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Cinema

“Era Uma Vez…em Hollywood”, representa fase madura de Tarantino

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Por Leonardo Resende

Assim como Pedro Almodóvar, Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock, é além da sensatez dizer que Quentin Tarantino imprime um estilo próprio dentro dos seus filmes. Paralelamente aos exemplos citados, expressar sua assinatura sem soar repetitivo ao longo dos anos é, no mínimo, algo colossal para qualquer carreira. Felizmente, Tarantino – em seu nono filme – realiza esse feito estupendo e traz todos os seus elementos emblemáticos em uma roupagem completamente madura sobre os bastidores da sétima arte na década de 1970 em Era Uma Vez… em Hollywood, filme em exibição nos cinemas da cidade. 

Tarantino dirigindo Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Foto – Divulgação

Sua nova película mostra os personagens fictícios Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê Cliff Booth (Brad Pitt) dentro de um universo real de uma Los Angeles fidelíssima (em uma direção de arte impecável de Bárbara Ling), onde ambos tentam se adaptar às novas mudanças da indústria do cinema. 

A metalinguagem de Tarantino

Por mais que Dalton e Booth sejam personagens criados para essa trama, Tarantino soube dividir sua persona nestes dois protagonistas em que assistem toda a energia de uma Hollywood adolescente e efervescente. Ambos  representam os elementos que fizeram do cinema de Tarantino um palco lendário. Leonardo DiCaprio simboliza o lado aficionado e inquieto do diretor pelo faroeste (seja ele spaghetti ou americano). Brad Pitt (em uma personificação mais discreta de sua carreira) é o reflexo de um cineasta observador e vislumbrado com elementos do cinema exploitation – sub-gênero que ficou evidenciado no estilo de Tarantino nas vertentes de blackexploitation e sexexploitation, em Django Livre e À Prova de Morte, respectivamente. 

Brad e Leo como o alter ego de Tarantino em “Era Uma Vez… em Hollywood”. Foto – Divulgação

Seu roteiro vai usar desses dois indivíduos para desenrolar a trama que irá desaguar em um desfecho (mesmo que ao contrário dos acontecimentos reais, como visto em Bastardos Inglórios) incrivelmente hilário e recompensador. Englobando ao filme o estilo Tarantino de fazer vingança aos episódios da vida real, reprisando o conceito de Bastardos Inglórios com o nazismo e Django Livre com a escravidão. 

Há defeitos?

A maior qualidade de Era Uma Vez… em Hollywood é também seu maior tendão de Aquiles. O ponto mais alto do novo filme de Tarantino é o seu fascínio pela sétima arte. E talvez esse amor tenha ficado tão restrito ao seu conhecimento que o ritmo fique aquém para os expectadores, gerando bocejos e cansados durante uma metragem de meia hora de película. Além disso, há personagens que anseiam por uma exploração mais profunda de seus personagens, como é o caso de Margot Robbie como Sharon Tate.  Porém, não são defeitos que anulem as inúmeras qualidades da obra. 

Margot Robbie como Sharon Tate: figurante de luxo. Foto – Divulgação

Caso o admirador esteja com paciência excessiva, a experiência pode ser redonda, entretanto, fica claro – assim como Almodóvar – que Quentin Tarantino reencontrou seu combustível no reflexo mais intenso e vero do seu amor: o cinema.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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