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Música

Em comemoração aos 17 anos de lançamento, chega às principais lojas o LP “Bocas ordinárias”, do Charlie Brown Jr.

Liderados pelo paulistano Chorão, os garotos da cidade de Santos eram a personificação de uma tribo sem muita grana que curtia as pistas de skate e a praia

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Considerado por muitos como um dos melhores discos do grupo Charlie Brown Jr., “Bocas Ordinárias” foi lançado em 2002. Liderados pelo paulistano Chorão, os garotos da cidade de Santos eram a personificação de uma tribo sem muita grana que curtia as pistas de skate e a praia. Embaladas por uma fusão de punk rock californiano, hip-hop e reggae, as letras enfurecidas e desbocadas miravam as desigualdades sociais, conquistando corações e mentes das periferias brasileiras.

 

Quinto álbum da banda, “Bocas Ordinárias” apresentava uma pegada bem mais roqueira e azeitada que os discos anteriores, com destaque para a criatividade de Marcão nas guitarras. Champignon (baixo) e Pelado (bateria) completavam o quarteto; Thiago Castanho deixara a banda no ano anterior. Juntos, eles assinaram todas as faixas, com exceção de “Baader-Meinhof Blues”, da Legião Urbana, que ganhou uma acelerada, pulsante e competente regravação. Toda a vitalidade das incendiárias apresentações ao vivo do Charlie Brown Jr. foram impressas neste registro de estúdio produzido por Tadeu Patolla, que já havia trabalhado com a banda em “Preço curto… Prazo longo”, disco de 1999.

 

Primeiro single de “Bocas Ordinárias”, “Papo Reto (Prazer é sexo, o resto é negócio)” dominou as paradas de sucesso com seu refrão chiclete (“Então já era, eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer”) e a costumeira contundência (“Mas eu quero que se foda essa porra de sociedade”). O desajuste social também aparece no segundo hit, “Só por uma noite”, que ganhou um divertido videoclipe no qual o titã Paulo Miklos encarna um exigente e mal-humorado diretor tentando enquadrar os rapazes que, embora elegantemente vestidos, têm pensamentos bem mundanos. Essa crueza persiste na faixa de onde foi retirado o nome do disco, “Bocas ordinárias, guerrilha”, batizada com uma expressão cunhada por um crítico de Portugal, após uma apresentação da banda naquele país.

 

“Se for fazer uma coisa então faça com vontade/ Seja você, não fure os olhos da verdade”, ensina Chorão em “Não fure os olhos da verdade”. O “papo reto” continua em “Sou quem eu sou (O que é seu também é meu e o que é meu não é nosso)”. O som de uma lata de refrigerante sendo aberta nos primeiros instantes de “Com a boca amargando” não adoça o discurso do cantor, que fora duramente criticado por participar de uma campanha publicitária da Coca-Cola: “Eu não tenho explicações a fazer/ Quem sabe de mim sou eu/ Quem sabe de você é você”. Na última faixa, “Tarja preta”, Chorão avisava: “Charlie Brown Jr. não deve ser consumido por pessoas simpáticas”. Independentemente de possíveis contrariedades ou antipatias, o álbum vendeu cerca de 500 mil cópias na época, rendendo um Disco de Ouro à banda. Dedicado a Cássia Eller, outra voz inquieta que cativou a juventude brasileira, “Bocas Ordinárias” está de volta no inédito formato de vinil.


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