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Secretário pode estar com dias contados

Saída de Osnei Okumoto é especulada por integrantes da pasta após crise em licitação de compras

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O secretário de Saúde, Osnei Okumoto. Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Lucas Valença
lucas.valenca@grupojbr.com

A crise na Secretaria da Saúde, que já chegou a derrubar mais de 40 servidores da pasta, tem deixado o comando do Governo do Distrito Federal (GDF) atento aos novos desdobramentos. Há a especulação de que o atual secretário, Osnei Okumoto, não sobreviva aos abalos que vem sofrendo. Recentemente, o governador Ibaneis Rocha (MDB) se reuniu com o subordinado para cobrar explicações sobre a licitação que chegou a ser questionada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

No mês passado, o TCDF também emitiu uma decisão que suspendeu o pregão eletrônico de uma empresa que seria contratada para fazer a logística da secretaria. Só que a atitude de se antecipar e derrubar as compras que estavam sob suspeita parece ter agradado ao chefe do Executivo, dizem fontes.

Caso o secretário não permaneça no cargo, um plano já chegou a ser traçado. Em um primeiro momento, seria escolhido um servidor da própria pasta para comandar a secretaria de forma interina. Um ou dois meses depois, com a escolha do nome, o governo nomearia alguém efetivo.

Carta na manga

Um ex-servidor da secretaria de Saúde informou que o vice-presidente do Sindicato dos Médicos (Sindmedico-DF), Carlos Fernando da Silva, está entre os possíveis cotados para assumir a pasta. A informação chegou a ser confirmada com outros dois servidores da pasta e um integrante empresarial com influência na atual gestão. O nome do médico é simpático ao governador Ibaneis e já chegou a ser cogitado no passado, quando a atual gestão montava seu secretariado.

Procurado, Carlos Fernando, que está em viagem, contou que não foi informado sobre seu nome ser cogitado para o cargo, mas ressaltou que qualquer decisão “precisa ser conversada”. Ele ponderou, no entanto, que as gestões precisam ter uma marca e um tempo mínimo para mostrar resultado. “É preciso dar um tempo na pasta para ver a linha de conduta de cada um”, disse.

Carlos Fernando lembrou que o sindicato dos médicos tem acompanhado o trabalho do GDF e do atual secretário, mas a entidade ainda aguarda ser chamada para uma conversa sobre os assuntos da saúde local. A reunião chegou a ser solicitada no começo do ano. “Ainda há muita coisa para se fazer, mas ainda não posso avaliar [a atual gestão], porque estamos observando de fora”, ponderou.

Pasta é estratégica

De acordo com Carlos Fernando, o Sindicato dos Médicos já chegou a ter atritos por considerar que o Buriti tomou decisões sobre a saúde sem dialogar com a categoria. No passado, o presidente do sindicato, Gutemberg Fialho, já se posicionou contra interesses do governador, mas Fernando nega que haja problemas de relação com o GDF. “Foi apenas um posicionamento de instituição, nada que uma conversa e um bom diálogo não resolvam”, acredita.

Área sofre com lobby

A complexidade da pasta e a intenção de se construir seis UPAs no DF faz com que a secretaria, que já é uma das mais complexas do GDF, se torne estratégica para uma possível ambição política do governador Ibaneis. A área da saúde possui uma capilaridade maior com o público pelo imediatismo das consequências provenientes da área, caso não funcione de maneira adequada.

Um integrante do alto escalão do Executivo local contou que houve uma cobrança ao secretário da pasta na semana passada, feita pelo governador Ibaneis Rocha. No entanto, após conversas, por enquanto as declarações são no snetido da permanência de Osnei Okumoto no cargo. “Como o secretário cancelou a licitação que havia apresentado problemas, não há no que se falar em troca”, disse.

A certeza é que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) sofrerá uma mudança no comando e receberá um novo gestor. Sobre a possível indicação de Carlos Fernando para o cargo, a fonte nega que se cogite o nome neste momento, mas ressaltou que o vice-presidente do sindicato possui um diálogo aberto com o governador.

Há uma visão dentro do governo, e expresso pelo integrante do GDF, de que a secretaria de Saúde têm sofrido com diversos lobbys (influências de interesses privados nas gestões públicas), de diversas áreas. “Até hoje a pasta tem pessoas encruadas e que não querem perder a boquinha”, afirmou.


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