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A pintura que veio da música

Sinestesia reúne obras da artista plástica Stephanie de Paula a partir de sua paixão pelo trabalho da Orquestra Sinfônica

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Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Na terça-feira (7), os integrantes da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) receberam uma homenagem singular no Cine Brasília, sua casa temporária: durante um ensaio, foram surpreendidos pela exposição Sinestesia, da artista plástica Stephanie de Paula, de 26 anos. Na mostra, estão reunidas obras criadas pela artista a partir da paixão nela despertada pelos concertos da OSTNCS. A surpresa rendeu sorrisos, abraços e muita emoção.

Foto: Divulgação

A princípio, música e pintura são duas manifestações artísticas de diferentes searas. Para apreciá-las, utilizam-se os sentidos audição e visão, separadamente. Sinestesia, no entanto, demonstra que as duas formas de apreensão de conteúdo podem se misturar. As obras revelam o quanto a artista é capaz de traduzir a música em imagens — e expressam sua admiração pelo grupo.

“A Orquestra Sinfônica é indispensável para a cidade. Em São Paulo são pelo menos quatro — e a que temos em Brasília não é tão valorizada. É muito triste ver os músicos aqui no Cine Brasília, literalmente tirados da casa deles, que é o Teatro Nacional”, protestou.

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Foi pensando em melhor valorizar e divulgar o trabalho da orquestra que Stephanie começou a se dedicar totalmente ao projeto. “Eu saí do meu emprego — no ramo da moda — porque eu acredito no trabalho que eles fazem. E me deixa mais triste ainda ver que eles não têm uma grande divulgação”, reiterou. “Não tem nenhum cartaz que indique que eles tocam por aqui, o que contribui para que poucas pessoas frequentem as apresentações. Dos que vêm, muitos já são pessoas mais idosas; falta uma cara jovem para atrair espectadores”, disse. Sinestesia, então, funciona como forma de criar uma identidade para a orquestra — e deixar o Cine Brasília “com cara de lar para ela”, segundo a artista.

A partir do tempo dedicado a frequentar 20 espetáculos da OSTNCS durante seis meses, Stephanie criou 14 pinturas — aquarelas em papel algodão — e mais de 200 desenhos, 154 em exposição. Os desenhos foram feitos ao vivo, durante os espetáculos. “Perdi as contas de quantas vezes saí dali transbordando”, disse.

Foto: Divulgação

À venda

O público poderá levar para casa um pouco do trabalho desenvolvido por Stephanie. Estão à venda, além das pinturas, impressões em fine art e lenços com as imagens de outras pinturas.

De acordo com Stephanie, 10% de toda a arrecadação será entregue à orquestra. A pintura que leva o nome da orquestra, OSTNCS, de 100 x 150 cm, será doada ao grupo.

“Eu queria que eles se vissem nas obras”

Enquanto ouvia os concertos, Stephanie escrevia em um diário as inspirações que lhe saltavam à cabeça. “Eu anotava tudo o que ouvia e sentia. Em alguns concertos conseguia enxergar formas lineares, dentro de um padrão, mas em outras, como em um jazz, havia muita cor e as linhas não seguiam uma constância. O ritmo é colorido e alegre para mim”, comentou. “Uma vez, conversei com uma violinista, e ela me disse que estava sem emoção alguma, totalmente focada no que tocava — mas que, para ela, ‘o violino estava pegando fogo’. Ela foi a única exceção para quem mostrei uma das pinturas, justamente sobre ela; me disse que era exatamente como se sentia”, relatou.

O quadro em questão mostra a violinista e o violino como principais na tela, mas só o instrumento tem cores vivas de laranja e amarelo. A violinista está retratada com cores em tom cinza. “Eu queria que eles se vissem nas obras”, confessou Stephanie.

Terças-feiras

A OSTNCS está há cinco anos longe do Teatro Nacional Claudio Santoro, que leva o nome do fundador do grupo e está interditado desde 2014. A orquestra, portanto, não tem uma casa apropriada para ensaiar e se apresentar. Atualmente, o Cine Brasília abriga os concertos da OSTNCS, às terças-feiras, sempre de graça.

Sinestesia

até o dia 31 de outubro, no hall principal do Cine Brasília (EQS 106/107)
entrada franca.


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