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52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: sobre as guardiãs da floresta

Lindauro Gomes

Publicado

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Larissa Galli
larissa.galli@grupojbr.com

Duas lideranças femininas na Amazônia brasileira ameaçadas de morte por denunciar esquemas de grileiros e madeireiros terão suas histórias contadas na noite de hoje do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O documentário O tempo que resta, primeiro longa-metragem dirigido pela brasiliense Thaís Borges, será exibido às 20h30 no IFB do Recanto das Emas, no Complexo Cultural de Samambaia e no Complexo Cultural de Planaltina, com entrada gratuita; e às 21h, no Cine Brasília (106/107 Sul), com ingressos a R$ 10 (meia).

Maria Ivete Bastos e Osvalinda Marcelino Pereira são as protagonistas do filme. A diretora Thaís contou, em entrevista ao Jornal de Brasília, que conheceu Maria Ivete em um trabalho que fez em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) quando ainda era servidora pública em Brasília. “Achei a história muito forte, importante e pouco conhecida. Pedi exoneração e decidi filmar o documentário”, revelou.

Maria Ivete é a única brasileira a já receber o Prêmio Gandhi da Paz pela defesa socioambiental — e por tão bem simbolizar o empoderamento feminino na Amazônia. Na época em que as filmagens começaram, Maria era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém (PA), e estava jurada de morte por denunciar fazendeiros e grileiros que tentavam expropriar pequenos agricultores e ribeirinhos de suas terras.
Mais tarde, Thaís conheceu Osvalinda Pereira, que se tornou alvo de ameaças ao romper as relações de dependência impostas pelas milícias madeireiras. “São histórias de mulheres ameaçadas de morte por querer viver da forma como elas querem viver”, afirma a diretora.

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Segundo Thaís, o filme faz um retrato dos conflitos de terra na Amazônia e da resistência dos povos que precisam da floresta em pé para sobreviver. “O documentário mostra que a devastação da Amazônia está aliada a um projeto de desenvolvimento que o governo federal quer implantar, de apropriação privada dos recursos naturais e negação de direitos aos povos da floresta”, comenta.

Filmagem

Thaís contou que o processo de filmagem foi longo — quatro anos. Filmado no Pará, o longa foi construído entre uma viagem e outra ao estado, no começo às custas da própria diretora. “São viagens caras. Eu precisava voltar para Brasília para trabalhar, juntar dinheiro e ir para a Amazônia continuar as filmagens. Foi um processo demorado, porque no início eu fiz tudo com recurso próprio”, disse.

Depois, quando já tinha algum material suficiente para montar um teaser, Thaís apresentou o projeto em uma reunião com Globo Filmes e GloboNews — que aceitaram fazer a coprodução do filme. “Com essa parceria, consegui R$ 150 mil de financiamento via Lei do Audiovisual, e isso me deu a condição de fazer uma última viagem com uma equipe de quatro pessoas e remunerá-las pelo trabalho”, conta.
Ao todo, o filme custou aproximadamente R$ 192 mil — com R$ 42 mil de investimentos próprios da diretora. “É o orçamento da maioria dos curtas-metragens que estão na competição”, pontuou Thaís.

Curtas e paralelas

Os curtas-metragens que abrem a noite de hoje da Mostra Competitiva são Chico Mendes – Um legado a defender, de João Inácio; e Marco, de Sara Benvenuto. O festival segue também com a programação das mostras paralelas Território Brasil, Novos Realizadores e a Mostra Brasília BRB de Cinema a partir das 14h, no Museu Nacional da República; a partir das 15h, no Cine Brasília; e a partir das 18h no IFB do Recanto das Emas, no Complexo Cultural de Samambaia e no Complexo Cultural de Planaltina, sempre com entrada gratuita.

Além disso, continuam também as exibições do Festivalzinho, com filmes voltados para o público infantil, no Cine Brasília, a partir das 9h30; e às 15h no IFB do Recanto das Emas, no Complexo Cultural de Samambaia e no Complexo Cultural de Planaltina, também de graça.

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