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Tratamentos de ponta e de graça

Só neste ano, a rede pública de saúde do DF já realizou três cirurgias com técnicas inéditas

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em

Ana Karolline Rodrigues
ana.rodrigues@grupojbr.com

Nos primeiros seis meses do governo Ibaneis Rocha (MDB), 31.162 pessoas conseguiram fazer cirurgias em hospitais públicos do Distrito Federal. Cerca de 13.557 pacientes saíram das filas de espera por cirurgias eletivas e outros 16.889 foram atendidos em regime de urgência e emergência. Os resultados decorrem de uma força-tarefa promovida pela Secretaria de Saúde neste ano para melhorar o atendimento à população do DF.

Dentre os procedimentos realizados em 2019, as três cirurgias inéditas ocorridas no DF se destacaram como um marco para a rede pública de saúde local. A primeira, no dia 27 de abril, separou duas irmãs gêmeas siamesas ligadas pelo crânio. A segunda, no dia 25 de junho, foi a primeira cirurgia do Brasil realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para curar diabetes tipo 2. E a terceira, realizada no último dia 8, tratou uma infecção protética em um estágio cirúrgico pela primeira vez no país.

Em abril, a cirurgia que mudou a vida de Lis e Mel, as gêmeas siamesas de 11 meses separadas no Hospital da Criança de Brasília (HCB), foi a primeira do tipo a ser realizada no DF, a terceira do Brasil e a décima do mundo, de acordo com a Secretaria de Saúde. 

O procedimento considerado raríssimo durou cerca de 20 horas e mobilizou uma equipe de 50 profissionais, entre médicos brasileiros e estrangeiros. “Médicos, enfermagem, equipe de limpeza, nutrição enfim, todos foram muito importantes, não recebi nenhum ‘não’, recebi todo apoio. As gêmeas, Mel e Lis, foram separadas mas trouxeram união para equipe médica. Elas amoleceram os nossos corações”, disse à época o neurocirurgião Benicio Oton de Lima, que chefiou a cirurgia. Após 36 dias internadas, Lis e Mel receberam alta no dia 3 de junho.

Em 25 de junho, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) realizou a primeira cirurgia do Brasil para tratar diabetes do tipo 2 pelo SUS. De acordo com a Secretaria de Saúde, o procedimento acompanhado pelo governador do DF durou pouco mais de 40 minutos.

A paciente Eliete Alves da Costa Barros, era diabética há nove anos e precisava do procedimento para controlar a doença, mas amargava a espera há um ano e meio na rede pública da capital. Apenas dois dias após a cirurgia, ela recebeu alta no dia 27 de junho.

O procedimento foi uma espécie de bariátrica de redução do estômago e, desde 2017, é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina como uma terapia de cura da diabetes mellitus tipo 2. “Essa cirurgia custou R$ 35 mil no Albert Einstein. Aqui, ela vai sair de graça”, disse o governador Ibaneis. Agora, a equipe multiprofissional do Hran continuará acompanhando Eliete por cerca de um ano.

Na última semana, no dia 8 de julho, aconteceu no Hospital de Base, a terceira cirurgia inédita realizada no DF neste ano. Também o primeiro a ser feito no Brasil, o tratamento de infecção protética em um estágio cirúrgico foi conduzido pelo ortopedista Mário Soares, que passou três meses treinando a técnica e o tratamento em Hamburgo, na Alemanha.

Segundo o profissional, a paciente de 47 anos, que havia passado por uma cirurgia para colocação de prótese há seis meses, teve uma infecção e foi preciso fazer a reabordagem cirúrgica. De acordo com ele, o novo método possibilitou que em apenas uma intervenção, todo o procedimento fosse realizado.

Em uma cirurgia de quatro horas, os médicos tiraram a prótese da paciente, limparam a área infectada e necrosada e inseriram a nova prótese. Agora, ela deve apenas seguir o tratamento com antibiótico por, no máximo, 14 dias.

Saiba mais

Além das cirurgias de ponta, a Saúde do DF apresentou melhoria das estruturas físicas entre 1º de janeiro e 30 de junho deste ano. Neste período, o GDF adquiriu 12.194 itens de mobiliário, como longarinas para salas de espera, cadeiras fixas e giratórias, armários, mesas e estação de trabalho.

Ainda neste primeiro semestre do ano, foram entregues três novas unidades básicas de saúde (UBS) no DF: em Planaltina, em Santa Maria e na Estrutural. Também foram distribuídos R$ 5.362.530,82 para 173 UBS da rede.


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