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Festival Cara e Cultura Negra chega à 15ª edição com programação gratuita

Evento promoverá resgate da cultura africana em diversos formatos, como música, artes visuais, moda, gastronomia e debates

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Durante 14 dias, Brasília vai sediar a 15ª edição de um evento de valorização das raízes africanas no Brasil: o Festival Cara e Cultura Negra. De 9 a 23 de setembro, o público brasiliense poderá apreciar e debater, gratuitamente, atividades relacionadas ao tema central “Contemporaneidade Afrodiaspórica”, em diversos formatos: música, artes visuais, seminários, bate-papos, poesia, literatura, moda, gastronomia e oficinas práticas.

De acordo com a organizadora do festival, Flávia Portela, o maior objetivo do evento é estimular a reflexão sobre a igualdade racial e a importância da África nos dias atuais. “Ela está muito impregnada no nosso dia a dia, mas não se dá a devida importância, parece que esse passado rico não existiu, por isso é importante buscarmos nossas origens”, comenta. “O festival faz parte de um esforço para superar as barreiras históricas da discriminação e do preconceito, reconhecendo o valor de uma raça que ajudou, com suor e sangue, a construir o Brasil”.

As atividades serão distribuídas entre o foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro, o Cine Brasília e o Espaço Cultural Renato Russo. Dessa maneira, o festival também cumpre o papel de auxiliar na revitalização dos centros culturais de Brasília e facilitar o acesso da população a esses espaços públicos.

A abertura do festival será no dia 9 de setembro com a presença de autoridades, performance do grupo Sambadeiras de Mestre Bimba e show de Mateus Aleluia e do grupo Filhos de Dona Maria. Na mesma noite também será lançado o Museu Digital da Memória Negra do DF. “Será uma ferramenta educativa e de pesquisa para contribuir com políticas públicas e ações afirmativas na divulgação e preservação do patrimônio cultural afro brasiliense em formato digital, por meio do compartilhamento de imagens, depoimentos, trabalhos acadêmicos e exposições”, explica Flávia Portela.

O Festival Cara e Cultura Negra deste ano será ancorado em seis frentes de programação: shows, oficinas, bate-papos, saraus, exposições e mesas de debate. Veja alguns destaques:

 

Encontro Nacional Pensamento Negro Contemporâneo

Entre os dias 18 e 20 de setembro, o  Festival Cara e Cultura Negra abrirá espaço para debates da comunidade acadêmica com o Seminário “Encontro Nacional Pensamento Negro Contemporâneo”. Serão sete mesas e 24 palestrantes com diálogos sobre raça, gênero e cultura, entre outros temas.

“Quero que seja um espaço de celebração, encontros e debates sobre a intelectualidade negra, que está aí, mesmo sendo subestimada”, afirma Nelson Inocêncio, curador artístico do festival. “A ideia é mostrar que existe uma produção substantiva produzida por mulheres e homens negros”, diz Nelson.

O curador ainda chama atenção para os desdobramentos do Seminário após o Festival. Cada palestrante fará um artigo referente à sua participação no evento e os textos serão publicados juntos. A difusão desse material visa formar público e opinião para as temáticas apresentadas. “Teremos a participação de Nei Lopes, Zezé Motta e Luiz Silva (Cuti), entre outras referências negras muito importantes para pensar temas como ancestralidade e estética negra. O racismo é fruto da ignorância, ou seja, o conhecimento é necessário para superá-lo”, completa.

 

Programação cultural

Entre as atrações musicais do festival estão Mateus Aleluia, Zezé Motta, Luedji Luna, Sambadeiras de Mestre Bimba, Rosa Luz e as banda Conexão Chicago e Filhos de Dona Maria.

Uma das atrações principais, Zezé Motta retorna à cidade com o show “Atendendo a pedidos”, em que interpreta músicas de Caetano Veloso, Luiz Melodia, Jards Macalé e Elizeth Cardoso. Performer, compositora, cantora e youtuber do Distrito Federal, Rosa Luz é outra convidada e apresentará as faixas do EP “Contra o Encarceramento em Massa”, cujas letras discutem a realidade do sistema prisional brasileiro, racismo e preconceitos sociais.

Também muito aguardado, Mateus Aleluia vem da Bahia para trazer música e reflexão ao foyer do Teatro Nacional. Único integrante do grupo Os Tincoãs ainda vivo, Mateus encerra a primeira noite do festival com o show “Aclamação à Olorum”, com canções inéditas e sucessos dos trabalhos solo e do grupo nascido na década de 1960 – referência até hoje na música brasileira. Já no dia 10, ele apresenta a palestra musical Afrobarroco – O canto dos recuados’.

A programação ainda inclui o desfile “Adornos”, do estilista Fernando Cardoso, homenageando a ancestralidade das mulheres negras; e as exposições “Contemporaneidade Afrodiáspórica”, “Diáspora Africana – Travessias femininas”, “Estrelas do Blues” (de Ronaldo Ferreira) e “Cores em mim”. A última, com ilustrações digitais de Willian Santiago, propõe um diálogo de moda com brasilidade, evidenciando a mulher negra como protagonista em composições com várias cores e fortes contrastes.

O público também terá chance de participar de bate-papos sobre a cena teatral e o mercado de trabalho do artista. Haverá ainda oficinas de Fotografia Básica com a Escola de Cinema Social Cine Braz, e de Máscaras Álèmássà, com Sérgio de Souza. Em Yorubá, Álèmássà significa “aquilo que não pode ser destruído”. Pensando nisso, Sérgio criou um espaço para a reflexão das consequências da poluição de combustíveis fósseis a partir das artes plásticas.

“A arte informa, toda programação cultural foi feita para agregar informação e as escolhas desses artistas foram feitas levando em conta a relevância de cada um”, destaca Nelson Inocêncio, curador artístico do festival.


Veja a programação completa em http://www.caraeculturanegra.com.br


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