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Cinema

Últimos dias para conferir o melhor do cinema africano

Beatriz Castilho
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Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, a mostra Sou África – Cinema Africano do Presente caminha para sua reta final. A programação abraça 16 títulos cinematográficos permeados pela diversidade. Dentre curtas, médias e longas-metragem, diferentes temáticas traçam um panorama da produção contemporânea do cinema africano, exibidos até o próximo domingo (7).

“Quisemos trazer algo que dialogasse com a mostra que está em exibição no local, algo que conversasse com a herança africana brasileira”, explica o curador Ulisses de Freitas, em entrevista ao Jornal de Brasília.

Assim, uma das prioridades da equipe de seleção foi dar foco às produções da África Subsaariana. Não por acaso. Como o nome já adianta, a região, não demarcada oficialmente, faz referência a países que estão abaixo da linha do Deserto do Saara, mais atingidos pela exploração colonial.

De acordo com Ulisses, o critério foi escolhido para a maior relação com as raízes afro-brasileiras. “É a África que dialoga com o nosso País, por conta da escravidão. Então, com toda a crueldade da história, a cultura africana, também no Brasil, fala muito de resistência”, destaca. E assim, tendo o cinema como tradução, a mostra traça um intercâmbio continental.

Dentre os 16 títulos, apenas dois são dirigidos por mulheres, ambos exibidos neste fim de semana. Nesta sexta (5), às 18h30, A Árvore Sem Frutos (2015) , de Kidy Aïcha Macky, toma as telas do cinema – com direito à reprise no domingo (7), às 15h. Amanhã, sábado (6), também às 18h30, o documentário Soltar a Voz (2017), de Amandine Gay, pauta os espectadores com a força da mulher negra.

“Soltar a Voz é um documentário bem contemporâneo, no estilo talking heads, com entrevista de inúmeras mulheres negras principalmente na França, sobre descendentes diretas de africanos. Trabalha a questão da identidade, da formação e da quebra de preconceitos”, detalha Ulisses.

Além do protagonismo atrás das câmeras, a mostra explora a posição da mulher como personagem principal. Sábado de manhã, Minga e a Colher Quebrada (2017), de Claye Edou, traz uma órfã, que, ao quebrar uma colher lavando pratos, é castigada pela madrasta, iniciando sua jornada. A trama integra a primeira animação feita em Camarões, exibida em uma sessão infanto-juvenil. “Fizemos questão de fazer uma sessão para crianças pois é um processo importante na de formação do olhar”, afirma.

Divulgação

Outro destaques, para o curador, são as produções nigerianas da programação. “Depois dos anos 90, a Nigéria se sobressaiu com o cinema popular. Foi criada uma grande indústria de filmes que lança mais de 2 mil títulos por ano, e ainda são poucos conhecidos no Brasil”, diz. Tratando exatamente deste cenário, o documentário Jimmy Goes to Nollywood (2014), de Rachid Dhibou e Jimmy Jean-Louis, exibido sexta (5), às 20h, explora Nollywood como plano de fundo para trama.

Porém, ao passo que o cinema mainstream toma as telas da Nigéria, a cena alternativa desponta da região. “Trazemos essa diversidade porque a região teme essa antologia com uma forte produção de curtas, mais artísticos”, explica Ulisses. A mostra exibe, dessa cena, Visões (2017), de Abba T. Makama, C.J. Obasi e Michael Gouken Omonua; e Caça à Bruxa (2018), de Solomon Onita Jr, apresentados no dia seguinte.

Exposição Ex África

Joana França/Divulgação

Em cartaz na capital até  o dia 21 de outubro, a exposição Ex África cria pontes nas artes visuais. Explorando a produção contemporânea de 20 artistas diferentes, a exibição conta com mais de 90 peças de oito países africanos diferentes – além de três produções tupiniquins.

Dividida em quatro setores diferentes – Ecos da História, Corpos e Retratos, O Drama Urbano e Explosões Musicais -, a exposição perpassa por temáticas como escravidão, diáspora negra para as Américas e reafirmação social.

À época da inauguração, o JBr. conversou com o curador Alfons Hug, que caracterizou Ex África como “a maior mostra de arte contemporânea africana realizada no Brasil, com objetivo de apresentar um retrato do momento artístico atual do continente”.

Saiba Mais

Sou África é um aquecimento para temporada do tradicional Lobo Fest – Festival Internacional de Filmes. Comemorando dez edições de festividade, o veterano está programado para acontecer entre 23 a 30 de outubro. O evento explora a diversidade cinematográfica para traçar um panorama mundial sobre o Cinema do Presente.

Serviços
Sou África – O Cinema Africano do Presente
Até 7 de outubro
Cinema do CCBB (Setor de Clubes Esportivos Sul)
Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria
Informações no site do CCBB e pelo telefone 3108-7600
Verificar classificação indicativa por sessão

Confira programação completa:

Sexta-Feira (05/10)

16h30 – Nos passos da rumba – Duração: 1h38 – (CI Livre)
18h30 – A árvore sem frutos – Duração: 56 min – (CI 14 anos)
18h30 às 21h30 – Coletivo de DJ’s com os Dj’s Afrika e Renas Mix
20h – Jimmy vai a Nollywood – Duração: 52 min – (CI 12 anos)
20h – Apresentação de Semba e Kizomba com Rodolfo e Thaiane

Sábado (06/10)

10h30 – Sábado Cinema (curta) – Duração: 12min / Minga e a colher Quebrada – Duração: 80 min – (CI Livre)
15h – Wallay – Duração: 1h24 – (CI 12 anos)
15 às 17 h – Oficinas infantis de percussão e tambores de papel com Juraci Pandeiro
17h – África do presente em cinco curtas-metragens: Visões (compilado de 3 curtas da Nigéria) / Não esqueças / Caça à Bruxa – Duração total: 51 min – (CI 14 anos)
18h30 – Soltar a Voz – Duração 2h09 – (CI 12 anos)
18h30 às 21h30 – Coletivo de Djs com os DJ’s Afrika e Renas Mix

Domingo (07/10)

15h – A árvore sem frutos – Duração 56 min – (CI 14 anos)
16h30 – Felicité – Duração 2h03 – (CI 14 anos)
19h – Sessão de encerramento + homenagem – Samba Traoré, de Idrissa Ouédraogo – Duração: 1h25 – (CI 14 anos)

Ex África
Até 21 de outubro
Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul)
Entrada franca
Informações: 3108-7600
Classificação livre

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