Siga o Jornal de Brasília
Slow Filme Slow Filme

Cinema

Cine Brasília recebe, pela primeira vez, o festival Slow Filme

O festival trará filmes inéditos nas telas brasileiras, muitos deles premiados em grandes festivais internacionais. Além disso, haverá palestras, debates, passeios para reconhecimento de plantas do cerrado e muito mais

Publicado

em

Publicidade

Um encontro entre a arte cinematográfica e o melhor da gastronomia mundial, com foco na sustentabilidade. Ou a fusão entre o prato e o planeta. Assim pode ser definido o perfil de SLOW FILME – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E ALIMENTAÇÃO, que está chegando à 10ª edição e pela vez em Brasília. Uma verdadeira festa de sabores e conscientização, o festival reúne exibições de filmes, conversas, passeios, degustações e palestras, tudo com entrada franca. O 10º SLOW FILME vai acontecer de 1º a 4 de agosto, no Cine Brasília, com extensão para o Centro Cultural Renato Russo 508 sul. Logo na noite de abertura, exibição do famoso “Slow Food Story”, que conta as origens do movimento que revolucionou a gastronomia no mundo, acompanhada de uma apresentação da atuação do Slow Food Cerrado. Classificação etária: 12 anos.

Sob a curadoria do professor, cineasta e crítico Sérgio Moriconi, SLOW FILME oferece uma programação de qualidade, em concordância com os princípios do movimento Slow Food, que prega o retorno à tradição alimentar, o respeito à identidade dos povos, o uso de ingredientes produzidos localmente, de forma limpa para a natureza e justa para com os produtores. O festival é único com este perfil no Brasil e vem sendo realizado desde 2010 pela empresa Objeto Sim Projetos Culturais. Até o ano passado (2018), o evento acontecia na pequena cidade de Pirenópolis, Goiás, situada a 150 km de Brasília. Em 2019, quando completa 10 anos, SLOW FILME chega a Brasília, com uma programação potente.

Na capital brasileira, o festival vai acontecer no Cine Brasília, com a exibição de 23 filmes, palestras, lançamentos de livros e uma feira de produtos locais que ficará montada durante os quatro dias do evento. Como extensão, várias atividades ocuparão também o Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul. Ali, haverá exibições seguidas de debates, workshops e um passeio para reconhecimento de PANCs – Plantas Alimentícias Não-Convencionais, quando os espectadores serão convidados a andar a pé pelas quadras da asa sul para descobrir que muitas plantas consideradas “mato” são, na verdade, comestíveis.

Histórias da comida cubana. Foto: Divulgação

Em 2019, o festival também decidiu homenagear duas personalidades que apoiam o evento desde seus primeiros anos, o chef Juan Pratginestós, que comanda a cozinha do Restaurante Montserrat, de Pirenópolis, e a jornalista Liana Sabo, que assina a coluna Favas Contadas, no Correio Braziliense, uma pioneira do jornalismo gastronômico. Juan, inclusive, é personagem principal do primeiro episódio da série Alma D’Chef, do cineasta e produtor Ronaldo Duque, que será lançada durante o festival.

Publicidade

O 10º SLOW FILME conta com patrocínio do BRB e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal, do Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, das embaixadas da Itália, Austrália, República da Geórgia, Áustria, França, Espanha e Peru, Instituto Francês, Instituto Cervantes, Slow Food Cerrado, Instituto Ecozinha e Instituto Federal de Educação.

Sintonia entre imagens e sabores

Imagens que vão despertar as papilas dos espectadores, dar água na boca e provocar mudanças no cardápio diário. Mensagens que provarão que todo consumo é um ato político e interfere na vida sobre o planeta. É feita dessas substâncias a essência dos filmes do festival SLOW FILME. São títulos que apresentam registros da cozinha pilotada por grandes chefs internacionais, denúncias e soluções, encantam os olhos com belas imagens e despertam o paladar, nos fazendo suspirar diante de ingredientes e receitas.

As sessões do 10º SLOW FILME começam às 17h30 de quinta-feira, dia 1º de agosto, e seguem até às 21h de domingo, dia 4 de agosto, num total de 20 sessões no Cine Brasília e uma no Espaço Cultural 508 Sul. São títulos como “Faça Homus, não faça a guerra”, um curioso filme australiano que parte da produção da célebre pasta de grão de bico para falar do conflito entre Israel, Palestina e Líbano. O peruano “Na trilha de Gastón” revela como a atuação do chef Gaston Acurio, um dos mais premiados do mundo, foi capaz de recuperar a autoestima de todo o país – hoje, há restaurantes peruanos espalhados pelo mundo e várias escolas de gastronomia no Peru, garantindo colocação de trabalho para milhares de pessoas. E “O chef errante” é uma produção coreana que retrata o mais famoso chef da Coreia do Sul numa incursão pelo interior do país onde colhe e prepara maravilhas somente usando PANCs – Plantas Alimentícias Não-Convencionais.

Logo no dia de abertura, o festival vai exibir o americano “Histórias da Comida Cubana”, do diretor cubano Asori Soto (radicado em Nova York), que apresenta um verdadeiro mergulho nas receitas tradicionais da gastronomia da ilha. Também no campo da culinária de identidade e raízes, o festival exibirá quatro capítulos da série brasileira “História da Alimentação no Brasil”, do cineasta e produtor paulista Eugenio Puppo – os episódios são inspirados em pesquisas feitas pelo maior folclorista brasileiro, o potiguar Luís da Câmara Cascudo, e apresentadas em livro homônimo. Ainda o espanhol “Jaén: Virgen & Extra”, sobre uma região da Andaluzia, onde se descobriu, no início do século XXI, uma azeitona que produz hoje o melhor azeite do país; e o georgiano “Meridiano do Vinho”, um belo registro da história da produção do vinho na Geórgia, que desde oito mil anos atrás continua sendo preparado da mesma forma.

História da Alimentação no Brasil – A Rainha do Brasil. Foto: Divulgação

Cinema e conscientização

Estamos no planeta Terra e as notícias não são boas. Se não tomarmos atitudes drásticas – como indivíduos e como nações – em 30 anos, os oceanos terão mais plástico do que peixes, não existirão mais tigres, ursos polares ou gorilas das montanhas (apenas em cativeiro) e teremos a cada ano temperaturas mais elevadas. Em menos de 100 anos, a vida no planeta azul se tornará inviável. Mas ainda há tempo de reagir. É neste caminho que atuam filmes como “O Sabor do Desperdício”, do alemão Valentin Thurn, e “O Roundup face aos seus juízes”, uma coprodução entre França, Suiça e Belgica, assinada por Marie-Monique Robin, mesma diretora do premiado documentário “O Mundo segundo a Monsanto”. Os dois títulos serão exibidos acompanhados de conversas e debates, contando com a participação de Sofia Carvalho, agricultora e membro da campanha permanente contra os agrotóxicos, de Thaíssa Aragão, líder do Convívio Slow Food Cerrado e do engenheiro florestal e proprietário da fazenda Malunga ( produtos orgânicos), Joe Valle.

O alemão “O Sabor do Desperdício” mostra o imenso volume de alimento que é jogado fora diariamente no mundo. “O Roundup face aos seus juízes” é um devastador documentário-enquete sobre o produto fetiche da gigante multinacional de biotecnologia dos EUA, a Monsanto, líder mundial na fabricação de herbicidas. Na mesma linha de um cinema que dialoga com questões políticas, SLOW FILME exibirá ainda “A mentira verde”, produção austríaca que desmascara grandes empresas que se dizem sustentáveis, e “O Império do Ouro Vermelho”, sobre a produção em massa de tomates, geneticamente modificados. O tomate é também tema do bem-humorado curta “Dois tomates e dois destinos”, produzido pela ONG Veterinários Sem Fronteiras, que mostra a diferença de sabor entre um tomate orgânico e um transgênico.

E como a comida define a identidade de um povo? Um pouco das respostas a esse questionamento está no filme brasileiro “Comer o quê?”, de Leonardo Brant, que oferece um passeio pela gastronomia e pelos hábitos alimentares dos brasileiros, guiado por chefs como Alex Atala, Bela Gil e Helena Rizzo. Identidade é também o foco dos italianos “I Villani”, sobre camponeses e pescadores que seguem com o mesmo estilo de vida de seus bisavós, e de “O Retorno”, sobre a culinária de Massimo Bottura, três estrelas no Michellin, inspirada na arte, na paisagem e na tradição. A sabedoria tradicional está ainda no cerne de “Retrato de um Jardim”, com os ensinamentos de um jardineiro idoso e sábio sobre como cuidar das plantas, e “Senhor Maionese”, que revela um episódio real da Segunda Guerra Mundial, no qual a tradição de comer maionese salvou a vida de vários judeus perseguidos pelo Terceiro Reich.

I Villani – cozze. Foto: Divulgação

Para incentivar o reconhecimento dos frutos e plantas do cerrado, SLOW FILME acolherá o lançamento dos dois volumes do livro “Frutos e Sementes do Cerrado”, de Marcelo Kuhlmann. A obra é resultado de mais de 10 anos de pesquisa feita pelo biólogo e doutor em Botânica Marcelo Kuhlmann. O autor inclusive coordenará um passeio de reconhecimento do cerrado no Jardim Botânico para espectadores do festival.

Programação/Cine Brasília

QUINTA-FEIRA, DIA 1º DE AGOSTO

  • 17h30 – Apresentação do Slow Food Cerrado pelos facilitadores Thaíssa Aragão (líder do Convivium Slow Food Cerrado) e Jean Marconi (ativista, Slow Food – Região Centro-Oeste)
  • 18h00 – Slow Food Story (74’)
  • 20h00 – Sessão Especial de abertura com lançamento da série Alma D’Chef – do cineasta Ronaldo Duque. Homenagem ao cozinheiro Juan Pratginestós
  • 20h30 – Histórias da Comida Cubana (82’)

SEXTA-FEIRA, DIA 02 DE AGOSTO

  • 16h00 – Meridiano do Vinho (60’)
    (Após a sessão, a sommelier Patrícia Amada estará no foyer do cinema, para conversar sobre vinhos georgianos. Também serão disponibilizados para a compra os rótulos Tbilisi Tinto 2017 e Saperavi Tinto 2016)
  • 17h30 – Na Trilha de Gastón (75’)
  • 19h00 – O Império do Ouro Vermelho (54’)
  • 20h30 – Homenagem a Liana Sabo (responsável pela coluna Favas Contadas do Correio Braziliense)
  • 20h45 – Senhor Maionese (95’)

SÁBADO, DIA 03 DE AGOSTO

  • 11h00 – Dois tomates e dois destinos + Comer o quê? (75’)
  • 15h00 – Jaén – Virgen & Extra (90’)
  • 17h00 – Faça Homus, não faça Guerra (77’)
  • 18h30 – I Villani (83’)
  • 20h30 – O chef errante (85’)

DOMINGO, DIA 04 DE AGOSTO

  • 10h30 – O Sabor do Desperdício (88’)
    (Após a sessão, conversa com Paulo Mello, chef, permacultor, empresário e fundador do Instituto Ecozinha)
  • 15h30 – Quando a Itália comia em preto e branco (20’) + O Retorno (12’)
  • 16h30 – Retrato de um Jardim (93’)
  • 18h30 – Lançamento do registro audiovisual, com a presença dos chefs, do projeto Cerrado no Prato – Expedição Kalungas – Vão das Almas/GO (3’) + História da Alimentação no Brasil (100’)
    (Após a exibição, degustação da tradicional paçoca de gergelim, produzida pela comunidade)
  • 21h00 – A Mentira Verde (97’)

Você pode gostar
Publicidade