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Trabalhadores da gastronomia estão entre os mais afetados por desemprego

Essa situação ilustra como trabalhadores com menor renda, em funções de serviços gerais, encontram-se em situação de maior vulnerabilidade com a pandemia

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Arthur Vieira
Jornal de Brasília/Agência UniCEUB

“Atualmente eu estou sem nenhuma outra fonte de renda. Pedi o auxílio emergencial já faz um mês e ainda não recebi”, relatou Juan Gonçalves, de 19, que trabalhava em um restaurante no bairro Noroeste, em Brasília, mas que foi demitido devido à crise. Segundo Juan, o estabelecimento onde trabalhava tinha cerca de 52 funcionários, e todos tiveram o mesmo destino. “Alguns foram demitidos, outros com o contrato suspenso, e devido à pandemia, decidiram que terão de fechar as portas”, disse.

De acordo com dados do IBGE, o setor gastronômico é um dos mais afetados pela pandemia, correspondendo cerca de 5,4% dos casos de demissões e suspensões de contratos, apenas perdendo para os ramos da construção civil (6,5%) e serviços domésticos (5,6%).

Situações como essa ilustram como trabalhadores com menor renda, como em funções de serviços gerais, encontram-se em situação de maior vulnerabilidade com a pandemia. Segundo dados do IBGE, cerca de 1,22 milhão de brasileiros perderam seus empregos no primeiro trimestre de 2020, o que também fez com que aumentasse em 1,3% a demanda pelo seguro-desemprego, de acordo com o Ministério da Economia.

Além disso, o cenário exigiu a criação do auxílio-emergencial em meados de março, para assim amenizar a vulnerabilidade sentida por essas pessoas que eram inteiramente dependentes de seu empregos. Com isso, mais de 118 milhões de brasileiros requisitaram o benefício, sendo 60 milhões destes já aceitos, e ainda seis milhões em análise. Porém, segundo dados do Ministério da Economia datados, cerca de dez milhões não chegaram a receber o auxílio.

De casa

Por outro lado, outros trabalhadores possuem o privilégio de poder atuar de casa. Rafaela Paulino, de 26 anos, coordenadora de computação digital, e que trabalha no ramo há três anos, conseguiu manter suas atividades on-line, mesmo com alguns contratos renegociados ou suspensos na confederação a qual trabalha. “Acho que o home office dá um pouco mais de liberdade em relação ao trabalho e organização de horários. Acredito que hoje eu esteja muito mais produtiva em relação ao trabalho”, afirmou Rafaela. Trabalhadores de outros ramos, principalmente da área digital, também puderam ir por esse caminho, já que seu objeto de trabalho também está presente em suas casas.

A OIT, por meio de uma nota de orientação, publicou medidas para que um possível retorno ao trabalho presencial seja feito da forma mais segura, com foco maior nas pessoas. Porém, com o Brasil sendo hoje considerado o epicentro da pandemia do novo coronavírus, com mais de 800 mil infectados e cerca de 40 mil óbitos, além de médias de 25 mil casos novos e 1 mil mortes por dia; um cenário como esse está cada vez mais distante.  “O melhor seria ter algum plano dos governos para aquecer a economia ao fim desse período para tentar reinserir essas pessoas no mercado de trabalho. Mas não sei se ocorrerá”, afirmou um dos responsáveis por licitações e compras diretas na Câmara dos Deputados, Eduardo Gallo.

Segundo Renan Silva, economista da Bluemetrix Asset, pode ser que isso realmente não ocorra. “O que vejo é uma pressão muito grande pela volta das atividades econômicas, a flexibilização da quarentena”, afirmou Renan. Para ele, o reequilíbrio das finanças e da economia nacional só será feita a longo prazo, de forma gradual, e com o apoio do Estado, seja na geração de créditos ou baixando a taxa de juros. “O que observamos nesses últimos anos é que os pilares para reconstrução são melhores do que anteriormente, por exemplo a baixa inflação, juros na mínima histórica e reservas cambiais elevadas. Eu vejo uma recuperação a partir do momento que se controle o surto”.




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