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Mostra reúne trabalhos de 22 artistas que destacam o valor das letras no graffiti

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Beatriz Castilho
cultura@grupojbr.com

Em meio ao concreto, o spray traz vida à cidade. Por meio de pequenas narrativas, as telas públicas gritam que a arte também está nas ruas. Entre muros, paredes, caixas d’água e lixeiras, o grafite marca presença ao se apropriar do espaço urbano. Trazendo a linguagem urbana para galerias, a exposição Streetype – Tipografia das Ruas de A à Z reúne 26 obras, dispostas em ordem alfabética, em dois espaços da Caixa Cultural Brasília a partir desta quarta (30).

Na cidade, o grafite é percebido sem muitos detalhes. Para Tito Senna, curador da mostra, a diferença entre o grafite de rua e o de galeria é o tempo de contato em que o público consegue se relacionar com uma obra. “O cotidiano cega. A exposição dá tempo para que a gente deguste cada letra. Acho que cria um olhar mais delicado para a rua”, explica, em entrevista ao Jornal de Brasília.

Grafiteiro desde os 13 anos de idade, Tito se aproveitou da vontade de mostrar a diversidade da tipografia do grafite para criar a Streetype, para a qual selecionou 22 artistas de várias partes do País – nenhum brasiliense, infelizmente. Na exposição é possível apreciar a diversidade das produções e vertentes de cada um dos convidados. “É um ‘ABC do grafite’. Cada artista tem um olhar particular para cada letra. Um ‘A’ pode ser legível ou virar algo maior”, conta.

As telas, organizadas em ordem alfabética, reúnem desde letras clássicas wildstyle, como dos artistas Alan Crono e Eduardo Aiog, até letras bomb, como nos trabalhos dos artistas Gloye e Marcelo Eco, e letras experimentais, como a de Jessica Puska, Marcio SWK e Rodrigo Grau.

Z, de Rafael Raws (Crédito: Divulgação)

Influências old school

Entre os expositores está Eduardo Aiog, que usa e abusa das cores e de influências old school – velha escola, em tradução livre. O termo faz alusão aos grafites nova-iorquinos produzidos nos anos 1980. Já L.F. Iogs, também em cartaz, trabalha com uma linha voltada para os anos 2000, com cores mais limpas e grande uso de setas. “É legal porque na exposição você consegue fazer um comparativo entre essas linguagens, já que as obras estão posicionadas uma ao lado da outra”, destaca o curador.

A seta é uma forma de dar movimento à leitura dos tipos. “Foi muito utilizada nos anos 1980, conhecida como wild tail. É uma forma de brincar com a letra. Por exemplo, ao invés de a pessoa fazer um ‘i’, ela coloca a seta no lugar”, completa Tito.

Diferença entre grafite e pichação

O uso de cores é um dos pontos convergentes das obras, sendo, para o curador, uma grande característica das produções tupiniquins. “O grafite é caracterizado como algo sujo, à margem. O uso de cor faz o contraste dos trabalhos incríveis com os locais degradados”, explica Tito.

Para essa valorização, é feito um grande investimento por parte do artista. O custo do spray é alto, frisa. Isso sem falar no fator velocidade. “Se uma pessoa pensa em pintar um espaço, ela vai com o que tem porque aquele espaço pode sumir a qualquer momento”, resume.

Quando questionado sobre a diferença entre grafite e pichação, o artista é categórico: “não há”. “Nos anos 1980, a prefeitura de Nova York criminalizou qualquer grafite, e acredito que a arte chegou no Brasil com esse estigma”. Para ele, o grafite figurativo acabou ganhando espaço. Porém, destaca, as tradicionais “tags” (assinaturas ou nome dos artista) continuam marginalizadas.

Além da exposição, o curador e artista Tito Senna ministra uma Oficina de Letras, dia 30 de maio, onde fala sobre a origem do graffiti, a influência das letras nesta arte e a diferenças entre os estilos. O encontro é aberto ao publico e limitado a 30 vagas. As senhas para a oficina serão distribuídas a partir de uma hora antes do início.

P, de Rodrigo Grau (Crédito: Divulgação)

Serviço:

Streetype – Tipografia das Ruas de A à Z
Quando: Até 22 julho
Nas Galerias Piccola I e II da Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul)
Visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 21h
Entrada franca
Informações: 3206-9448 e 3206-9449
Classificação livre

 

Confira abaixo mais exposições em cartaz:

Fátima Moura
Esta é a última semana para conferir a exposição de Fátima Moura. Em cartaz até sábado (2), 16 peças exploram, entre a tinta acrílica e a tela, cores vibrantes e feminilidade – principais temáticas da artista. Na galeria do Pátio Brasil Shopping (Setor Comercial Sul), das 14h às 20h. Entrada franca. Informações: 2107-7400. Classificação livre.

Basquiat
Obras do celebrado artista nova-iorquino Jean-Michel Basquiat seguem em exibição até sexta (1). Mais de 80 obras englobam quadros, desenhos e gravuras. De 9h às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). Entrada franca. Informações: 3108-7600. Classificação livre.

Todos os sentidos
Pensada principalmente para deficientes visuais, a exposição Brasília em Todos os Sentidos cria experiência sensorial em relevos feitos a partir de fotos sobre a capital. No Museu Nacional da República (Eixo Monumental) até domingo (3), das 9h às 18h30. Entrada franca. Informações: 99931-7100. Classificação livre.

Oscar Niemeyer – Territórios da Criação

O Tribunal de Contas da União (Setor de Clubes Esportivos Sul) recebe desenhos e croquis originais do arquiteto Oscar Niemeyer, de 9h às 21h, até o próximo dia 9. Além disso, outros itens estão à mostra na exibição, que é considerada uma síntese dos trabalhos do arquiteto. Entrada franca. Informações: 3316-5221. Classificação livre.

 

J.Borges

A exposição em comemoração aos 80 anos de José Francisco Borges, na Caixa Cultural (Setor Bancário Sul), foi adiada por problemas no transporte em equipamentos, devido à mobilização de rodovias pela greve dos caminhoneiros. Explorando as oitos décadas de vida do artista, conhecido como J. Borges, a mostra retrata o folclore nordestino em 30 xilogravuras (10 inéditas) com temáticas tradicionais do pernambucano. Apesar de confirmada, ainda não há previsão de abertura.


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