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Cinema

Revisitando bons filmes: A genialidade de “Batman – O Retorno”

Para muitos fãs, a patente clássica que Batman – O Cavaleiro das Trevas tem ganhado ao longo dos anos é incontestável. Entretanto, esse julgamento instantâneo fez com que algumas obras do morcego sejam subestimadas. Entre elas, está Batman – O Retorno, de Tim Burton.
 
Lançado em 1992, a obra deu sequência aos acontecimentos do primeiro Batman, do ano 1989.  O longa-metragem mostra Batman/Bruce Wayne (Michael Keaton) combatendo o crime após a morte do Coringa. Além desta tragédia, o personagem enfrenta um novo conflito: seu envolvimento com a ladra Selina Kyle (Michelle Pfeiffer), em seu alter-ego, a Mulher-Gato. Além da presença feminina como antagonista, o filme introduz Pinguim (Danny DeVito), outra aparição vilanesca para testar os limites do herói.
 
Ao contrário de Batman – O Cavaleiro das Trevas, é irrefutável a inclinação majoritária de Tim Burton para o cinema gótico. Assim como Nolan incorporou magistralmente o gênero policial à sequência de Batman Begins, Burton aplicou seu conhecimento do movimento vanguardista em Batman – O Retorno.  Toda essa influência perpetua nos atributos técnicos da película, como a direção de arte, figurino, fotografia e atuações.
 

Cenários gélidos, poucas cores e muitas curvas. Influências góticas para Batman – O Retorno. Foto – Divulgação.

 
A narrativa Expressionista
 
Os personagens que habitam o mundo do cinema Expressionista Alemão são aqueles que devem aprender a lidar com suas deformidades tanto físicas quanto psicológicas. Enquanto o visual permanece na condição gótica, Burton preenche toda a carga expressionista em seus personagens. Alguns no sentido literal como o Pinguim de DeVito. Outros no quesito psicológico, como Selina Kyle. Até mesmo a escalação de Christopher Walken como Max Schreck (nome do ator que deu vida ao icônico Nosferatu) é um explícito exemplo das influências progressistas de Burton. 
 

À esquerda, Pinguim de Burton. À direita, Nosferatu, criatura emblemática do Expressionismo Alemão no cinema. Décadas diferentes, conceitos semelhantes. Foto – Divulgação.

Comparações

Christopher Nolan causou muita polêmica em 2006 com a escalação de Heath Ledger como Coringa, porque muitos não acreditavam no potencial do ator. A decisão sucedeu como um dos motivos da catalogação de Batman – O Caveleiro das Trevas como clássico. Para a sequência, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Nolan promoveu mais contestação ao escolher Anne Hathaway como Selina Kyle. Fãs alegaram o mesmo: a atriz não era sensual o suficiente para papel. O desempenho de Hathaway em tela é, sem dúvidas, uma surpresa para os saudosistas. 
 
A concepção visual de Burton para Mulher-Gato é impecável e inesquecível, mas enquanto Pfeiffer é resultado dos padrões expressionistas de Burton, Hathaway abraça a visão contemporânea/realista de Nolan. Caracterização que aproxima a personagem de forma mais fiel possível aos quadrinhos. Selina Kyle nunca foi concebida com louca, apenas o inverso, a vilã – nos quadrinhos – agia de maneira extremamente racional, contrário da personagem de Tim Burton.
 

Mulher-Gato: mesmo personagem, polos opostos. À esquerda, Anne Hathaway como a Selina Kyle letal, porém racional. À direita, Michelle Pfeiffer impulsiva e descompensada. Exemplo expressionista em formato psicológico. Fotos – Divulgação

 

Cada uma em seu universo funciona perfeitamente. Porém, se um fã procura uma Selina Kyle sã e fiel ao material de Bob Kane, Hathaway é a melhor demonstração. Se o caminho é o oposto e o aficionado procura uma versão inovadora e integral com conceitos artísticos, Pfeiffer é a personificação de tudo citado sobre Expressionismo.

Apesar de Nolan finalizar a franquia como todo fã sempre quis, Burton também merece muitos méritos por levar conceitos artísticos em plena década de 1990. Enquanto o cineasta entregou uma atmosfera realista para a franquia iniciada em 2005 e finalizada em 2012, Burton tentou – dependendo do ponto de vista – e conseguiu fazer com o que o cinema de arte e o comercial andassem juntos, sem nenhum limítrofe.

 
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