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Obra conta as falcatruas dos irmãos Batista, donos da JBS

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Eduardo Brito
edubrito@grupojbr.com

Cinco anos atrás, eles eram revelações do empresariado nacional, alavancas do progresso, redivivos Viscondes de Mauá. Em uma economia turbinada como nunca antes na história deste país, eles eram os porta-estandartes do Brasil novo e pujante. Os campeões nacionais.

Lá estavam eles, os irmãos Joesley e Wesley Batista, o sempre-ele Eike Batista, o herdeiro-revelação Marcelo Odebrecht e meia-dúzia de outros, quase todos – com as exceções de praxe – surgidos do quase nada. Havia, claro, os integrantes de famílias empresariais conhecidas, mas que nunca haviam contado com gênios capazes de produzir tanto dinheiro e de revolucionar setores inteiros da economia.

Passados esses cinco anos, têm muita sorte os campeões que ainda estão soltos. Deles, os mais aventurados são os poucos que nem precisam usar tornozeleiras eletrônicas. Foi tudo para o espaço.

É sobre eles, na verdade sobre os mais emblemáticos de todos, que versa o livro Traidores da Pátria, de Cláudio Tognolli, editado pela Matrix. Ele trata, como diz o subtítulo, das maracutaias dos irmãos Batista na JBS.

Diversos países têm seus gigantes nacionais, responsáveis por trazer divisas, gerar trabalho e riquezas por onde espalham suas pegadas. Os dois governos do PT desenvolveram esse projeto de criar grandes conglomerados que ganhassem o mundo. Só que, hoje, é impossível negar que essa proposta estava permeada de heterodoxa inter-relação de dinheiro privado e dinheiro público, mais deste do que daquele. O grande motor disso tudo foi o BNDES, também turbinado com verbas adicionais. De 2003 a 2016, distribuiu R$ 1,2 trilhão em financiamentos.

Gente malvada diria até que o intuito básico do cultivo de campeões nacionais seria desviar dinheiro do erário para abastecer o caixa do partido, de políticos e de pessoas de seu interesse.

A JBS dos irmãos Wesley e Joesley Batista foi um desses projetos e acabou se tornando “carne da carne” do Partido dos Trabalhadores, num sentido apenas escuso da citação bíblica. Pior, o conceito de amizade política foi se esgarçando, de forma a integrar primeiro os aliados dos governos Lula e Dilma, como o PMDB. E, segundo, até figuras em tese oposicionistas, como ficou claro em um canhestro apelo do tucano Aécio Neves. O JBS gastou mais de R$ 1,1 bilhão em propinas.

Em resumo, mostra-se como mostrar como, anos atrás, dois jovens, inicialmente ao lado do pai, construíram do zero um pequeno grupo de frigoríficos que se tornou um grande grupo de empresas, e acabaram por trilhar o caminho de maracutaias diversas.

A empresa, agora transformada em um conglomerado de siglas nem sempre fáceis de identificar (parece coisa do Eike, mas desta vez não é) utilizou o BNDES, a Caixa Econômica Federal e outros agentes públicos e privados para suas fraudes e espalhou seus tentáculos para diversas áreas de negócios, prejudicando inúmeros empresários, trabalhadores e o contribuinte, na ponta final.

O livro conta a história dessas falcatruas de maneira simples e fácil de entender. O que é difícil de compreender é como o Brasil produz tantos personagens que surgem como paladinos do empreendedorismo para se revelarem, em seguida, meros infratores da lei.

Conhecido pelo seu polêmico trabalho na Jovem Pan, Tognolli lançou em parceria com Romeu Tuma Júnior, em 2014, o livro “Assassinato de Reputações”, que vendeu 120 mil cópias em quatro meses, em duas edições sucessivas. Trabalhou ainda em muitos outros veículos.

Dinheiro que sai do BNDES e vai a aliados

O livro mostra com clareza o fluxo de recursos, na mão e na contra-mão. Quando começou o governo Lula o grupo JBS recebeu estímulo do presidente do BNDES, Guido Mantega, para iniciar sua internacionalização. Já era exportador, mas começou a usar dinheiro do BNDES para comprar empresas no exterior. Aí começou a festa.

O BNDES não apenas lhe dava financiamentos generosos como se tornou seu sócio, por meio da BNDESpar. Só no primeiro momento, isso lhe custou US$ 750 milhões, usados para comprar a norte-americana Swift. No biênio 2007-2008 o BNDES injetou US$ 2,6 bilhões no grupo JBS. Claudio Tognolli registra inúmeros casos de superfaturamento de operações – tanto na compra de cotas da empresa pelo banco quanto na compra de outras empresas pelo JBS. Adivinhe-se para onde ia esse dinheiro?

Justamente, para os partidos aliados do governo da época. Parte das doações eram ilegais, mas também havia dinheiro dado de forma aberta, para as campanhas. Só na campanha eleitoral de 2014 o grupo JBS destinou R$ 296 milhões aos partidos e candidatos que formaram a coligação de apoio à releição da presidente Dilma Rousseff. O PT foi quem mais recebeu, mas em eleições anteriores também houve doações para José Serra, para Lula e para muitos candidatos a governador, entre eles José Roberto Arruda, do Distrito Federal. E isso tudo em doações legais. Dá para supor que as ilegais foram tão ou mais generosas do que elas..

Serviço
Traidores da Pátria – As maracutaias dos irmãos Batista na JBS

Autor: Cláudio Tognolli
Editora: Matrix
Páginas: 87
Custo médio: R$ 24,00

Divulgação

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