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Setor cultural e criativo é um dos mais afetados pela pandemia de covid-19

Com shows, eventos e convenções cancelados e adiados por tempo indeterminado, artistas, produtores e empreendedores perderam suas receitas

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Dados divulgados pela Firjan nesta semana indicam que o setor cultural e criativo, responsável por cerca de 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB), foi um dos mais afetados pela crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Com shows, eventos e convenções cancelados e adiados por tempo indeterminado, artistas, produtores e empreendedores perderam suas receitas, o que levou a um alto índice de demissões no mercado.

Uma pesquisa feita em todo o território nacional apresenta o impacto da pandemia nos setores cultural e criativo brasileiro. O trabalho foi coordenado pelos pesquisadores Pedro Affonso, Rodrigo Amaral e André Lira, com apoio da UNESCO no Brasil, Sesc, USP, Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura e treze Secretarias Estaduais de Cultura.

Os participantes foram perguntados sobre os impactos do isolamento social nas suas receitas durante os meses de março a julho deste ano, e sobre suas expectativas para o segundo semestre. Entre março e abril, 41,8% deles perderam a totalidade de suas receitas, e entre maio e julho esta proporção elevou-se para 48,88%. O Distrito Federal foi o local que mais registrou perdas totais de receita entre maio e julho (59,2%) e o Mato Grosso do Sul registrou o menor percentual (16%). Os setores mais afetados com a perda total de receitas entre maio e julho foram as artes cênicas, feiras e festivais, moda, cultura, hip-hop e música.

Realizada entre junho e setembro deste ano, a pesquisa obteve 2.667 respostas de indivíduos, pessoas jurídicas e empreendedores, em 472 municípios. O Nordeste foi a região com maior participação, com 31,08% das respostas, seguida do Sudeste, com 27,59%. O estado e a capital com maior participação foram a Bahia e Manaus (AM), respectivamente. O setor mais representado na pesquisa é o de artes cênicas, seguido de música, artes visuais e artesanato. A maioria dos respondentes foi do sexo feminino, com 53,2%. Do total de pessoas que responderam ao questionário, cerca de 35% estão na faixa etária entre 30 e 39 anos.

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O ano de 2020 registrou um grande número de demissões. Cerca de 44% das organizações demitiu a totalidade dos colaboradores. As contratações de serviços de terceiros registraram redução de 43,16% no período de março a abril. Entre maio e julho, o percentual aumentou para 49,16%. O setor de festivais e feiras foi o mais impactado. Entre os serviços que foram contratados mesmo diante da crise, destacam-se a publicidade na internet (19%), as ferramentas online para trabalho remoto (12,6%) e o serviço de internet de banda larga (6,94%).

Há um ceticismo para o balanço financeiro de 2020. A maioria da amostra disse acreditar que perderá a totalidade de sua receita – o setor de artes cênicas é o mais pessimista, em contraste com o setor de design e serviços criativos. Em relação a algum tipo de assistência, entre março e abril, 21,23% das organizações não receberam nenhuma forma de apoio. Cerca de 26,58% receberam auxílio-emergencial, que foi usado, prioritariamente, para manutenção da sede, dependências e escritórios.




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