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Reta final: juri se reúne para proferir sentença de Adriana Villela

Os debates aumentaram a temperatura no plenário. Protagonistas de discussões ao longo do julgamento, o MPDFT atacou a equipe da defesa de Adriana

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Olavo David Neto
redacao@grupojbr.com

A última sessão do julgamento de Adriana Villela, denunciada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) como mandante do assassinato dos pais, foi retomada após a pausa para o almoço com a réplica da acusação à fala da defesa e a tréplica dos defensores da acusada. Os debates aumentaram a temperatura no plenário. Protagonistas de discussões ao longo do julgamento, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) atacou a equipe da defesa de Adriana. Neste momento, o júri está reunido para proferir a sentença da ré.

O procurador Marcelo Leite pôs inclusive o dedo em riste na direção de Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de Adriana. “Não adianta gastar milhões com uma equipe de defesa. Dr. Antônio Carlos, o que o senhor fez foi um ataque pessoal e vil”, declarou o acusador. Leite também afirmou que o defensor “está acostumado com tribunais superiores, não com júri popular”, e, ainda segundo o membro da acusação, “enriqueceu e fez fama defendendo os maiores corruptos da República.”

Ainda de acordo com Leite, as redes sociais do órgão foram atacadas por “robôs” quando da divulgação do julgamento de Adriana Villela. “Tal é o poderio financeiro com o qual estamos lidando aqui”, sustentou o procurador. A assessoria do órgão não confirmou se foram robôs, mas apontou para uma “movimentação atípica” na publicação no Instagram que anunciava o Tribunal do Júri. Ainda de acordo com o MPDFT, foram milhares de mensagens de apoio a Adriana. As que continham ofensas e palavrões foram excluídas.

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Embates

O procurador Maurício Miranda definiu Adriana como “uma mulher que gostava de dinheiro”. Para ele, resta comprovado que a arquiteta “não tinha ligação emocional com o pai, ela mesma disse.” Ele também assegurou que Adriana gastava muito dinheiro consigo, e dizia com frequência que providenciaria sua independência financeira. “No entanto, não tomou providências para tal, a não ser o recebimento da herança”, declarou o acusador.

Ele também citou o álibi de Adriana no dia 28 de agosto de 2009, que, segundo ele, aponta falhas e janelas que a ré não conseguiu explicar. “Ela simplesmente não fala do que fez entre a tarde e à noite. Os horários que ela saiu da casa da amiga, na Vila Planalto, não batem com o depoimento dado por essa amiga em Natal (RN)”, disse o acusador, com breves participações do colega, Marcelo Leite.

No momento da tréplica da defesa, Kakay insistiu nas críticas feitas à Coordenação de Crimes Contra a Vida. “A Corvida levou um ano para interrogar o Leonardo”, bradou o defensor de Adriana. Criticados pela acusação por se embasar em provas coletadas sob supostas irregularidades – como tortura, por exemplo -, o advogado de defesa negou. “Se teve tortura na 8ª DP, isso deve ser apurado. Mas deve-se perguntar: a 8ª prendeu a pessoa certa? O que me interessa é isso”

Quanto à questão da vidente Rosa Maria Jacques, que coordenou informalmente os primeiros passos da investigação, quando a 1ª Delegacia de Polícia estava à frente das procuras, a defesa questionou a falta de ímpeto nas punições a Adriana, “se ela realmente estava envolvida.” “O MP denunciou a vidente, o marido, a Martha e o agente, mas não denunciaram a Adriana. Por que?”, disse Kakay.

Ao final de sua fala, Kakay demonstrou forte emoção ao se referir à acusada. Olhando para ela, com a voz embargada, disse ter orgulho por ter trabalhado na defesa dela, mas que ela poderia ter atuado em causa própria. “Eu quero agradecer a você, Adriana, que me deu a oportunidade de fazer uma defesa técnica. Com todas as dificuldades. Peço desculpas pelo atraso [no julgamento], por ter me exaltado. Eu vou ser bem sucinto: a Adriana é inocente.”


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