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Turismo rural vira tendência

Para fugir de aglomerações, brasilienses tendem a curtir locais mais isolados neste fim de ano

Vítor Mendonça

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O turismo rural é a aposta para o engajamento dos visitantes e dos moradores do Distrito Federal durante o período deste fim de ano, no qual muitos aproveitam para tirar férias. A escolha pelos roteiros mais afastados dos centros urbanos garante maior segurança e distanciamento social para evitar a contaminação e disseminação do novo coronavírus, além de contribuír para a saúde mental de muitos. De acordo com a secretária de Turismo do DF (Setur), Vanessa Mendonça, o foco principal está em quem já é da capital.

“O turismo interno é o que vai alavancar o setor, e o turismo rural no DF tem uma importância muito grande nesse sentido. Estamos estruturando, qualificando e promovendo esses roteiros. É sair da rotina sem sair de Brasília”, afirmou a chefe da pasta ao Jornal de Brasília. “A vantagem se dá por todas as atividades serem realizadas ao ar livre, onde o risco de contaminação pela covid-19 é mais baixo. Tudo o que é oferecido segue os protocolos de saúde para a prevenção”, continuou.

Pensando neste aspecto, a Secretaria preparou um roteiro para a Rota do Cerrado, voltado para 12 pontos turísticos que melhor representam o turismo afastado do centro e os ecoturismos do DF. Ainda segundo Vanessa, há o destaque para a rota Viva Lago Oeste, em Sobradinho, onde é possível encontrar turismo gastronômico, restaurantes recentemente inaugurados, turismo de contemplação da natureza, ecoturismo e turismo cultural, além de conhecer a produção agrícola familiar com produtos próprios.

Entre os benefícios das rotas rurais, a professora Tânia Montoro, do Centro de Excelência em Turismo (CET/UnB) e da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, destaca que o público mais visado nestes locais de contato próximo à natureza é destino muito procurado por famílias com crianças, uma vez que as atividades ao ar livre entretém tanto aos adultos quanto aos pequenos.

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Foto: Pedro Ventura/ Agência Brasília

“São locais menos fechados e lotados. Por sinal, o DF pode também desenvolver rotas turísticas para caseríos [casas rurais de construção tradicional] de fazendas antigas próximas ao DF. Precisamos sair desse pontinho comum da arquitetura de Brasília”, sugeriu a especialista. Para ela, é também uma das alternativas para evitar outras logísticas de viagem, visto que, para chegar a tais localidades afastadas, a opção pelo transporte em carro próprio é a mais adequada.

“Enquanto nenhuma vacina for efetiva, vamos sofrer com a questão do turismo. No aeroporto, o distanciamento é falho em alguns lugares, como em pontos de embarque em carros por aplicativo. […] As viagens de carro com a família na Europa, por exemplo, aumentaram bastante”, comentou. Toda a logística em trajetos por ônibus e aviões podem contribuir para a disseminação do vírus. “[As viagens em carros] também são vetores de aumento do turismo rural”, completou.

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Apesar do grande benefício à saúde e à prevenção de contato com a covid-19 nas rotas rurais, Tânia atenta para a falta de educação básica nas rotas rurais. Segundo ela, são pontos que podem receber os prejuízos do descarte inadequado de lixo por turistas, principalmente nas cachoeiras. “Essas são as grandes questões do turismo rural: a acessibilidade e o lixo”, afirmou. “As propriedades rurais não têm onde colocar o lixo e é um horror para ele ser recolhido. Às vezes, os caminhões que recolhem passam no local apenas uma vez por semana”, ressaltou.

Movimento cresce novamente

“A falta de educação brasileira é conhecida no mundo. As ruas e o espaço público são entendidos como não sendo de ninguém, então se qualquer coisa neles. É um dos riscos para o turismo rural. É uma das questões que precisa ser muito observada e desenvolvida, senão você estará contaminando a natureza ao invés de ajudar”, disse Tânia Montoro.

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Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as atividades turísticas no Distrito Federal tiveram um aumento de cerca de 25,6% no mês de agosto, ficando acima da média nacional, de 19,3%. Outros comuns destinos de turismo como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pernambuco variaram entre 12,7% e 16,3% nas movimentações do turismo.

Levantamento feito pela Inframerica à Setur mostra resultados que demonstram cenário favorável à visitação na capital. “De acordo com a administradora [Inframerica], o Aeroporto de Brasília já recuperou 65% do movimento antes da pandemia. Só em outubro, foi registrado um fluxo de 792.683 passageiros e 7.816 voos. O aumento de passageiros foi 26,6% a mais que setembro e 1.649% a mais que em abril, quando registrou o pior movimento dos últimos 25 anos.”

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Em parceria com a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial da Humanidade (OCBPM), a Setur/DF lançou ontem o programa “Brasília Patrimônio Mundial em Realidade Virtual”, que deverá reunir os famosos pontos turísticos brasilienses em realidades virtuais para que admiradores da capital possam visitá-la sem sair de casa ou de qualquer outro lugar.

Saiba Mais

Além de Brasília, outros 23 pontos culturais, naturais e mistos do Brasil, reconhecidos pela Unesco, passarão pelo mesmo processo, sendo a capital a pioneira.

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O projeto terá quatro etapas para ser finalizado, sendo elas a de pesquisa e criação, pré-produção, filmagem e pós-produção, com duração de três a quatro meses de trabalho para levar Brasília à realidade virtual.

Para receber suporte, a Setur convida a população a investir no projeto, em parceria também com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A cada R$ 1,00 doado, o órgão complementará com mais R$ 2,00 os patrocínios. Cada contribuição poderá receber recompensas em troca.




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