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Cidades

Protesto pela vida no trânsito

Cerca de 100 ciclistas se reuniram em frente ao Palácio do Buriti e prestaram homenagem a colegas mortos em vias do DF

Vítor Mendonça

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Cerca de 100 ciclistas se reuniram no início da tarde de ontem em frente ao Palácio do Buriti para manifestarem em favor de melhores direitos no trânsito da capital federal. Cruzes de madeira com os nomes de vítimas de atropelamento no Distrito Federal foram expostas e carregadas pelos manifestantes em uma carreata pela causa. “Mais amor, menos motor. Mais adrenalina, menos gasolina”, gritavam os ativistas enquanto pedalavam.

Os organizadores da manifestação – entre eles a Organização Não-Governamental Rodas da Paz – se reuniram com o governo e debateram as possibilidades de implementação sugeridas. Ao líder da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob/DF), Valter Casimiro, foi entregue um manifesto com propostas de melhorias em ciclovias e soluções para minimizar acidentes entre outros veículos e as bicicletas nas vias urbanas do DF.

“Foi uma boa conversa”, disse Eduardo Guimarães, 45 anos, coordenador dos grupos de “pedal” do DF e entorno, além do grupo Pedala Planaltina. “Já tinham conhecimento prévio do manifesto e já nos avisaram dos planos que podem ser executados com urgência e os que não podem ser feitos por agora. Eles [membros do governo presentes na reunião] também são ciclistas, então isso já facilita um pouco para nós”, afirmou.

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

“Um dos principais que queremos é o da sinalização das vias, avisando que têm ciclistas nelas. Também pedimos para que haja a formação de um comitê junto com o governo e os ciclistas da sociedade civil para discutir tudo o que está acontecendo e que possamos trabalhar essas questões”, destacou Eduardo. Além destas, outro ponto é a manutenção de pontos de ciclovias e acertos com algumas vias destinadas aos ciclistas incompletas.

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“O ciclista tem o direito de usar a pista também e ele também precisa de orientação para saber como deve usar a via. Estamos pedindo essa sinalização principalmente para os motoristas. Cruzamentos das faixas de ciclovias também precisam de melhor sinalização para que possam diminuir a velocidade e prestarem mais atenção”, continuou. A reunião foi feita entre integrantes da Semob/DF, do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), do Departamento de Trânsito do DF (Detran) e do gabinete do governador local.

Homenagem Ghost Bike

Após a manifestação em frente ao Palácio do Buriti, todos os ciclistas se dirigiram à quadra 2 do Cruzeiro Velho para prestar homenagens ao ciclista atropelado em fevereiro de 2017, Cláudio Mariano, 69, cujo corpo foi arrastado por alguns metros por uma motorista absolvida em julgamento pela Justiça no início deste ano. Na esquina de onde o atropelamento aconteceu, uma Ghost Bike – uma bicicleta branca para simbolizar a morte de algum ciclista em determinado local – foi instalada.

A sobrinha da vítima, Marília Rodrigues, 38, esteve no local e compartilhou sua indignação com a absolvição da motorista que dirigia o carro. “Alegaram que a culpa foi exclusivamente da vítima, meu tio, que morreu. Nas imagens de segurança que gravaram tudo no dia é possível ver que ele foi arrastado e que ela passou por cima dele e não prestou socorro. Ainda é muito dolorido para nós toda essa situação”, afirmou.

Segundo ela, pelo fato do caso ter acontecido há três anos, ver as mobilizações ainda existentes sobre o atropelamento e o engajamento de outros companheiros de ciclismo pela homenagem a deixaram surpresa. “Eu fico de cara com o barulho de vocês [ciclistas]. Era algo que eu não esperava”, proclamou ela após a instalação da Ghost Bike. “Vemos casos como o do meu tio se repetindo e a gente se questiona: ‘Poxa, estamos passando pelas mesmas coisas?’, as famílias estão sofrendo”, complementou Marília.

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“A gente acreditava que ganharíamos porque tínhamos as imagens de todas as câmeras do hospital, era uma via residencial, ela [motorista] estava na contra-mão, havia uma placa de ‘Pare’. E na decisão foram dois votos absolvendo a motorista e um a favor do meu tio, digamos assim”, disse ainda. “[Tudo isso], me tornou uma pessoa totalmente descrente na nossa Justiça. Hoje reconheci que sempre trazia um ar de negatividade, mas eu tenho que acreditar no movimento e nas pessoas que fazem parte dele.”

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Eduardo Guimarães também tomou a palavra em certo momento e declarou que “não ficamos satisfeitos em colocar a Ghost Bike”, mas que novas legislações mais duras contra “motoristas inconsequentes” precisam e estão sendo trabalhadas no Congresso. “Temos outras cinco outras para colocar e é uma tristeza para nós fazermos isso. Brigamos para que isso não precise mais acontecer. Essa bike representa também um chamamento à comunidade. Queremos mudanças de atitude”, bradou.

Em mais uma homenagem, todos os ciclistas levantaram a roda dianteira de suas bicicletas e fizeram uma oração do Pai Nosso, além de aplaudirem por cerca de 30 segundos.

Acidentes fatais

Estão contabilizados sete acidentes fatais envolvendo ciclistas no DF até setembro deste ano – índice consideravelmente menor que os registrados em 2018 e 2019, com 19 e 22 casos, respectivamente. Os dados são do Departamento de Trânsito (Detran/DF).

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Desde o início da série histórica, iniciada em 2000, foram 797 ciclistas mortos no trânsito da capital federal. Os maiores índices estão concentrados nos nove primeiros anos, mas, a partir de 2016, as estatísticas não ultrapassam os 22 acidentes fatais – registro contabilizado no último ano. Entre 2018 e 2019, a grande maioria dos casos ocorreu em colisão com outro veículo. Apenas três casos nos dois anos excluem ações que não as dos próprios ciclistas – mortos por queda.




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