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Tráfico de luxo ganha força no DF

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Manuela Rolim
Especial para o Jornal de Brasília

Um traficante de drogas no Plano Piloto chega a ter 300% de lucro. O alto rendimento explica um cenário preocupante para a Polícia Civil. A comercialização de substâncias ilícitas nas regiões de maior poder aquisitivo do DF cresce a cada dia. Na maioria dos casos, a venda e o consumo de entorpecentes são feitos por jovens universitários de classe média alta.

Somente nos últimos 30 dias, a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) prendeu oito pessoas com o mesmo perfil. Todas elas têm boa aparência, possuem uma clientela selecionada e só repassam substâncias da melhor qualidade e, consequentemente, mais caras. A preferência desses traficantes é pela venda de ecstasy, haxixe, skunk – tipo de maconha potencializada e outros tipos da droga ainda mais fortes.

Segundo a polícia, o comércio acontece, principalmente, nas asas Sul e Norte, lagos Sul e Norte, Águas Claras, Guará, Park Way e Vicente Pires. “Atualmente, existem dois tipos de traficantes no DF: os da periferia e os do Plano Piloto. No primeiro caso, há a comercialização da maconha de baixa qualidade, da cocaína misturada e do crack. O lucro, portanto, é muito menor”, explica o delegado da Cord, Luiz Henrique Dourado.

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Já os traficantes de classe média alta possuem uma margem de lucro altíssima. “Eles compram a droga em atacado. No caso da maconha do tipo skunk, por exemplo, adquirem cada porção por R$ 7 e vendem por R$ 20. Já tivemos casos em que a substância saiu até por R$ 30. Na ocasião, o traficante ofereceu o serviço de delivery e entregou a droga na casa do cliente”, lembra o delegado.

Segundo ele, o comércio é intensificado pela facilidade de comunicação entre criminosos e usuários. “Tudo é feito pelo celular. Os traficantes trabalham com uma lista de transmissão, uma tabela com os contatos de toda a clientela. Recentemente, prendemos um homem que tinha mais de 350 números. Na periferia, a negociação ainda é feita de maneira mais pessoal”, declara.

Traficantes negociam via celular, anunciam promoções e combinam a entrega com a maior comodidade ao usuário
Fotos cedidas ao JBr.

Traficantes negociam via celular, anunciam promoções e combinam a entrega com a maior comodidade ao usuário
Fotos cedidas ao JBr.

Marketing

O delegado ressalta ainda o marketing eficiente dos traficantes. “Assim que a droga chega, eles encaminham fotos, vídeos, promoções e preços atualizados das substâncias. Hoje, as informações são compartilhadas de maneira instantânea, não existe mais a necessidade de uma ligação ou de marcar um encontro. Antes, as encomendas eram feitas pessoalmente. Agora, o usuário não precisa nem falar com o traficante, o que ainda proporciona aos dois a falsa sensação de segurança da comunicação”, completa.

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De acordo com a polícia, ao serem presos, os traficantes costumam dizer que entraram no mundo do crime em virtude da crise econômica. “A maioria diz que era apenas usuário, mas, devido à crise, começou a vender para pagar as despesas de casa, como o aluguel e a faculdade. Outros comentam que os pais perderam o emprego e que estão com dificuldade para voltar ao mercado de trabalho”, acrescenta Dourado.

Prisões com mesmo perfil

No dia 20 de agosto, um rapaz de 21 anos foi detido no Conic e outro, de 25, em casa, no Guará. O primeiro morava em Samambaia, mas a família é de classe média alta e vive na Asa Sul. O segundo portava haxixe e skunk.

No dia 26 do mesmo mês, mais um homem de 28 anos, morador da Asa Norte, foi preso buscando droga no Gama para revender no centro da capital. Três dias depois, a Polícia Civil deteve um casal no momento em que fazia uma entrega de ecstasy em um bar de Águas Claras. Os dois eram estudantes de Engenharia Mecatrônica. A mulher, 20, morava em Vicente Pires e o homem, 22, na cidade onde foi preso. Já no início deste mês, os agentes da Cord prenderem dois irmãos, de 24 e 29 anos, no Park Way.

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Na última segunda-feira, mais um homem, de 29 anos e iniciais L.B.F., foi detido em flagrante em um apartamento na 208 Norte. Ele vai responder por tráfico e pode pegar de cinco a 15 anos de reclusão.

A polícia chegou ao suspeito depois várias denúncias que apontavam para o tráfico de drogas no Bloco B da quadra. “Fizemos um monitoramento da área, mas é um local complicado porque só tem uma entrada e o traficante atendia no apartamento. Não podíamos afirmar que a movimentação estava relacionada ao tráfico. Só depois de uma investigação minuciosa, confirmamos o crime e pedimos um mandado de busca e apreensão”, explica o delegado da Cord.

No local, foram apreendidas 150 gramas de skunk, uma pequena quantidade de haxixe e uma porção de droga desconhecida que ainda será analisada. Além disso, uma balança de precisão, R$ 2,5 mil em espécie e cinco ampolas de anabolizantes, que não foram incluídas nas acusações contra o suspeito até que se prove que não era para consumo próprio.

O homem morava sozinho e de aluguel. Ele é graduado em Educação Física e vendia as substâncias para estudantes da Universidade de Brasília. “A localização do imóvel facilitava o comércio. Ao ser abordado, o suspeito alegou ser apenas usuário, mas as circunstâncias não apontam para isso, até porque a droga já estava distribuída em porções. Testemunhas são unânimes em dizer que o apartamento parecia uma feira. O fato é que ele vendia, sim, drogas mais caras e de melhor qualidade”, conclui o delegado.

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