Siga o Jornal de Brasília

Cinema

Filme brasileiro faz bonito no Festival de Cannes

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, dirigido por Karim Aïnouz, foi ovacionado pela plateia

O filme A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, dirigido por Karim Aïnouz, conquistou um prêmio inédito para o cinema brasileiro ao ser eleito o melhor longa na mostra Um Certo Olhar / Un Certain Regard, presidido pela libanesa Nadine Labaki, na 72ª edição do Festival de Cannes, nesta sexta, 24.

A vitória na Croisette, na disputada mostra paralela à briga pela Palma de Ouro, coroa uma estrada de sucesso na carreira do melodrama baseado no romance de Martha Batalha. Nele, as irmãs Eurídice (vivida pelas atrizes Carol Duarte e Fernanda Montenegro) e Guida (Júlia Stockler) passam uma vida se buscando, após um incidente familiar, no Rio de Janeiro dos anos 1950, que traduz o machismo da época.

“É um importante prêmio do cinema mundial e muito importante para o cinema brasileiro em um ano em que tivemos uma representação maravilhosa (em Cannes), com o filme do Kleber Mendonça e do Juliano Dornelles (diretores de ‘Bacurau’), o da Alice Furtado (Sem Seu Sangue) e o filme coproduzido pelos irmãos Gullane (O Traidor). Antes de qualquer coisa, é importante que esse prêmio possa incentivar o futuro do cinema brasileiro, a diversidade da nossa cultura. Queria dedicar especialmente para a minha amada Fernanda Montenegro, para todas as atrizes do filme e para todas as mulheres do mundo”, comemora o diretor, referindo-se à participação da grande dama em seu filme. 

Karim é um dos grandes autores brasileiros de sua geração, com filmes como O Céu de Suely e o visceral Praia do Futuro. E foi no Festival de Cannes, há 17 anos, onde ele estreou seu com Madame Satã. Na edição deste ano, ele retorna com a história das irmãs Guida e Eurídice, que são cúmplices no afeto que têm uma pela outra, inseparáveis no dia a dia. O filme, que é uma produção da RT Features, de Rodrigo Teixeira, tem previsão de lançamento no circuito comercial em novembro deste ano.

“O Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo e também um dos países com o maior numero de mães solo. Eu dedico este filme as estas e a todas as mulheres. Eu gostaria de homenagear não a sobrevivência, mas a resistência. É importante também falarmos sobre a intolerância, esse sentimento devastador que ameaça e divide não só o Brasil, mas o mundo inteiro e contra o qual o amor é uma das formas mais poderosas de resistência”, disse Karim.

Estadão Conteúdo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
  • CHARGE DO DIA