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Verbas para aquisições na Feira do Livro foram cortadas nas escolas

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Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

Era uma vez um incentivo do governo para que as escolas da rede pública encorpassem o acervo de suas bibliotecas a cada Feira do Livro. Em anos anteriores, o valor ultrapassou R$ 1 milhão, em benefício dos quase 600 colégios. Mas, em 2016, será a metade disso: cerca de R$ 500 mil, distribuídos entre todas as regionais de ensino. A justificativa oficial é o momento econômico delicado do DF, o que não ameniza a sensação de que a educação ainda não é encarada como prioridade.

“Um livro novo custa na faixa de R$ 30 a R$ 40, então não vai dar para comprar muita coisa”, resigna-se Rosângela Marques Esteves, coordenadora da sala de leitura da Escola Classe 15 de Taguatinga Norte, ao lado da colega Janete de Lima Borges.

Elas revelam que, neste ano, a instituição recebeu R$ 729 para ir às compras, menos de um quarto dos R$ 3,15 mil disponibilizados pelo GDF à época da Bienal do Livro, em 2014. “O Ministério (da Educação) envia uma quantidade de livros todo ano, mas não dá para deixar o acervo atualizado só com isso. O mercado literário é dinâmico e difícil de acompanhar”, reclama Janete.

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Para o mestre e doutor em Educação Célio de Cunha, a redução no investimento é um sintoma da falta de importância atribuída ao hábito de ler.

“Por outro lado, estamos em situação econômica difícil, então não dá para esperar muito”, reconhece o especialista.

“Hoje, boa tarde das famílias tem condição de ajudar no crescimento das bibliotecas escolares, então elas devem se unir às escolas e aos professores”, sugere Cunha.

Esforço recompensado

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As professoras Janete e Rosângela se orgulham da sala de leitura montada com recursos arrecadados pela própria Escola Classe 15 em festas para a comunidade, há oito anos. Apesar do espaço acanhado, o acervo de quase oito mil obras, que atende a 470 crianças de 22 turmas, é considerado um tesouro.

Os colegas de classe Caio Daniel Pereira, 8 anos, e Thifany Mendonça, 9, do 3º ano, destacam a importância do “cantinho de leitura”. “Todo dia eu leio alguma coisa. O que mais gosto é de gibi”, alegra-se Caio Daniel.

Sua amiga não fica atrás. “Gosto também da Turma do Sítio (do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato). Sempre que minha mãe chega com livro novo em casa, eu pulo de felicidade”, conta Thifany.

Ela é um exemplo de como o hábito pode ajudar na alfabetização. A menina lê com desenvoltura e se expressa bem. “Ler desenvolve a oralidade. É uma arte que ajuda até a lidar com as próprias emoções”, atesta a professora Janete.

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Para o especialista Célio de Cunha, iniciativas como essa são fundamentais para o desenvolvimento intelectual. “Monteiro Lobato já falava, nos anos 1920, que uma pessoa que lê vale por duas”, diz. Para ele, os hábitos iniciados na infância devem ter continuidade: “As nações mais adiantadas são as que mais leem”.

Saiba mais

A 32ª Edição da Feira do Livro de Brasília, ausente do calendário da cidade desde 2013, acontece desde o último sábado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental).

O evento vai até este domingo, com palestras de escritores locais, workshops e sessões de autógrafos.
Secretaria admite problema

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O subsecretário de Educação Básica Daniel Crepaldi concorda com a necessidade do investimento, mas se diz de mãos atadas em relação aos valores liberados para os vale-livro este ano. “Não foi o ideal, a gente queria dar mais, mas no momento não podemos”, admite.

Ele garante a transparência no uso da verba. “Os professores vão à feira com um cartão, e o vendedor carimba com valor vendido. A secretaria vai receber esses cartões e repassar às editoras. A quantia nunca sai da pasta”, explica.

Ele afirma não ter informações em relação à Bienal, que pode acontecer em novembro, mas adianta não enxergar possibilidade de envolvimento do governo na organização e na disponibilização de vale-livro.

“A gestão passada gastou em torno de R$ 4 milhões em vale-livro em um evento que entendemos ser de caráter privado. Ao todo, foram R$ 18 milhões na organização”, critica, reiterando que a Feira do Livro teria aspecto e motivação diferentes por ser iniciativa de um sindicato, o dos Escritores do DF, e não ter fins lucrativos.

Conforme a organização da feira, os R$ 500 mil em vale-livro, se gastos integralmente, irão exclusivamente para as editoras com estandes em exposição. Uma das ideias do Sindicato dos Escritores era cobrar ingresso de R$ 10 para custear a infraestrutura. No entanto, como o espaço no Centro de Convenções foi cedido pela secretaria, não puderam fazer isso.


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