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Cidades

Volume de entregas dos Correios cai e dificulta serviço no DF

Ana Clara Arantes
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A greve dos caminhoneiros tem afetado cada vez mais os Correios. De acordo com a empresa, o número de encomendas entregues na sexta-feira (25) em todo território nacional reduziu cerca de 40% em relação ao usual. Isso porque os caminhões de entrega não teriam conseguido chegar aos destinos. Já nesta segunda-feira (28), o volume nacional foi 45% menor.

Apesar do pouco movimento nas agências do DF, a equipe do JBr. encontrou o analista financeiro Davi Aires, de 37 anos, postando uma encomenda na tarde desta quarta-feira (30). Ele enviou um convite de casamento para um amigo de Maceió. “A primeira pergunta que fiz foi se está tendo entregas e a funcionária me respondeu que sim, mas com um pouco de atraso. Como o casamento é só em setembro, não me preocupei”, conta.

Aires aproveitou, porém, para relatar problemas com recebimento de boletos. “As correspondências de cobranças têm chegado com prazo de pagamento vencido, mas como os juros são cobrados na fatura seguinte, provavelmente devem cortar e, se isso não acontecer, terei que comunicar que a fatura chegou posteriormente à data de vencimento”, detalha.

Segundo uma funcionária da agência onde o analista postava o convite, as coletas nas agências estão normais, mas foram acrescentados cinco dias a cada prazo de entrega. Ela afirma não saber como as correspondências chegam dos centros de distribuição aos destinos.

Matheus Venzi

Encomendas atrasadas

Jéssica Iris, 24 anos, tem uma loja de moda feminina e suas encomendas vêm de Goiânia e São Paulo. Ela fez os pedidos por volta do último dia 21 e eles foram postados no dia seguinte. Segundo a moça, as encomendas já estão em Brasília, na unidade de tratamento, mas ainda não chegaram ao destino. “Fui até os Correios perguntar se poderia retirar os objetos, mas me informaram que só posso retirar no local após três tentativas de entregas na minha casa”, lamenta.

A greve dos caminhoneiros também está dificultando a empresária a fazer as próprias entregas, já que não consegue abastecer seu carro e os ônibus não a atendem. “Sábado fiquei mais de uma hora esperando por um ônibus. Só consigo fazer entregas próximas à minha casa ou em lugares em que posso chegar de metrô”, explica.

A impossibilidade de reposição de peças também prejudica seu trabalho e já impactou nas vendas de Jéssica. “Estou tendo um grande prejuízo, por trabalhar com entregas. Não consigo levar produtos e nem realizar vendas há uma semana”, se resigna.

Ponto de vista

Felipe Borba Andrade, advogado especialista em defesa do consumidor, explica que em caso de atraso das entregas, o consumidor tem o direito de exigir o cumprimento do prazo contratado e que, caso esse prazo não tenha sido realizado, poderá acionar o judiciário para exigir eventual reparação por dano patrimonial ou dano moral. Para o processo, há um prazo de até cinco anos.

“Durante a apresentação da defesa dos Correios, a empresa terá que provar a excludente de culpabilidade, ou seja, que a culpa do atraso ou não entrega não é dela, mas sim da paralisação”, esclarece.

Para Andrade é preciso ter bom senso: “Tudo depende do caso. Pode acontecer um atraso suportável pelo consumidor, como pode ocorrer um atraso que tenha causado algum dano a ele, então, talvez valha a pena a discussão”.

Versão Oficial

Os Correios esclarecem que os objetos que já se encontravam no centros de distribuição estão sendo entregues normalmente. Já quanto aos objetos em trânsito ou que estavam na origem quando a greve dos caminhoneiros iniciou, ainda não é possível avaliar o tempo de atraso, pois depende da duração da paralisação dos caminhões.

A empresa ressalta ainda que estão aceitando postagem de cartas e encomendas (Sedex convencional e PAC) normalmente, porém os prazos de entregas foram ampliados. Já os serviços com dia e hora marcados como Sedex 10, Sedex 12, Sedex Hoje, Disque Coleta e Logística Reversa Domiciliária estão temporariamente suspensos.

De acordo com a empresa, ainda não é possível mensurar o tempo necessário para a regularização das entregas dos objetos em trânsito, pois os prazos dependerão do período que durar a greve dos caminhoneiros.

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