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Cinema

FICA 2018: Produções latinas abusam do lúdico no primeiro dia de mostra competitiva

Leonardo Resende
Especial para o Jornal de Brasília

Utilizar um elemento lúdico dentro do filme com o objetivo de engajar o espectador. É essa a proposta da diretora mexicana Sofía Auza, que rodou com uma câmera Canon 5D, usada para ensaios fotográficos comuns, com muita singeleza, o curta-metragem Octubre Otra Vez, título exibido no primeiro dia da mostra competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

No formato quadrado estilo polaroid, ela leva às telas a história ficcional de um casal com divergências tradicionais. Ela é engajada com a sustentabilidade. Ele é desatento. O filme é contado na perspectiva do rapaz que, de acordo com a cineasta, simula as lembranças vividas por ambos. Às vezes com stop-motion, Sofía consegue sintetizar um ano de convivência deles em apenas seis minutos.

Apesar de ser uma história de amor, o fio condutor do curta é o consumo desenfreado de alimentos. “A alimentação sustentável é algo que, caso o indivíduo pratique, diz muito da sua personalidade. O que eu quis mostrar em Octubre Otra Vez é que esse tema pode gerar uma história de amor quando duas pessoas têm estes ideais em comum”, conta a diretora.

Para conferir a programação completa, acesse o site do FICA 2018

Mais do lúdico

Mexicano El Hombre de Água Dulce

O curta-metragem mexicano não foi o único a utilizar o lírico como democratização do tema sustentabilidade. O filme El Hombre de Água Dulce mostra, de modo ficcional e contado na perspectiva de uma menina de dez anos, uma cidade que enfrenta a maior crise hídrica de todos os tempos.

Mesmo com alguns excessos de narrativa estereotipada – como o modelo de filmagem americanizada – o curta espanhol consegue ser didático com sua temática delicada, utilizando a simpática protagonista, que também exerce um papel importante como chamariz do público mais jovem.

Outro exemplo de como o primeiro dia do FICA 2018 foi repleto de características mais dinâmicas de enredo é O Malabarista, de Iuri Moreno. Prata da casa, Moreno realizou o documentário sem exibir seus personagens ao público, pois todos os relatos são feitos a partir de narração dos entrevistados em meio a divertidas animações.

O Malabarista, do goiano Iuri Moreno

Mostrando a vida de artistas de rua, o filme ganha mais destaque quando o diretor constrói a cidade inteira no preto e branco e recheia seus personagens com cores vivas. Uma alegoria de como a arte traz vida às pessoas.

Para encerrar o primeiro dia de competitiva, o insosso Dia, do português André Valentim Almeida, traz uma ideia brilhante: tentar realizar uma Arca de Imagens. Segundo o diretor, a intenção é compilar a significância da espécie humana no Planeta Terra por meio de imagens. Mesmo com o apanhado de filmagens memoráveis, o roteiro do diretor permanece executável apenas em sua cabeça.

O repórter viajou a convite da produção do FICA 2018

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