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Rodoviários param em cobrança por reajuste salarial e governo aciona a Justiça

Da Redação
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O brasiliense que depende de ônibus não consegue se locomover na manhã desta segunda-feira (28). Isso porque rodoviários fazem uma paralisação relâmpago, em uma pressão por reajuste salarial. Não há registro de ônibus regular circulando em nenhuma Região Administrativa, mas o Metrô-DF funciona normalmente. A paralisação deve durar o dia todo.

Segundo a Associação das Empresas Brasilienses de Transporte Urbano de Passageiro (Abratup), que representa todas as empresas do transporte rodoviário, o sindicato não notificou a entidade sobre greve ou paralisação. Alguns trabalhadores, inclusive, foram pegos de surpresa com o ato e impedidos de deixar as garagens.

O sindicato dos rodoviários não está satisfeito com o reajuste conseguido no início de julho. De acordo com José Carlos da Fonseca, diretor da entidade, a paralisação ocorre para pressionar a conclusão da data base da categoria. “Nosso objetivo era um reajuste de 10%. Nos ofereceram 4% com promessa de, em 30 dias, repassarem um ganho real. Agora as empresas voltaram atrás”, explica.

Para Fonseca, a discussão, que vem desde maio, já deixa a população em alerta para a possibilidade de greves. No entanto, ele admite que todos foram pegos de surpresa em virtude do horário.

Agora, a nova proposta da associação é aumentar o reajuste salarial para 4,5%, ticket para 5%, cesta básica para 6%, plano de saúde e odonto para 12%. Mesmo assim, em assembleia no fim da noite de ontem, os rodoviários decidiram parar.

Além do Metrô, micro-ônibus de cooperativas rodam normalmente. Por conta do aumento de carros particulares nas vias da cidade, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o Detran liberaram as faixas exclusivas da EPTG, EPNB, W3 Norte, W3 Sul e Setor Policial Sul liberadas até a meia-noite.

Governo considera ato ‘irresponsável’

Em nota, o Governo de Brasília disse que “considera irresponsável e desrespeitosa a paralisação” e afirmou que os rodoviários não cumpriram “os requisitos básicos da lei de greve, como a realização de assembleia e a publicação de aviso de greve, o que também surpreendeu o governo.

Segundo a nota, “a categoria já está recebendo, desde o mês de maio, o reajuste referente à inflação, mas infelizmente quer ganhos reais que não refletem a realidade econômica do País”. No texto, o governo diz que tem acompanhado há meses as negociações entre rodoviários e empresas, e tem tentado mediar soluções para as partes. O governo garantiu que já acionou a Justiça pedindo a manutenção e a continuidade do serviço público.

Transtornos

A paralisação provoca transtorno na vida de muitos usuários do transporte público. Stephane Lorrane, que mora em Ceilândia e estuda Letras na Universidade de Brasília (UnB), chegou a passar mal por conta da superlotação no Metrô. Para voltar para casa, ela vai utilizar um ônibus que faz o transporte de alunos do Campus Darcy Ribeiro para o campus Ceilândia.

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