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Cinema

Revisitando bons filmes: as maiores influências de Cisne Negro

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Na filosofia chinesa, mais precisamente nos conceitos do taoismo, o Yin-Yang representa lados opostos, mas que se completam. Esse principio oriental consegue explicar o branco ou preto, a noite ou o dia e, em interpretações mais extremistas: o bem e o mal. Lados que são inseparáveis. E é dessa deliberação radical que Cisne Negro se sustenta.

Prestes a completar uma década de lançamento, Cisne Negro mostra os bastidores do Ballet em Nova York onde Beth MacIntyre (Winona Ryder), a primeira bailarina da companhia, está prestes a se aposentar. O posto fica com Nina (Natalie Portman), que irá encarnar a protagonista do espetáculo Cisne Negro. Pressionada por Thomas Leroy (Vincent Cassel), um exigente diretor artístico, ela começa se perder entre as duas personagens: o cisne branco e negro.

O Yin e o Yang dos bastidores de Cisne Negro. Direção nervosa e atuação delicada. Foto – Divulgação

Em alguns pontos do filme, Aronofsky consegue se aproximar do clássico – mesmo que alegoricamente – A Mosca, de David Cronenberg. Ao contrário da ficção onde o protagonista encarra sua transformação física com tragicomédia, Cisne Negro acompanha o desfalecimento da psique de Nina de maneira assustadora. Certos elementos fazem ambas obras caminharem de modo quase semelhante, porém o que muda esse status equivalente é a utilização da dualidade do arquétipo taoista.

À esquerda, A Mosca de Cronenberg e à direita, Cisne Negro de Aronofsky. Filmes semelhantes ao tratar de transformações tanto físicas quanto psicológicas. Foto – Divulgação

Enquanto Nina abraça seu lado ingênuo como Cisne Branco, sua sanidade se perde, aos poucos – momentos primordiais de demonstração criativa de Aronofsky – para o Cisne Negro. Como se não bastasse essa genialidade, Natalie Portman entende tal dinâmica. A atriz consegue brilhantemente transitar entre as duas personalidades, resultando na necessidade de os dois lados andarem juntos. Enquanto a persona do Cisne Branco lamuria e chora, o Cisne Negro se despedaça e se perde. O lado negro não conseguiria se libertar se não fosse pelo seu oposto refletir tanto sobre a perfeição. E assim como o lado Yin precisa do seu oposto Yang, a atuação perfeccionista de Natalie Portman necessita da direção desconcertante de Darren Aronofsky.


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