Siga o Jornal de Brasília

Cinema

HBO recria desastre nuclear no seriado “Chernobyl”

Ambientado em 1986, Chernobyl recria os acontecimentos posteriores ao acidente da Usina Nuclear Chernobyl, na Ucrânia.

Em 1986, o reator principal da Usina Nuclear de Chernobyl explode e emana uma imensa fumaça repleta de partículas nucleares. Ao ver dos supervisores, aquele momento não era preocupante. Porém, o ar está denso, o cientistas vomitam sangue, os bombeiros sentem gosto de metal e os habitantes da cidade observam a usina condensar radiância nos ventos. É com esses elementos escatológicos e cinestésicos que HBO dá o start no seriado Chernobyl, uma mini-série que recria os eventos do acidente na Ucrânia.

Nos primeiros dez minutos de reprodução, o telespectador conhece os personagens principais da história e também todas suas nuances de caráter. Anatoly Dyatlov (Petter Ritter), um dos engenheiros responsáveis pela vigilância da usina é o primeiro personagem em que vemos as ambições dos roteiristas com Chernobyl. Por meio de Anatoly que irá se desenrolar todo o fio condutor da trama, afinal, o engenheiro usa apenas a negligência e arrogância para conduzir o acidente.

Anatoly e seus supervisores: medo e negação em seus olhares. Foto – Divulgação/HBO

Em outras ramificações da série, o roteirista Craig Mazin amplia o olhar dos personagens mostrando diversas percepções: do alto poderio dos políticos, dos habitantes e de possíveis heróis. Como, por exemplo, Lyudmilla Ignatenko, esposa de um dos bombeiros que atendem a emergência da noite. Sendo uma das vozes reais do acontecimento (assim como a maioria do elenco), Lyudmilla foi responsável por relatar todas as consequências do desleixo humano.

Jessie Buckley como Lyudmilla Ignatenko. Foto – Divulgação/HBO

Enquanto o seriado vai avançando no tempo, proporcionalmente, toda aquela consistência de radiação vista nos ares da cidade vai ganhando corpo, alegoricamente, nos diálogos, nas interações e em todos os acontecimentos. HBO prova mais uma vez que suas produções estão em um patamar que as concorrentes desejam muito alcançar. E para quem deseja suprir uma carência herdada por seasons finales, Chernobyl pode ser como um excelente acalento. Vale lembrar que é indispensável um estômago forte pois esta nova míni-serie (acontecimento sintetizado em 5 episódios) pode ser classificado com um pesadelo de horror.

 

Por Leonardo Resende

Publicidade
Publicidade
  • CHARGE DO DIA