fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Entretenimento

52º FBCB: Produções femininas levam os principais candangos do evento

Mulheres ficaram com os troféus de melhor direção na competição de longas e curtas-metragens

Lindauro Gomes

Publicado

em

PUBLICIDADE

Larissa Galli
larissa.galli@grupojbr.com

Permeado por protestos contra a censura e contra a destruição das políticas para o audiovisual, o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terminou no último sábado, com a cerimônia de premiação e entrega dos troféus Candango. Durante os dez dias de evento, os cineastas e produtores reforçaram ainda mais o caráter político do festival e transformaram o palco do Cine Brasília num foco de resistência cultural. Como esperado, o público também atuou expressivamente nos protestos em relação ao cenário cultural e político brasileiro.

O protagonismo feminino foi o grande vencedor do festival. As duas únicas mulheres diretoras que tinham seus filmes concorrendo na Mostra Competitiva levaram prêmios importantes para casa. O filme A Febre (RJ), de Maya Da-Rin, faturou os prêmios de melhor filme, direção, ator — para o indígena Régis Myrupu —, fotografia e som desta edição. Já o brasiliense O tempo que resta, de Thaís Borges, foi eleito o favorito pelo júri popular e também levou o Candango de melhor roteiro.

Foto : Divulgação

São dois filmes que lidam com a temática das minorias. A Febre — que têm um forte viés antropológico e é falado em grande parte em tukano, espécie de língua-franca entre os povos do Alto Rio Negro — acompanha a vida de Justino, um indígena que trabalha como vigia num porto de Manaus e é acometido por uma febre quando sua filha anuncia que se mudará para Brasília

O tempo que resta é um documentário que conta a história de duas lideranças femininas na Amazônia ameaçadas de morte por madeireiros e garimpeiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dirigido por Gil Baroni, Alice Júnior (PR) foi o segundo maior ganhador desta edição do festival de Brasília, com quatro Candangos: melhor atriz — para a adolescente trans Anne Celestino —, atriz coadjuvante (Thais Schier), trilha sonora e montagem. Piedade (RJ), de Cláudio Assis, levou os troféus de melhor direção de arte e melhor ator coadjuvante — para Cauã Reymond.

Entre os curtas, as mulheres também se destacaram:Rã (SP), dirigido por Ana Flávia Cavalcanti e Julia Zakia, foi considerado o melhor pelo júri técnico, ao passo que o documentário-animação Carne (SP), de Camila Kater, levou o candango de melhor roteiro e o troféu de melhor curta pelo júri popular. Alfazema (RJ), de Sabrina Fidalgo, faturou o prêmio de melhor direção.

Mostra Brasília BRB

Exclusiva para filmes feitos no Distrito Federal, a Mostra Brasília BRB também revelou seus vencedores na noite do último sábado, no Cine Brasília. O filme Dulcina, de Glória Teixeira, foi o melhor longa-metragem tanto para o júri técnico quanto para o popular. O mesmo ocorreu entre os curtas, com Escola sem sentido, de Thiago Foresti, conquistando a preferência de público e especialistas.

Dulcina é um documentário que retrata vida e obra da atriz e diretora de teatro Dulcina de Moraes por meio de depoimentos, imagens de arquivo e reconstituições. O longa também conquistou os prêmios de melhor atriz (Bido Galvão, Carmem Moretzsohn, Iara Pietricovsky, Theresa Amayo, Glória Teixeira e Françoise Fourton) e direção de arte (Úrsula Ramos e Demétrius Pina).

Já Escola Sem Sentido é uma ficção que conta a história de Chicão, um professor de História apaixonado pela profissão. Quando uma estudante filma suas aulas e mostra para os pais, a conclusão é o medo de uma suposta doutrinação ideológica. O caso ganha proporções impensadas na escola e afeta a motivação do professor com o trabalho.

Para além da difusão do cinema

Nos sete dias de Mostra Competitiva, mais de 10 mil pessoas estiveram presentes no Cine Brasília (106/107) para acompanhar a exibição dos filmes. Mas os impactos do festival de Brasília vão além da promoção e difusão do cinema nacional: foram 7,5 mil empregos diretos e indiretos gerados em todas as atividades que este ano percorreram nove Regiões Administrativas. As oficinas oferecidas capacitaram 122 pessoas em diversas áreas do audiovisual.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outro destaque ficou por conta do 3º Ambiente de Mercado, que proporcionou trocas de 216 empreendedores em 39 atividades. Durante três dias, 29 players nacionais e internacionais se reuniram com realizadores em reuniões, pitchings e palestras. Ao todo, foram 89 projetos selecionados, 218 reuniões em um expectativa de negócios de R$ 55,8 milhões.


Leia também
Publicidade
Publicidade
Publicidade