anos, já que desde a data-base do ano passado não temos reposição da inflação”, afirma.

A empresa ofereceu somente 1,25% pela reposição dos dois anos. Porém, a reivindicação dos funcionários é de um reajuste de 5,88%. Para o diretor Paulo Bessa, é o mínimo, pois nem haverá um aumento salarial, apenas a reposição dos últimos anos. Sem consenso, as negociações devem perdurar por mais algum tempo.

VERSÃO OFICIAL

A Caesb, por meio de nota, garante que não é verdade a falta de vontade de negociar alegada pelo sindicato. “É importante frisar que a Caesb está em processo de negociação e de reuniões com o sindicato há 60 dias, portanto, não procede essa informação de que não há negociação. A empresa não concorda com prorrogação de data-base justamente porque as negociações começaram com bastante antecedência”.

Sobre o percentual de reajuste oferecido, a empresa informa que ofereceu 1,25% porque seria o possível neste momento, tendo em vista o momento de crise hídrica e de acentuada queda no faturamento da Companhia. A Caesb complementa que a paralisação ocorrida ontem, não teve reflexos no funcionamento da Companhia ou no atendimento dos serviços para a população do Distrito Federal.


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