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Cinema

Crítica: Cinebiografia de Freddie Mercury coleciona acertos e erros, mas emociona

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Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

A personalidade excêntrica, egocêntrica e falocêntrica de Freddie Mercury foi o adereço midiático que o transformou em um ícone da cultura pop. O vocalista do Queen, nascido Farrokh Bulsara em 5 de setembro de 1946, nas ilhas de Zanzibar, na Tanzânia, fez de sua voz potente um canal de expio das ideias pretensiosas e megalomaníacas que teve ao lado do guitarrista Brian Taylor, do baixista John Deacon e do bateirista Roger Taylor nos anos 1970.

A cinebiografia Bohemian Rhapsody – dirigida em boa parte por Bryan Singer (X-Men) e finalizada por Dexter Fletcher (Rocketman) -, se propõe a mostrar a trajetória de Freddie desde o início como carregador de malas no aeroporto de Heathrow, em Londres, onde cresceu, até conhecer seus companheiros e fazer sucesso pelo mundo.

A trama nos conduz pela dúvida do vocalista, vivido no filme por Remi Malek, sobre si, por sua personalidade expansiva, pelas epifanias criativas da banda na composição da música que dá nome ao filme, pelo excesso de estrelismo do cantor, que quase levou ao fim do grupo, até chegarmos a 1985. Naquele ano, em crise, o Queen se apresentou no festival humanitário Live Aid e entregou um show inesquecível. A reprodução, em mágicos 20 minutos, na telona, fazem tudo valer a pena e revelam um incrível trabalho de mixagem sonora.

Elefante na sala

Existem vários aspectos positivos no enredo, todos relativos à qualidade musical da banda, mas é preciso tirar o elefante da sala: a sexualidade de Mercury é mal retratada. Para um artista notoriamente gay, é estranho que ele apareça em cenas sugestivas de sexo com sua ex-esposa Mary Austin, vivida por Lucy Boynton, e apenas em abraços ou beijos tímidos com homens.

O abuso de drogas também é explorado superficialmente. Neste caso, porém, pode ser uma boa oportunidade de apresentar a obra para um público mais jovem sem muita preocupação com conteúdo explícito. Tanto o mercado quanto os pais devem se alegrar por isso.

A caracterização de Remi Malek como Freddie é bem feita. Na verdade, a caracterização de todos os membros do Queen, em especial Gwilym Lee como Brian May, é ótima. As interpretações, no entanto, começam medianas e progridem à medida que a história – escrita por Anthony McCarten e Peter Morgan – avança. Na fase bigodudo do astro, Malek entrega a melhor performance como Mercury.

SAIBA MAIS

O diretor Bryan Singer foi demitido do filme em dezembro de 2017 por repetidas ausências e, durante as filmagens, foi acusado de estuprar um adolescente de 17 anos em episódio supostamente ocorrido em 2003. O cineasta ainda responde ao processo.

Freddie Mercury morreu aos 45 anos vítima de uma vítima de broncopneumonia provocada pela Aids, em 24 de novembro de 1991. Seus últimos seis anos de vida não estão retratados em Bohemian Rhapsody.


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