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Cidades

Redução do açúcar: nutricionista explica importância de medida do Ministério da Saúde

Publicado

em

Da Redação
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O Ministério da Saúde assinou nesta semana o acordo para a redução de açúcar em produtos industrializados. A meta é diminuir 144 mil toneladas da substância em bolos, misturas para bolos, produtos lácteos, achocolatados, bebidas açucaradas e biscoitos recheados, até 2022. Assinado pelo ministro da saúde, Gilberto Occhi, e os presidentes de associações do setor produtivo de alimentos, a decisão coloca o País entre um dos primeiros a adotar a medida.

Integram o acordo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi) e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) será responsável por monitorar a redução a cada dois anos, sendo o primeiro resultado divulgado em 2020.

Consumo alto no país
Os brasileiros consomem uma média de 18 colheres de chá de açúcar por dia, o que indica 50% a mais da quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse valor corresponde a 80 gramas de açúcar por dia, sendo 12 gramas o total indicado.

De acordo com o nutricionista esportivo e mestrando em educação física Omar de Faria, o açúcar está diretamente ligado a quase todas as doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão. Além disso, a substância é um dos complicadores e colaboradores da obesidade. “Os principais alimentos que mais contém açúcar são os biscoitos recheados, refrigerantes e misturas, como as de preparação de bolos. São alimentos que normalmente têm muito açúcar mascarado”.

Ele destaca que a redução é uma medida importante para evitar as doenças nas gerações futuras. “Uma redução do açúcar em alimentos do consumo das crianças evita que as futuras gerações sejam afetadas pelos males deste ingrediente, e diminui o principal fator que contribui para a obesidade.”

A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em junho de 2018 pelo Ministério da Saúde, mostra que a diabetes cresceu 54% entre os homens nos últimos 11 anos, e 28,5% nas mulheres no mesmo período. Enquanto isso, a obesidade, também relacionada com o alto consumo de açúcar, subiu mais de 60%.

O nutricionista acredita que a medida apresenta tanto aspectos positivos como negativos. “É bom para o consumidor porque ele vai conseguir perceber a real quantidade de açúcar que tem em cada alimento. Antes, não se tinha várias informações, porque muitos componentes não eram declarados; agora, essa medida vai trazer mais esclarecimento. Então, é positivo porque vai esclarecer a quantidade de açúcar no produto, mas, ainda, estamos longe de comemorar, porque é uma ação muito branda”, esclarece.

Omar aponta que teme um futuro posicionamento da indústria para suprir a redução do açúcar. “Acho que a ideia foi brilhante, mas minha preocupação é que a indústria use outros meios pra contornar essa falta do açúcar que podem deixar o produto pior” finaliza.

Sem açúcar

O empresário Eilton Oliveira, 62, passou a se preocupar mais com a saúde e mudou a forma de se alimentar, há mais de dez anos, quando descobriu ser diabético e estar com o colesterol alto. Ele mudou a dieta e trocou as massas por alimentos naturais. “Eu comia de tudo e não tinha preocupação nenhuma. Agora eu costumo fazer a minha ‘dieta da caverna’, como diz a minha médica. Como mais frutas, saladas, carnes variadas.”

Ele relata como foi passar pelo processo de aceitação da doença e diz que a mudança na alimentação passou a integrar a rotina de toda a família. “Primeiro você leva um susto, mas depois que passa a conviver com a doença, vai entendendo que não é o fim do mundo. Isso foi bom, porque lá em casa mudou os hábitos alimentares da família inteira. Tiramos açúcar, gordura, cortamos o sal. Chega a um ponto em que o açúcar passa a te incomodar, porque você já se acostumou a comer sem ele”, admite.

A estudante Giulia Soares, 20 anos, conta que precisou mudar os hábitos alimentares após descobrir que estava com anemia. “Eu tive que fazer uma dieta vegetariana para conseguir mais ferro no sangue, por causa da anemia. Tomava sulfato ferroso e comia muitos grãos, tipo feijão e grão de bico, e folhas, tipo couve.” A estudante, que agora tornou-se vegetariana, afirma ter adquirido a doença por não comer adequadamente. “Tive anemia porque minha alimentação não era muito boa. Comia muitos alimentos processados, muita fritura. Tinha dia que eu almoçava só arroz e nuggets; não comia salada, legumes e verduras. Além disso, comia muito doce também.”

A servidora pública Maria Dalva, 61 anos, recomenda ingerir o mínimo de sal possível. Como antiga consumidora de alimentos salgados, frituras, massas e enlatados, ela agora é a favor de uma dieta balanceada e alimentação saudável. “O certo mesmo é comer muitas frutas, verduras e legumes. É essencial também fazer alguma atividade física. Eu faço musculação, ginástica localizada e caminhada”, aconselha.  Por ser hipertensa, cortou o sal da alimentação. Ela afirma que a situação influenciou também na vida dos filhos, que mudaram os hábitos por passarem a se preocupar mais com a saúde.


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