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Rollemberg acerta na decisão e erra na política

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Não há mesmo condições financeiras para pagar agora a terceira parcela dos aumentos salariais concedidos no governo passado aos servidores do governo de Brasília. Não há, também, como dar aumento para os policiais civis. Se desse os reajustes salariais, o governador Rodrigo Rollemberg (foto) estaria sendo irresponsável.
O governador, porém, deveria ter recebido pessoalmente os dirigentes dos sindicatos para explicar detalhadamente a decisão, não delegar a tarefa a secretários. E isso deveria ter sido antes de dar entrevista anunciando à população o que se sabia há quase duas semanas.

Passou arrogância e medo de encarar os sindicalistas.

Faltou a atitude de pedir desculpas

Rollemberg deveria também ter pedido desculpas aos servidores por não ter podido honrar o compromisso que fez com eles, no ano passado, de pagar agora em outubro. E de não estar cumprindo, ainda que por motivos fortes, as leis que autorizaram os aumentos.

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Reconhecer o erro de ter prometido o que não pôde cumprir e pedir desculpas por isso e por não pagar teria sido uma atitude de grandeza.

Há crise, mas se gasta com eventos

s dificuldades financeiras do governo de Brasília são grandes. Há déficit nas contas, dívidas não pagas, gastos maiores do que as receitas. O governador e seus secretários têm apresentado os números e quem não acredita deveria pedir acesso total e completo às contas, para verificar se o quadro é real.

Mas o próprio governo perde credibilidade quando, ao mesmo tempo em que mostra as dificuldades e não honra compromissos com servidores e fornecedores, já gastou este ano R$ 3,7 milhões com eventos “culturais” e R$ 2,1 milhões com homenagens e festividades. Fora viagens e outros gastos dispensáveis.

Velhos políticos são insaciáveis

Não tem sentido, em momento de crise, gastar R$ 100 mil com rodeio e shows sertanejos e R$ 360 mil com cantores e bandas e patrocinando evento religioso. Os números estão em matéria de Helena Mader no Correio Braziliense.

Por trás desses gastos está, seguramente, a velha política: o governo atende a pedidos de deputados que fazem graça com dinheiro público. Se as práticas tradicionais estão mantidas, ainda recebem um troco. Afinal, há crise ou não?

Por que o tratamento privilegiado?

Para ser coerente, o governador não deveria ter sancionado o aumento de 18% concedido em julho aos servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas. O impacto será de R$ 64,2 milhões até 2018. Não vetando, assumiu a responsabilidade.

TCDF nega lentidão e explica ações

Com elogiável rapidez e profusão de informações, a assessoria de comunicação do Tribunal de Contas enviou nota com esclarecimentos sobre o que foi aqui publicado. É um ponto a ponto detalhado, no qual procura justificar cada interferência do TCDF em licitações e contratos do governo.

A maior crítica aqui feita foi a lentidão no exame dos editais e a interrupção por longo tempo dos processos de licitação e de assinatura dos contratos. O TCDF refuta. No caso da compra de equipamentos de urologia, por exemplo, a nota destaca que a Secretaria de Saúde demorou seis meses para responder a uma solicitação do corpo técnico.

O TCDF “analisa os editais de licitação com a maior celeridade possível”, assegura a nota. Mas há casos, diz, que exigem exame mais apurado, como o da licitação para a dedetização de escolas, que teve um custo estimado, pela Secretaria de Educação, 15 vezes maior que o do mercado.

Pedidos de vista atrasam julgamento

No caso da contratação de empresas de vigilância, cuja demora foi denunciada pelo deputado Chico Vigilante, o TCDF informa que o processo entrou em pauta no dia 19 de julho e, depois dos pedidos de vista, deverá ser apreciado pelo plenário amanhã. Os pedidos de vista, pois, atrasaram o exame por três meses.

A nota do TCDF procura demonstrar a existência de irregularidades em todos os casos citados na coluna e em alguns responsabiliza os órgãos do governo pelos atrasos e demoras.

Tempo demais nas gavetas

Não se questiona o papel do TCDF no controle e na fiscalização das contas, nem que haja irregularidades e pontos duvidosos nos editais, licitações e contratos. O problema, embora a nota negue, é o tempo excessivo em que processos ficam parados com os conselheiros.

Para gente do governo e até para servidores técnicos do TCDF, nada justifica essa demora, embora alguns especulem explicações que não deixam bem alguns conselheiros. Seria preciso definir com mais precisão o que é a “celeridade possível” de que fala a nota.

Brigar é mesmo perigoso

As autoridades do governo não levam suas reclamações contra o TCDF à frente nem denunciam o que consideram excessos e atitudes condenáveis. Relutam e demoram até em informar que processos estão, segundo eles, há tempo demais no tribunal.
É grande o potencial de retaliação dos conselheiros, que julgam as contas dos dirigentes e ordenadores de despesas do Executivo e podem recomendar à Câmara Legislativa a rejeição das contas do governador.


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