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"Badernaço" completa 25 anos neste domingo

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Camila Costa
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A data era 27 de novembro de 1986. Dia em que a Esplanada dos Ministérios se tornou palco do maior descontrole popular e de um dos confrontos mais emblemáticos de Brasília, conhecido como “Badernaço” – uma manifestação que levou ao centro da capital federal donas de casa, representantes sindicais e de movimentos estudantis do DF para reivindicar, entre outras coisas, a revogação do pacote econômico da época, o Cruzado II. O fato acontecia há exatamente 25 anos e, hoje, é relembrado pelo Jornal de Brasília, por meio daqueles que estavam lá e participaram, de alguma forma, desse momento marcado na história da cidade.

Às 14h o sol já estava a pino, quando o grupo de milhares de pessoas começou a marchar rumo ao Palácio do Planalto. A passeata foi convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT).  A intenção da manifestação era mostrar ao governo a insatisfação popular com os planos econômicos e com a situação financeira do País, que vivia uma inflação galopante, até 86% ao mês.


Durou pouco

No dia 1º de março de 1986 foi instituído o Plano Cruzado. Essa reforma monetária cortou três zeros, e o cruzeiro – moeda anterior – foi substituído pelo cruzado, seguido de um congelamento de preços, por um ano. Os salários também foram congelados, pelo valor médio dos últimos seis meses, mais um abono de 8%. Um mecanismo chamado “gatilho salarial” também foi criado e funcionava da seguinte forma: toda vez que a inflação atingia ou ultrapassava 20%, os salários também era corrigidos, automaticamente, com o mesmo índice.

A inflação foi contida, o poder aquisitivo cresceu. Com o aumento dos salários e o congelamento do preço dos produtos, aumentou-se o consumo, porém a forte demanda abalou o congelamento e levou o Plano Cruzado ao fracasso. Com quatro meses de vida, mostrava fragilidade. As mercadorias desapareceram das prateleiras dos supermercados, os fornecedores cobravam ágio e a inflação voltou a subir.

Após as eleições de 1986, o governo lançou, seis dias antes do “Badernaço”, o “Plano Cruzado II”. Devido à liberação dos preços dos produtos e serviços, da negociação dos aluguéis entre proprietários e inquilinos, além da alteração do cálculo da inflação, as exportações caíram, as importações aumentaram e as reservas cambiais foram esgotadas. A inflação disparou, os preços de combustíveis, bebidas, automóveis aumentaram consideravelmente.


Mobilização

“O governo segurou todos os problemas do Cruzado e só após a eleição criou o Cruzado II. Com isso, reajustaram os preços e começaram manifestações isoladas em todos os lugares. Sabendo disso, convocamos uma reunião, no dia 21 mesmo, e marcamos a manifestação para o dia 27”, conta Jacy Afonso de Melo, que à época era dirigente da CUT-DF.

Cem mil panfletos e, segundo Jacy, mais de dez mil pessoas tomaram a Esplanada, debaixo de um calor de 35 graus. “Na porta do Palácio do Planalto a polícia impediu que chegássemos, jogaram bomba e, como vimos que não adiantaria, voltamos e fomos para o Ministério da Fazenda”, lembra.

 

Leia mais na edição deste domingo (27) do Jornal de Brasília.


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