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Vencedoras podem amamentar

Oncologista fala acerca dos mitos e verdades sobre a amamentação pós câncer de mama

Lindauro Gomes

Publicado

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Larissa Galli
larissa.galli@grupojbr.com

No mês em que se celebra a importância da amamentação, o Agosto Dourado, entra em pauta também a discussão sobre a possibilidade das mamães amamentarem seus bebês após passarem por tratamento para o câncer de mama. Segundo a oncologista Ludmila Thommen, especialista neste tipo de câncer, não existe resposta definitiva para a questão e é preciso analisar caso a caso.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, a médica explicou que a amamentação não aumenta o risco de aparecimento de um segundo tumor e nem a chance da doença voltar. “Não há contraindicação do aleitamento para mulheres que passaram pelo tratamento de câncer de mama. A paciente que não precisou retirar as mamas na cirurgia pode amamentar, sim”, destaca. Mas, no caso das mulheres realizaram mastectomia para o tratamento do câncer e retiram toda a mama e os ductos mamários, a amamentação não é mais possível.

Ludmilla também deixou claro que a amamentação pós câncer de mama não oferece nenhum risco ao bebê.

“O leite da mãe não aumenta as chances da criança desenvolver algum problema ou doença. As medicações que a mãe tomou também não são passadas para o bebê por meio do aleitamento”, ressalta.

Porém, a oncologista ressalta que a quantidade de leite produzida pela mama atingida pelo câncer pode ser menor que a da outra. Isso porque, em determinados tratamentos, a radioterapia e a irradiação na mama podem afetar as células responsáveis pela produção de leite.

Ludmila também disse que é importante recomendar às pacientes que aguardem um tempo relativo depois que acabar o tratamento para engravidar e estejam sempre em acompanhamento com um médico profissional. “Cada caso é individual, por isso é preciso consultar um médico. O importante é ressaltar que o câncer não vai ser um fator de impedimento e dificuldade para que as mães amamentem seus bebês”, pontua.

“Cada vez mais mulheres jovens têm diagnósticos de câncer de mama e ainda têm desejo de engravidar. Não podemos desencorajá-las”, finaliza.

Mamãe muito confiante

De acordo com Ludmila, a mãe pode tentar amamentar até mesmo se tiver feito cirurgia conservadora, também chamada de quadrantectcomia, que retira apenas uma parte da mama. É o caso de Ana Beatriz Melo, de 38 anos. Há dois anos, ela descobriu que estava com câncer de mama. Hoje, está grávida de 38 semanas e espera poder amamentar seu segundo filho.

Quando descobriu a doença, sua primeira filha, Mariana, tinha somente dois anos, mas já havia desmamado. Ela amamentou a menina apenas por 45 dias porque não teve muita produção de leite. Agora, enquanto espera Gabriel nascer, Ana afirma estar confiante para amamentar seu bebê.

“Minha obstetra disse que é possível eu amamentar o Gabriel mesmo já tendo passado pelo câncer”, revela Ana Beatriz.

Ana sentiu um nódulo na mama direita por meio do autoexame quando visitava os pais em Maceió, em abril de 2017. Ela fez a cirurgia de quadrantectcomia e começou o tratamento logo em seguida. Depois de um ano e meio, voltou para Brasília e sete meses depois que terminou o tratamento, descobriu a gravidez.

Benefícios 

  • De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser o alimento exclusivo para as crianças até os seis meses.
  • Até os dois anos, o leite materno deve ser complementado com outros alimentos variados.
  • Além dos benefícios para as crianças, a amamentação protege também as mães quanto ao risco do câncer de mama.
  • Um estudo realizado pelo Grupo Colaborativo de Fatores Hormonais no Câncer de Mama, em 2002, apontou que, para cada 12 meses que uma mulher amamenta, seu risco de câncer de mama diminui em 4,3%.
  • Além disso, o estudo também revelou que as mulheres que amamentaram por mais de 13 meses tiveram 63% menos probabilidade de desenvolver câncer de ovário em comparação com as mulheres que amamentaram por menos de sete meses.

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